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Inteligência Artificial

IA reduz venda de imóveis para 6 meses no Brasil em 2026

MRV e Grupo OLX investem em inteligência artificial para organizar leads, sugerir preços, treinar corretores e reduzir um processo de compra que leva de 13 a 15 meses.

IA reduz venda de imóveis para 6 meses no Brasil em 2026

Inteligência Artificial

Empresas brasileiras utilizam IA para agilizar o mercado imobiliário, diminuindo o tempo médio de venda significativamente.

Leia também: Plataformas de IA criativa avançam sobre trabalho das agências

Empresas do mercado imobiliário brasileiro, como MRV e Grupo OLX, estão adotando inteligência artificial para organizar melhor os leads, acelerar a venda de imóveis, apoiar a formação de corretores e ajustar preços em tempo real, numa tentativa de encurtar um processo que hoje leva, em média, de 13 a 15 meses.

Como a inteligência artificial está sendo usada para captar clientes no setor imobiliário?

A inteligência artificial entra principalmente na gestão de leads, segmentando grandes bases de contatos em grupos menores e mais qualificados. Na prática, sistemas automatizados analisam perfil, histórico de interações e interesse declarado e, a partir daí, distribuem esses potenciais compradores em “caixinhas” específicas para acompanhamento próximo.

Thiago Ely, vice-presidente de Comercial e Marketing da MRV, explica que o problema já não é apenas gerar contatos, mas saber o que fazer com eles. “A inteligência de acompanhamento, quando você começa a cortar essa base em pequenos grupos, você consegue monitorar muito melhor. E aí você manda ações direcionadas para cada grupo. Essas ações muito mais assertivas fazem com que essas pessoas, esses potenciais clientes, tomem decisões”, afirma.

Essas ações vão de campanhas de e-mail e mensagens personalizadas até ofertas adaptadas à renda, região de interesse e estágio da jornada de compra. O objetivo é manter o cliente aquecido, diminuir desistências e reduzir o tempo entre a primeira consulta e o fechamento do contrato.

Outro uso é o atendimento automatizado por agentes virtuais, que ficam disponíveis 24 horas por dia em sites e aplicativos. Esses robôs conversacionais tiram dúvidas iniciais, coletam dados essenciais, fazem pré-qualificação de crédito e repassam ao corretor apenas os leads realmente prontos para avançar, o que economiza tempo da equipe comercial e melhora a experiência de quem está buscando um imóvel.

Quais benefícios a IA traz para a otimização das vendas no mercado imobiliário?

Os principais ganhos aparecem na velocidade da venda, na precificação dos imóveis, na produtividade dos corretores e na capacidade de ler tendências de mercado. No lado do vendedor, a IA ajuda a atacar um gargalo histórico: o tempo médio de conclusão da compra, hoje entre 13 e 15 meses.

Um dos pontos centrais é o preço. Olivier Aizac, CEO do Grupo OLX, diz que a análise automatizada de uma base com 6 milhões de imóveis permite sugerir valores mais aderentes à realidade de cada região. “A gente está tentando fazer, como plataforma que tem 6 milhões de imóveis, dar esse contexto de falar: o preço médio do imóvel nessa região é esse preço, para ajudar a posicionar o imóvel no preço certo, porque esse é o fator que vai facilitar a venda e acelerar o tempo de venda”, afirma.

Quando o imóvel entra no mercado já com um valor compatível com imóveis semelhantes ofertados e negociados, a chance de ficar encalhado diminui. Isso tende a reduzir o tempo em que o bem permanece anunciado e, consequentemente, o custo de oportunidade para o proprietário e para a imobiliária.

No dia a dia dos profissionais, a tecnologia também funciona como um tutor digital. Ely destaca que muitos corretores chegam ao setor vindos de outras áreas e ainda não dominam temas como crédito imobiliário. “Inteligência Artificial é muito como assessor ao corretor. Acelerar esse aprendizado faz com que mais gente prospere e que mais gente decida que a carreira do mercado imobiliário é uma carreira e não é só um transitório”, diz.

Ferramentas de IA podem sugerir argumentos de venda, montar simulações de financiamento em segundos e indicar qual produto da carteira tem maior aderência ao perfil daquele cliente. Com isso, o atendimento tende a ficar mais consultivo e menos burocrático.

Entenda o contexto

O movimento de digitalização chega a um setor marcado por processos longos, altos custos de construção, escassez de mão de obra qualificada e juros elevados, que encarecem o crédito e afastam parte da demanda. A dificuldade histórica em atrair, nutrir e converter leads em compradores é um dos efeitos desses entraves, e a automação passa a ser vista como saída para ganhar eficiência sem aumentar proporcionalmente as equipes.

Segundo executivos do setor, a tendência é que, à medida que as soluções de IA ganhem espaço em incorporadoras, construtoras e marketplaces, profissionais e empresas que resistirem a essa mudança tenham mais dificuldade para competir, especialmente em grandes centros urbanos, onde a oferta de imóveis é ampla e os consumidores comparam tudo online.

Dados para prever tendências e turbinar a oferta

Além de organizar clientes e sugerir preços, a inteligência artificial começa a ser usada para antecipar o que o mercado vai querer comprar. Ao analisar milhões de buscas, cliques e filtros acionados por usuários, plataformas conseguem identificar, por exemplo, aumento de interesse por determinadas metragens, bairros específicos, imóveis próximos a estações de transporte ou faixas de preço mais procuradas.

“O que a gente está fazendo, graças à inteligência artificial, é entender quais são os padrões de busca, qual é a tendência do momento, para entregar isso para as imobiliárias entenderem qual é o tipo de imóveis que as pessoas estão buscando exatamente”, explica Aizac. Esses relatórios orientam desde o planejamento de lançamentos até ajustes em campanhas e portfólios, tornando a oferta mais próxima da demanda real.

Para o cliente final, a promessa é de um caminho menos tortuoso até a chave: atendimento contínuo, propostas mais aderentes ao orçamento, imóveis anunciados com valores mais realistas e um processo de escolha apoiado por informação e simulações mais precisas. Para as empresas, o desafio agora é expandir o uso da IA mantendo transparência no uso dos dados e preparando corretores e gestores para tirar proveito das novas ferramentas sem perder o vínculo humano na venda de um dos bens mais importantes da vida do consumidor.

Fonte: matéria original