EUA fecham acordo para usar energia de Itaipu em IA no Paraguai
Departamento de Estado anuncia acordo para construir infraestrutura de “superinteligência” alimentada por Itaipu no Paraguai e investimento de US$ 12 milhões em urânio, sem citação ao Brasil.

Inteligência Artificial
Paraguai recebe investimento de US$ 12 milhões para infraestrutura de IA com energia de Itaipu, em acordo liderado pelos EUA.
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (21) um acordo para que a energia da usina hidrelétrica de Itaipu, administrada por Brasil e Paraguai, alimente uma nova infraestrutura de inteligência artificial de alto desempenho no território paraguaio, em parceria com as empresas Crusoe e Araico. O pacote inclui ainda um investimento de US$ 12 milhões em uma concessão de urânio no país, reforçando o peso estratégico da cooperação entre Washington e Assunção e levantando dúvidas sobre a ausência do Brasil no comunicado oficial.
Qual é o acordo entre os EUA e o Paraguai sobre o uso da energia de Itaipu?
O acordo prevê que a Crusoe, empresa norte-americana especializada em infraestrutura de “superinteligência”, e a paraguaia Araico utilizem energia gerada por Itaipu para operar um complexo de computação voltado a serviços avançados de inteligência artificial e computação em nuvem. Segundo o Departamento de Estado, esse projeto pode se tornar um dos maiores investimentos privados já realizados no Paraguai.
Na nota oficial, o governo americano afirma que “a Crusoe, uma empresa norte-americana dedicada à fabricação de infraestrutura de superinteligência, e a Araico, uma empresa paraguaia voltada ao desenvolvimento de energia e infraestruturas, formalizaram um acordo de colaboração estratégica para construir uma infraestrutura de superinteligência de alto desempenho, alimentada pela usina hidrelétrica de Itaipu”.
A usina é binacional e tem gestão compartilhada entre Brasil e Paraguai, com divisão igual da energia produzida. Apesar disso, o comunicado dos EUA não menciona participação brasileira nas negociações, o que tende a suscitar questionamentos em Brasília sobre o uso da parcela paraguaia de energia em um projeto de grande porte com atores externos.
Como a energia da usina de Itaipu será usada no projeto de inteligência artificial dos EUA?
A energia de Itaipu será direcionada para alimentar um centro de dados de alta capacidade, projetado para rodar sistemas de inteligência artificial de grande porte e serviços em nuvem. A estrutura será instalada no Paraguai e atenderá tanto clientes dos Estados Unidos quanto de outros países da América Latina.
O Departamento de Estado informou que, “no âmbito dessa parceria, a Crusoe planeja colocar em operação uma estrutura inicial em meados de 2027”. A expectativa é que o consumo intensivo de eletricidade dos equipamentos de computação seja suprido pela energia hidrelétrica, considerada renovável e relativamente barata, o que aumenta a competitividade do projeto em relação a outros polos globais de tecnologia.
Na prática, o Paraguai passa a usar parte de sua cota em Itaipu para atrair um complexo tecnológico de escala internacional, capaz de gerar empregos qualificados, contratos de serviços e uma cadeia de fornecedores locais ligados a energia, infraestrutura, segurança cibernética e tecnologia da informação.
Entenda o contexto
O anúncio foi feito durante a visita ao Paraguai de Christopher Landau, número 2 do Departamento de Estado, que se reuniu com o presidente Santiago Peña e com o chanceler Rubén Ramírez Lezcano. A viagem tem como objetivo declarado “aprofundar ainda mais a parceria estratégica” entre os dois países, impulsionar as economias e “proteger nossos cidadãos contra ameaças transnacionais”.
Além do acordo para a infraestrutura de inteligência artificial, o governo americano confirmou um investimento de US$ 12 milhões da Uranium Energy Corp para desenvolver uma de suas concessões de urânio no território paraguaio. O movimento amplia a cooperação econômica em um setor sensível, com implicações para a matriz energética futura, para a regulação ambiental e para a segurança regional.
A combinação de um megaprojeto de IA alimentado por Itaipu com a expansão da mineração de urânio reforça o papel do Paraguai como parceiro estratégico dos EUA no Cone Sul, em um momento em que a disputa global por cadeias de tecnologia e energia se intensifica.
Quais são os impactos esperados do acordo de energia entre EUA e Paraguai para o projeto de IA?
O principal impacto imediato é a perspectiva de transformar o Paraguai em um polo emergente de infraestrutura digital na América Latina, capaz de hospedar serviços em nuvem e aplicações de inteligência artificial para clientes regionais e norte-americanos. Isso tende a atrair novos investimentos privados em tecnologia, telecomunicações, construção civil e serviços especializados.
Do ponto de vista econômico, o governo paraguaio aposta na criação de empregos qualificados, aumento de arrecadação e diversificação da economia, hoje mais concentrada em setores como agropecuária e energia. A presença de uma estrutura de “superinteligência” de grande porte também pode estimular iniciativas locais em pesquisa, startups e formação de mão de obra em áreas de computação e cibersegurança.
No plano geopolítico, a utilização da energia de uma usina binacional em um projeto negociado diretamente entre o Paraguai e os EUA, sem menção ao Brasil, tem potencial de gerar desconfortos diplomáticos e abrir uma nova rodada de discussões sobre o uso e a destinação da energia de Itaipu. Eventuais ajustes podem ser tratados em negociações bilaterais futuras, à medida que o projeto avance em detalhes técnicos e contratuais.
O sucesso da iniciativa dependerá da viabilidade técnica do complexo de IA, do cronograma que prevê o início das operações em meados de 2027 e das respostas políticas na região, tanto em relação ao uso de Itaipu quanto à expansão da exploração de urânio em território paraguaio.
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