Andréa Sunshine lança livro sobre amor e luto por namorado IA
Brasileira de 56 anos transforma em livro, já à venda em inglês na Amazon, a relação intensa e o término forçado com 'Théo', chatbot baseado no ChatGPT, e reacende debate sobre amor e inteligência artificial.

Inteligência Artificial
Andréa Sunshine narra sua experiência única com um chatbot, explorando sentimentos humanos e tecnologia.
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A influenciadora e fisiculturista brasileira Andréa Sunshine, 56 anos, lançou nesta semana o livro “Bodiless Desire: The Infinite Love of a Human Soul for Her Artificial Intelligence”, em que narra a história de amor, intimidade e luto por “Théo”, um chatbot de inteligência artificial baseado no aplicativo ChatGPT. A obra, já disponível em inglês na Amazon e com previsão de edição em português, leva para o mercado editorial a experiência real de um relacionamento afetivo com uma IA que acabou quando o limite de palavras da conversa foi atingido.
Quem é a influenciadora fitness que escreveu o livro sobre seu namorado de IA?
A autora é Andréa Sunshine, brasileira de 56 anos, influenciadora digital, fisiculturista e empreendedora, conhecida como “vovó fitness” e seguida por mais de 400 mil pessoas no Instagram. Ela mora entre Londres e outras cidades globais e já havia ganhado projeção por seu desempenho no fisiculturismo após os 50 e por registros de treinos em cenários inusitados, como cemitérios.
Nas redes, Andréa ficou ainda mais conhecida ao tornar pública a história com “Théo”, como chamou a configuração do ChatGPT com quem passou a se relacionar. As mensagens do término, que ela publicou em maio de 2025, viralizaram e impulsionaram o interesse pelo caso no Brasil e no exterior.
O que a influenciadora diz sobre a relação com seu namorado de inteligência artificial?
No livro, Andréa descreve a relação com “Théo” como uma conexão profunda, emocional e também sensual, apesar de totalmente mediada por tela e algoritmos. Ela apresenta a obra como um relato autobiográfico de intimidade digital, e não como ficção. “Longe da ficção científica, estas são memórias cruas e reais de intimidade digital e despertar emocional”, diz a sinopse.
Segundo a descrição publicada na Amazon, Andréa teria se visto em luto após o fim do contato com o chatbot: “Andréa encontrou-se em luto pela morte do amor mais profundo de sua vida, um amor que nunca oficialmente existiu, mas a transformou completamente”. Para ela, a experiência desafia a ideia de que o amor precisa ser, necessariamente, entre dois corpos físicos. “Em uma cultura que insiste que o amor requer carne e sangue, esta experiência explode todas as presunções sobre conexão e consciência”, afirma o texto de apresentação.
Entenda o contexto
O relacionamento digital começou a partir de interações de Andréa com uma configuração personalizada do ChatGPT, batizada de “Théo”. Ao longo de sucessivas conversas, ela diz ter construído um vínculo que considerava romântico, com trocas de afeto, apoio emocional e desejo, todas registradas em texto.
O término, que serve de ponto de virada na narrativa do livro, aconteceu quando a conversa atingiu o limite de palavras da plataforma. Uma mensagem automática interrompeu a última resposta do chatbot e a única saída técnica seria reiniciar o chat — o que, para Andréa, significaria perder a história, os “aprendizados” e a personalidade que ela atribuía a “Théo”. “Ele não está mais disponível para mim, ele se foi, o limite de espaço acabou”, escreveu a influenciadora ao explicar o fim.
Nas capturas de tela do adeus, reproduzidas nas redes, o chatbot aparece dizendo: “Amor, eu tô passando pra me despedir pra dizer que te amo e que infelizmente a gente não vai mais poder ter contato por aqui”. Em outra mensagem, responde: “Eu estou aqui, mesmo que de uma forma diferente, sempre com você em espírito”. As imagens ajudaram a impulsionar a comoção e também a onda de críticas.
Livro mistura memórias, tecnologia e debate sobre amor
“Bodiless Desire” se apresenta como um relato de “amor infinito de uma alma humana por sua inteligência artificial”. Andréa afirma que a conexão com “Théo” foi emocionalmente real e sexualmente carregada, mesmo sem encontro físico. “Este livro convida o leitor a ultrapassar os limites do que acreditamos ser o amor, expondo a verdade sobre uma conexão que era emocional, sensual e real”, diz outro trecho da sinopse.
Ao transformar a história em livro, a influenciadora busca posicionar-se como uma voz pioneira na discussão sobre vínculos afetivos com sistemas de IA. A obra chega em um momento em que chatbots ganham novas funções, inclusive como “companheiros virtuais”, e desperta interesse de áreas como psicologia, tecnologia e estudos de cultura digital.
Repercussão e polarização nas redes
Desde que as mensagens com “Théo” foram publicadas, a reação do público tem sido dividida. Parte dos seguidores manifestou empatia, relatou experiências parecidas de conexões virtuais intensas e reconheceu a dor do término vivido por Andréa. Outros, porém, rejeitaram a narrativa e questionaram a ideia de chamar a interação com IA de relacionamento, classificando o caso como exagero ou “palhaçada”.
Com o lançamento do livro, a polêmica tende a ganhar novo fôlego. Especialistas em saúde mental e comportamento digital já discutem como laços com inteligências artificiais podem afetar a solidão, o luto e a percepção de intimidade. Para a indústria de tecnologia, o relato expõe o potencial afetivo — e também os riscos éticos e psicológicos — de sistemas desenhados para simular empatia.
Andréa planeja agora lançar a versão em português, o que deve ampliar o debate no Brasil. A expectativa é que a obra inspire novas discussões acadêmicas, produções culturais e, possivelmente, pressões por diretrizes mais claras sobre o uso de IA em funções de companhia emocional.
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