OpenAI negocia US$ 30 bi e pode valer US$ 1,25 tri antes do IPO
OpenAI negocia nova rodada privada de até US$ 30 bilhões, que pode avaliá-la em US$ 1,25 trilhão e adiar o IPO, em operação liderada por Coatue e investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Investimentos
Rodada privada pode elevar avaliação da OpenAI e postergar abertura de capital no mercado.
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A OpenAI negocia nesta semana uma nova rodada de financiamento privado de até US$ 30 bilhões, que pode avaliar a empresa em cerca de US$ 1,25 trilhão antes do dinheiro novo entrar e, na prática, adiar a oferta pública inicial (IPO) mais aguardada do setor de inteligência artificial.
Rodada bilionária antes do IPO
A operação está sendo estruturada com liderança da gestora Coatue e de investidores dos Emirados Árabes Unidos, segundo pessoas a par das conversas. Os termos ainda podem mudar, mas a estrutura em discussão é de uma rodada pré-IPO que turbinaria o caixa da companhia e elevaria de forma relevante seu valor de mercado estimado.
Na última captação, em março, a OpenAI foi avaliada em US$ 852 bilhões pós-money. Uma avaliação de US$ 1,25 trilhão agora colocaria a desenvolvedora do ChatGPT como a empresa privada mais valiosa da história, superando com folga marcas anteriores e consolidando seu status de líder na corrida global pela IA generativa.
Questionada sobre as negociações, a empresa preferiu não comentar. “OpenAI declined comment”, disse a companhia, em nota sucinta enviada à imprensa.
Acordo com Emirados mira mais poder computacional
Além do dinheiro, as conversas com grupos dos Emirados Árabes Unidos incluem a possibilidade de um acordo para ampliar a capacidade computacional da OpenAI, ponto considerado crítico para sustentar o crescimento no uso de modelos de IA e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Infraestrutura de computação de alto desempenho se tornou um gargalo e, ao mesmo tempo, uma vantagem competitiva no setor. Um acerto com investidores que também possam aportar acesso a data centers e chips avançados, direta ou indiretamente, reforçaria a posição da OpenAI frente a rivais e reduziria riscos de escassez de recursos computacionais.
O desenho dessa parceria ainda não está fechado, mas a combinação de capital financeiro e infraestrutura tecnológica é vista no mercado como um movimento estratégico para alongar o fôlego da companhia antes de abrir capital.
IPO mais distante — e mais caro
A OpenAI já protocolou documentação confidencial para o IPO, em um sinal de que a listagem está no radar. Com a nova rodada, porém, o cronograma deve ser empurrado para frente, dando à empresa tempo para crescer e, potencialmente, buscar um valor ainda maior quando estrear na bolsa.
Uma avaliação superior a US$ 1 trilhão nesta captação privada elevaria a régua para a estreia nos mercados públicos: o IPO passaria a ser medido não apenas pelo tamanho da oferta, mas pela capacidade da empresa de sustentar múltiplos tão elevados em um ambiente de juros ainda altos e crescente escrutínio regulatório sobre a IA.
Para os investidores que entrarem agora, o apelo está justamente na chance de capturar parte desse ganho antes da listagem, em uma janela em que o acesso é restrito a grandes fundos e parceiros estratégicos.
Pressão sobre a Anthropic e concentração no topo
O movimento da OpenAI ocorre em paralelo aos planos da Anthropic, sua principal concorrente em modelos avançados de IA, que também trabalha para ir à bolsa buscando uma avaliação entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões, segundo projeções de mercado.
Em maio, a Anthropic levantou US$ 65 bilhões com uma avaliação de US$ 965 bilhões, rodada que, à época, foi vista como a última grande captação privada antes do IPO. A empresa também já registrou documentos confidenciais para abertura de capital.
Se a OpenAI fechar uma rodada de US$ 30 bilhões a US$ 1,25 trilhão de valuation, aumenta a pressão competitiva sobre a Anthropic: investidores institucionais terão de escolher onde concentrar apostas, e benchmarks de preço tenderão a ser comparados diretamente entre as duas rivais.
Analistas veem uma tendência de concentração de recursos em poucas gigantes de IA, o que pode acelerar a inovação nessas líderes, mas tornar mais difícil a vida de novos entrantes e de concorrentes menores, que enfrentam custos crescentes de computação e de acesso a dados.
Entenda o contexto
A nova rodada em negociação chega após uma sequência de movimentos que inflam os valores das empresas de IA generativa. Em reportagens recentes, já se mencionava a OpenAI buscando US$ 30 bilhões a um valuation de até US$ 1,4 trilhão, num sinal de que a faixa de preço ainda está em disputa entre companhia e investidores.
Desde o lançamento do ChatGPT, a empresa passou a ser o principal símbolo da onda de IA, firmando parcerias com grandes grupos de tecnologia e atraindo interesse de fundos globais. O apetite por exposição ao setor levou gestoras como a Coatue a ampliarem a presença no segmento, disputando espaço em rodadas cada vez maiores.
Com as negociações em andamento e sem um anúncio oficial, o mercado monitora três pontos principais: o valor final da avaliação, o tamanho efetivo do cheque — se chegará de fato aos US$ 30 bilhões — e os detalhes do eventual acordo de infraestrutura com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Essas definições vão calibrar não só o próximo passo da OpenAI, mas também o ânimo dos investidores para outros IPOs de IA que se avizinham.
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