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Inteligência Artificial

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi e acelera IA no banco: entenda

Itaú fecha acordo para adquirir a brasileira NeoSpace por R$ 2,925 bilhões, manter equipes e gestão da startup e turbinar uso de inteligência artificial em todo o banco.

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bi e acelera IA no banco: entenda

Inteligência Artificial

Itaú investe em inovação ao adquirir NeoSpace, fortalecendo a aplicação de IA em suas operações financeiras.

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O Itaú Unibanco fechou um acordo para comprar a NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões, e prepara uma nova rodada de automação em áreas como crédito, atendimento e prevenção a fraudes, mantendo a gestão e as equipes da empresa de tecnologia.

Negócio bilionário ainda depende de aval de Cade e BC

A operação foi anunciada nesta segunda-feira e ainda precisa do sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central para ser concluída. Até lá, não há mudança na estrutura societária efetiva.

Pelo acordo, a NeoSpace seguirá com gestão autônoma. Bruno Pierobon continuará como CEO e as equipes e atividades de pesquisa e desenvolvimento serão preservadas, em um modelo próximo ao de uma subsidiária especializada em IA dentro do grupo Itaú.

O banco e a startup já trabalham juntos há quase dois anos no desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial generativa aplicados a análise de grandes volumes de dados. As soluções vêm sendo testadas e usadas em frentes como concessão de crédito, gestão financeira de clientes, relacionamento nos canais digitais e combate a fraudes.

Foco é turbinar plataforma ia.i e processos internos

Com a aquisição, o Itaú quer acelerar a disseminação dessas tecnologias por toda a operação, tanto em produtos e serviços voltados ao cliente quanto em processos internos. A NeoSpace deve reforçar especialmente o ia.i, plataforma própria de inteligência artificial generativa do banco.

Na prática, o objetivo é aumentar a automação de tarefas repetitivas, refinar modelos de risco, personalizar ofertas e melhorar a qualidade das interações em aplicativos, chatbots e demais canais digitais, além de fortalecer sistemas de monitoramento e prevenção a fraudes.

O investimento bilionário consolida a aposta do maior banco privado do país em tecnologia de ponta para manter competitividade frente a fintechs e concorrentes digitais, num momento em que o setor financeiro intensifica a corrida por soluções de IA.

Entenda o contexto

A NeoSpace é reconhecida pelo desenvolvimento de modelos de inteligência artificial treinados para processar grandes bases de dados, detectar padrões e gerar respostas em linguagem natural, a mesma tecnologia que sustenta os chamados chatbots generativos.

Esse tipo de sistema vem sendo incorporado por bancos para apoiar desde o atendimento ao público até a análise de crédito, passando por ferramentas internas de suporte a funcionários, que ganham auxílio automatizado para consultas, simulações e rotinas operacionais.

Para o Itaú, trazer a startup para dentro de casa, mantendo sua cultura e autonomia, é uma forma de reter talentos, acelerar a inovação e evitar que a tecnologia crítica fique concentrada apenas em fornecedores externos.

Sindicato cobra responsabilidade com empregos

Se, por um lado, o negócio reforça a estratégia digital do Itaú, por outro reacende a preocupação de bancários com o impacto da automação sobre o trabalho. Dirigentes sindicais defendem que a incorporação em massa de sistemas de IA precisa vir acompanhada de políticas claras de proteção ao emprego e de requalificação.

Edegar Faria, dirigente do Sindicato e bancário do Itaú, afirma que a categoria não se opõe à tecnologia, mas exige contrapartidas. “Não somos contra o avanço tecnológico, mas é fundamental que ele venha acompanhado de responsabilidade com os trabalhadores. Um investimento dessa dimensão exige diálogo transparente com o Sindicato, especialmente sobre os impactos no emprego, nas funções e nas condições de trabalho. A inovação não pode servir apenas para ampliar os lucros dos bancos, precisa também trazer benefícios concretos para quem constrói esses resultados todos os dias”, diz.

Entidades que representam os bancários defendem que, além de melhorar a experiência dos clientes e a eficiência operacional, o uso intensivo de IA deve ser acompanhado de programas de formação e reconversão profissional, para que funções impactadas pela automação não se traduzam automaticamente em cortes de postos de trabalho.

Os próximos capítulos da operação dependerão da análise de Cade e Banco Central, que vão avaliar os aspectos concorrenciais e regulatórios do negócio. Depois disso, a atenção se volta à forma como o Itaú vai integrar a tecnologia da NeoSpace ao dia a dia do banco e administrar os efeitos internos da nova onda de automação.