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Lançamentos de IA

General Compute levanta US$ 100 mi e alcança US$ 800 mi em valor

Startup de neocloud General Compute capta US$ 100 milhões em rodada Série A após fechar cliente de US$ 100 milhões em receita anual e aposta em chips de IA rivais da Nvidia.

General Compute levanta US$ 100 mi e alcança US$ 800 mi em valor

Tech Desk

Startup de neocloud amplia capital após garantir cliente estratégico e aposta em tecnologia de chips de IA concorrentes da Nvidia.

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A General Compute levantou US$ 100 milhões em uma rodada Série A liderada pelos fundos Blackbird Ventures e Abstract Ventures, impulsionada por um contrato de US$ 100 milhões em receita recorrente anual com um grande cliente e pela aposta em chips especializados para inferência de inteligência artificial.

Startup desafia pessimismo sobre neoclouds

Fundada e comandada por Finn Puklowski, a empresa passa a ser avaliada em US$ 800 milhões pós-money, após ter sido avaliada em US$ 60 milhões em uma rodada seed em maio. O anúncio acontece justamente em uma semana marcada pela queda das ações da concorrente CoreWeave e por previsões de Elon Musk de que centenas de neoclouds vão quebrar ou se consolidar.

Puklowski, porém, minimiza o clima de pessimismo. Para ele, o risco de um colapso provocado por excesso de chips é exagerado. “Temores de um colapso liderado por chips são massivamente exagerados. Tenho gente me ligando toda semana pedindo TPUs, GPUs, qualquer chip, para conseguir mais computação”, afirma o CEO da General Compute. Ele cita ainda o documento S-1 recente da Anthropic, descrito por ele como otimista, como fator que ajuda a acalmar o mercado.

Aposta em chips de inferência e infraestrutura flexível

Ao contrário de boa parte das neoclouds que disputam GPUs tradicionais, a General Compute constrói sua oferta em cima de chips especializados para inferência, fornecidos por rivais da Nvidia. A empresa fechou um acordo de US$ 400 milhões para compra de chips com a SambaNova, em uma operação estruturada via financiamento de dívida, e adicionou Positron e Cerebras ao portfólio de fabricantes parceiros.

Em vez de erguer megacentros de dados do zero, a companhia aluga espaço em data centers de terceiros e converte antigas instalações de mineração de bitcoin para rodar modelos de IA. Essa estratégia reduz o investimento inicial em infraestrutura física e, segundo a empresa, permite escalar mais rápido conforme os chips são entregues.

Com esse modelo, a General Compute não pretende, por ora, rivalizar diretamente com os grandes provedores globais de nuvem, mas busca capturar nichos pouco atendidos na corrida por capacidade computacional para IA, em especial cargas de trabalho de inferência em alta velocidade e com foco em custo.

Cliente âncora e planos de expansão de capacidade

O contrato com um grande cliente, que garante US$ 100 milhões em receita recorrente anual, foi decisivo para destravar a Série A. A empresa atua principalmente como fornecedora de “bare metal” — servidores brutos, sem software embarcado — para outras empresas de nuvem especializadas em oferecer inferência de alta performance para desenvolvedores.

A General Compute planeja chegar a 75 megawatts de capacidade computacional em 2027 e diz ter linha de acesso potencial a até 200 megawatts de energia para expansão futura, volume que, nas palavras de Puklowski, é “mais do que provavelmente conseguiremos financiar e equipar com hardware” no curto prazo.

O fundador admite que manter o plano exigirá capital constante. A combinação de dívida e equity deve seguir no centro da estratégia. “Capital vai ser um trabalho em tempo integral para mim, tanto em dívida quanto em participação acionária”, tem repetido o executivo em conversas com investidores.

Investidores e fornecedores veem espaço para crescer

Para James Palmer, principal da Blackbird Ventures, que co-liderou a rodada, o diferencial da General Compute está em sua capacidade de levar os chips especializados de IA ao mercado em escala. “Cerebras, Positron, SambaNova, todos precisam de parceiros de distribuição que consigam levá-los à escala, que consigam navegar a complexidade do mundo físico”, afirma o investidor.

Entre os fornecedores de chips, a avaliação é semelhante. Rodrigo Liang, CEO e cofundador da SambaNova, destaca que, em um mercado obcecado por velocidade, a General Compute mira a sustentabilidade econômica das ofertas de nuvem de IA. “Todo mundo neste mercado está vendendo velocidade. A verdadeira questão é se você consegue ganhar dinheiro fazendo isso”, diz.

Ao combinar chips de inferência de múltiplos fabricantes com uma infraestrutura de data centers reaproveitada e distribuída, a General Compute tenta se firmar como uma alternativa resiliente no segmento de neoclouds, justamente quando parte do mercado aposta em retração. O sucesso da Série A e do contrato bilionário em reais com o cliente âncora indica que, pelo menos por enquanto, a demanda por computação para IA segue forte e diversificada, abrindo espaço para modelos menos tradicionais de expansão.