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Inteligência Artificial

EUA lançam centro de IA no Paraguai com energia de Itaipu em 2027

Governo dos EUA anuncia hoje projeto de centro de dados para inteligência artificial no Paraguai, abastecido por Itaipu. Operação começa em 2027 e pode ser um dos maiores investimentos privados do país.

EUA lançam centro de IA no Paraguai com energia de Itaipu em 2027

Inteligência Artificial

Projeto dos EUA no Paraguai utilizará energia de Itaipu para impulsionar centro de dados inovador a partir de 2027.

Leia também: Bispos dos EUA debatem IA e imigração em assembleia de novembro

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (21) a construção de um centro de processamento de dados voltado à inteligência artificial no Paraguai, que será abastecido com energia da hidrelétrica de Itaipu e tem início das operações previsto para meados de 2027. O Departamento de Estado americano descreve o empreendimento como “um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai”.

Qual é o projeto de inteligência artificial anunciado pelos EUA que usará energia de Itaipu?

O projeto é a instalação de um grande centro de processamento de dados para inteligência artificial em território paraguaio, desenhado para atender empresas que utilizam serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. A estrutura será operada com energia proveniente de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, e terá equipamentos de alta capacidade para treinar e rodar aplicações de IA em larga escala.

O empreendimento nasce de uma parceria entre a Crusoe, empresa americana especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a Araico, companhia paraguaia que atua em projetos de energia e infraestrutura. O valor total do investimento e o volume de energia reservada ainda não foram divulgados.

De acordo com o governo americano, o centro pretende posicionar o Paraguai como um polo emergente de tecnologia e serviços digitais na região, oferecendo capacidade adicional de processamento para companhias que hoje dependem de data centers instalados majoritariamente em território norte-americano.

Quem são os parceiros envolvidos no projeto de inteligência artificial que usará energia de Itaipu?

Os protagonistas privados do projeto são a Crusoe, dos Estados Unidos, e a Araico, do Paraguai. A Crusoe é responsável pela tecnologia e pela infraestrutura de computação de alta performance voltada à inteligência artificial, enquanto a Araico entra com experiência em desenvolvimento de projetos de energia e implantação de grandes estruturas no país.

Do lado governamental, o anúncio é conduzido pelo Departamento de Estado americano, representado na visita oficial a Assunção pelo vice-secretário de Estado Christopher Landau. Ele se reuniu na capital paraguaia com o presidente Santiago Peña e com o chanceler Rubén Ramírez Lezcano para acertar detalhes da cooperação econômica e tecnológica entre os dois países.

A Itaipu, administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai, aparece como fornecedora da energia que sustentará o centro de dados, embora o comunicado não detalhe contratos específicos nem quantidades de geração direcionadas ao projeto.

Como a energia da Usina de Itaipu será utilizada no projeto de inteligência artificial dos EUA?

A energia que abastecerá o centro de inteligência artificial no Paraguai virá da produção regular da usina de Itaipu, aproveitando o excedente de eletricidade disponível ao lado paraguaio. Essa oferta, considerada estável e renovável, é vista pelos americanos como um diferencial para ancorar um projeto de alto consumo energético com menor pegada de carbono.

Pelo tratado que rege Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito a metade da produção. A energia que um dos países não utiliza pode ser comprada pelo outro, e os dois governos discutem ajustes nas regras de comercialização previstas no Anexo C do acordo. O comunicado americano sobre o centro de IA, porém, não menciona o Brasil nem indica eventuais impactos diretos sobre o lado brasileiro da hidrelétrica.

O uso de eletricidade de fonte hidrelétrica reforça o discurso de sustentabilidade da iniciativa, já que grandes operações de computação em nuvem e IA consomem volumes significativos de energia. Para o Paraguai, o projeto também é uma forma de monetizar melhor sua parcela de geração, vinculando-a a uma cadeia de valor tecnológica de maior complexidade.

Entenda o contexto

O anúncio do centro de IA ocorre em meio a uma agenda mais ampla de aproximação entre Estados Unidos e Paraguai. Além do investimento em tecnologia, Washington divulgou novos aportes no setor de mineração e acordos para reforçar o combate ao narcotráfico, a segurança de fronteiras e a cooperação na área nuclear com Assunção.

No caso específico de Itaipu, a ausência de menções ao Brasil no comunicado americano chama atenção, já que a usina é binacional. Como o tratado prevê revisão de pontos cruciais de comercialização de energia, a destinação de parte da geração a um megaprojeto tecnológico no Paraguai tende a entrar no radar das conversas trilaterais entre Brasília, Assunção e Washington.

Internamente, o governo de Santiago Peña trata o centro de dados como uma vitrine do país para atrair novos investimentos de alta tecnologia, com expectativa de geração de empregos qualificados e demanda por infraestrutura digital avançada. Nos Estados Unidos, o projeto é apresentado como forma de ampliar a capacidade de processamento disponível para empresas norte-americanas e regionais, ao mesmo tempo em que fortalece a presença econômica de Washington em um vizinho estratégico do Brasil.

Fonte: matéria original