Netanyahu segue interino após eleição sem maioria em Israel
Bloco de direita liderado por Netanyahu faz 53 cadeiras, oposição fica com 48 e partidos árabes batem recorde com 19. Fragmentação trava formação de governo em Israel.

Política Internacional
Sem maioria clara, Netanyahu mantém cargo interino enquanto negociações para governo continuam em Israel.
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As eleições parlamentares em Israel deixaram o Knesset ainda mais fragmentado e mantêm Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro interino, depois que seu bloco de direita conquistou 53 cadeiras, número insuficiente para formar maioria sem alianças amplas em um cenário de forte rejeição a pactos com partidos árabes.
Parlamento dividido e árabes em nível recorde
Com cerca de 86% dos votos apurados, as projeções indicam que o bloco liderado por Netanyahu, à frente do Likud, terá 53 dos 120 assentos do Parlamento. A oposição, comandada por Gadi Eisenkot, soma 48 cadeiras. Os partidos árabes israelenses chegam a 19 assentos, o maior número já registrado e suficientes para torná-los fiéis da balança nas negociações.
Para que um governo seja formado, é preciso reunir ao menos 61 parlamentares em uma coalizão. Nenhum dos lados alcançou sozinho esse patamar, e lideranças judaicas rejeitam, em grande parte, a possibilidade de integrar os partidos árabes a um governo, o que estreita as alternativas da oposição e complica também o tabuleiro para Netanyahu.
Enquanto não há acordo, Netanyahu permanece interinamente no cargo de primeiro-ministro. Caberá ao presidente de Israel ouvir as legendas e indicar quem, na avaliação da chefia de Estado, tem mais chance de costurar uma maioria mínima para governar.
Entenda o contexto
A votação marcou o primeiro pleito nacional desde os ataques de 7 de outubro e o início da guerra em Gaza, pano de fundo que acentuou divisões internas sobre segurança, relação com palestinos e prioridades econômicas. Em Israel, o eleitor vota em partidos, não em candidatos individuais, para compor os 120 assentos do Knesset. Depois de divulgado o resultado, o presidente consulta as siglas e escolhe o líder com maior potencial de formar uma coalizão. Esse líder assume como primeiro-ministro assim que sua aliança e o programa de governo forem aprovados pelo Parlamento.
Nesta eleição, os dois grandes blocos apresentaram projetos antagônicos para o país, tanto na condução da guerra quanto em temas como reforma do Judiciário e políticas sociais, o que torna ainda mais difícil uma aliança ampla e estável.
Acusações de interferência externa e ação do Shin Bet
Derrotado na busca por uma maioria clara, o Likud elevou a tensão política ao apontar suspeitas de interferência estrangeira, sem apresentar provas. Segundo o partido, “o Catar e a Turquia financiaram ações para influenciar o voto em comunidades árabes”.
Diante das denúncias, o presidente do Comitê Central de Eleições, juiz Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet, serviço de segurança interna, abra investigação sobre “suspeitas de financiamento estrangeiro e suborno eleitoral”. A apuração, realizada em cooperação com a polícia, tem prazo de uma semana para ser concluída e ocorre sob supervisão direta do órgão eleitoral.
O chefe do Shin Bet, David Zini, afirmou até o momento que “a votação transcorreu sem anormalidades”. A polícia israelense também não identificou indícios de fraude, mas segue colaborando com as verificações sobre eventual uso de dinheiro externo em campanhas direcionadas ao eleitorado árabe.
Negociações e risco de nova eleição
Sem um vencedor com maioria e com os árabes fortalecidos, as conversas para a formação de governo começam em clima de desconfiança e pressão. A oposição de Eisenkot precisa do apoio dos partidos árabes para chegar a 61 cadeiras, mas enfrenta resistência pública de lideranças judaicas, inclusive em legendas de centro.
Netanyahu, por sua vez, tenta preservar o bloco de 53 parlamentares e buscar parceiros menores, mas também esbarra na aritmética apertada e no desgaste político após anos no poder e meses de guerra. A possibilidade de um governo de unidade mais amplo, que reúna setores hoje rivais, aparece nas análises, mas sem sinais concretos de avanço.
Se nenhuma fórmula de coalizão prosperar nas próximas rodadas conduzidas pelo presidente, o país poderá ser novamente convocado às urnas em 2027, prolongando a paralisia legislativa em um momento de incerteza econômica, tensão militar em Gaza e pressão internacional sobre a política israelense.


