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Inteligência Artificial

UFMG inaugura supercomputador Soberano contra crimes ambientais

UFMG inaugura o supercomputador Soberano e recebe câmera hiperespectral raríssima para usar IA no combate ao desmatamento, à mineração ilegal e no monitoramento do território brasileiro.

UFMG inaugura supercomputador Soberano contra crimes ambientais

Inteligência Artificial

Nova tecnologia da UFMG usa IA para monitorar e combater crimes ambientais no Brasil.

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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou nesta terça-feira (27) o supercomputador Soberano, no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, em Belo Horizonte, e recebeu uma câmera hiperespectral raríssima, que juntos vão usar inteligência artificial para acelerar o combate ao desmatamento, à mineração ilegal e transformar o monitoramento do território brasileiro.

Supercomputador de ponta para ler o território em detalhe

Instalado no IGC, o Soberano foi projetado para analisar grandes volumes de imagens e dados do país, em nível de detalhe antes inacessível. Com tecnologia da mesma geração usada no treinamento dos grandes modelos globais de IA, o sistema vai automatizar a interpretação de informações coletadas por satélites, radares, drones e sensores em solo.

O nome escolhido, Soberano, simboliza a busca por autonomia tecnológica na leitura do território, com soluções desenvolvidas no Brasil para fins civis e de defesa. A expectativa é que o equipamento reduza de meses para dias o tempo necessário para produzir mapas e diagnósticos usados por órgãos ambientais, defesas civis, prefeituras e Forças Armadas.

Com essa capacidade de processamento, o supercomputador permitirá, por exemplo, identificar rapidamente novas frentes de desmatamento, pistas de mineração ilegal em áreas remotas, alterações em rios e reservatórios e mudanças em encostas com risco de deslizamento.

Câmera hiperespectral raríssima amplia poder de fiscalização

Em paralelo, a Escola de Engenharia da UFMG recebeu a câmera hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, um dos apenas três exemplares existentes no mundo. O equipamento registra variações de luz invisíveis ao olho humano, decompondo o espectro luminoso em centenas de faixas, o que permite diferenciar tipos de solo, vegetação, minerais e contaminantes com alta precisão.

Na prática, a tecnologia hiperespectral pode distinguir uma floresta intacta de uma área em regeneração ou degradada, separar garimpo recente de superfície natural e até indicar presença de rejeitos e poluentes em cursos d’água. Esses dados, combinados ao poder de cálculo do Soberano, reforçam a capacidade de fiscalização remota sobre áreas extensas e de difícil acesso.

Segundo a UFMG, “tanto o supercomputador quanto a câmara hiperespectral foram adquiridos no âmbito da chamada dos Centros temáticos da Finep em 2023, por meio do projeto Extração de geoiformação com o uso de inteligência artificial para aplicações duais: defesa e ambiente (GeoIDE). A UFMG é a executora do projeto, que tem co-execução do Instituto Militar de Engenharia (IME) e da Direção-Geral dos Serviços Geográficos (DSG), órgão de apoio técnico-normativo do Exército Brasileiro”.

Entenda o contexto

O projeto GeoIDE tem foco em aplicações “duais” — civis e militares — de inteligência artificial aplicada à geoinformação. A meta é automatizar a extração de dados geográficos a partir de diferentes fontes de imagem e sensores e alimentar sistemas de monitoramento ambiental, segurança de fronteiras e planejamento territorial.

Entre os objetivos centrais está acelerar a produção de cartas geográficas na escala 1:25.000, detalhamento considerado estratégico para políticas públicas locais. Esses mapas são usados em planejamentos municipais, projetos de mobilidade, zoneamento urbano, gestão de bacias hidrográficas e estudos de risco para inundações e deslizamentos.

Ao permitir atualizações mais frequentes e granulares, o sistema deve melhorar também alertas de desastres naturais, respostas emergenciais e ações de prevenção em áreas vulneráveis.

Impactos esperados para meio ambiente e segurança

Com a entrada em operação do Soberano e da Hyper-cam Mini XLW, órgãos ambientais poderão ter acesso a diagnósticos quase em tempo real de frentes de desmatamento na Amazônia, no Cerrado e em outros biomas, com maior precisão na delimitação de áreas degradadas e na identificação de responsáveis.

Na mineração ilegal, o cruzamento de imagens de alta resolução com dados hiperespectrais tende a expor rapidamente garimpos clandestinos, estradas e pistas abertas na mata, além de rastrear danos em rios e nas margens. A informação qualificada aumenta a possibilidade de operações pontuais e bem direcionadas, reduzindo custos e elevando o risco para quem atua na ilegalidade.

Na área de defesa, o Exército, por meio da Direção-Geral dos Serviços Geográficos, ganha um instrumento mais robusto para vigilância de fronteiras, acompanhamento de obras de infraestrutura sensíveis e apoio ao planejamento estratégico territorial. Já as defesas civis estaduais e municipais poderão incorporar cenários gerados por IA em seus planos de contingência.

Pesquisadores avaliam que a iniciativa fortalece a soberania tecnológica do país em um campo considerado crítico: o domínio dos próprios dados geográficos. A parceria entre UFMG, IME, Exército e Finep indica um alinhamento raro entre academia, setor militar e agências de fomento em torno de uma agenda comum de inovação, meio ambiente e segurança nacional.

Nos próximos meses, a expectativa é de que as equipes consolidem fluxos de operação, treinem novos especialistas e comecem a expandir o uso das ferramentas para outras regiões e projetos, abrindo caminho para uma nova geração de serviços públicos baseados em dados geoespaciais de alta qualidade.