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Votos antecipados batem recorde nas midterms dos EUA

Eleições de meio de mandato dos EUA já têm 47,9 milhões de votos antecipados, com vantagem democrata nessa etapa e alta participação em estados decisivos para o Senado.

Votos antecipados batem recorde nas midterms dos EUA

Eleições EUA

Recorde de votos antecipados nas eleições de meio de mandato mostra alta participação e vantagem democrata em estados-chave.

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos já somam 47.922.669 votos antecipados até sexta-feira (30), superando o recorde anterior e abrindo vantagem inicial para os democratas em estados decisivos para o Senado, a quatro dias da votação oficial marcada para terça-feira (3).

Democratas saem na frente na votação antecipada

Dados compilados pelo Election Lab, da Universidade da Flórida, indicam que os democratas representam cerca de 44% dos eleitores que já votaram, contra 31% de republicanos e 25% de eleitores sem filiação partidária ou ligados a partidos menores. O volume total de votos antecipados já supera o patamar de 45,9 milhões registrado no último ciclo de midterms.

A votação antecipada, feita presencialmente ou pelo correio, tem sido puxada por estados onde a disputa pelo Senado é mais apertada e pode definir o controle da Casa pelos próximos dois anos. Especialistas destacam que campanhas de ambos os partidos intensificaram o esforço para levar apoiadores às urnas antes do dia oficial, aproveitando regras mais amplas para voto antecipado em várias regiões.

Apesar da vantagem numérica democrata nessa etapa, analistas lembram que os republicanos costumam ter presença mais forte no dia da eleição, o que mantém o cenário indefinido. Além disso, a filiação partidária registrada pelo eleitor não revela necessariamente em quem ele votou.

Estados decisivos registram salto na participação

No Texas, onde o democrata James Talarico tenta encerrar cerca de três décadas de domínio republicano na disputa pelo Senado, mais de 6 milhões de votos antecipados foram registrados até quarta-feira (28). Segundo dados oficiais, a votação presencial antecipada no estado está cerca de 50% acima do nível observado no mesmo período do último ciclo.

Carolina do Norte e Carolina do Sul também registram crescimento expressivo na ida antecipada às urnas, em meio a campanhas intensas para o Senado e para a Câmara. No Kansas, onde o senador republicano Roger Marshall enfrenta uma disputa considerada difícil, o número de votos antecipados na última semana foi aproximadamente dois terços maior que o contabilizado no ciclo anterior.

O avanço da participação nesses estados reflete o peso que o Senado terá na definição da agenda política em temas como economia, imigração, direitos civis e política externa. Com milhões de eleitores já tendo votado, campanhas ajustam estratégias finais para focar indecisos e garantir comparecimento no dia 3.

Entenda o contexto

As midterms renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, além de definirem governadores e assembleias estaduais em boa parte do país. Em ciclos recentes, o voto antecipado e por correio cresceu de forma consistente, impulsionado tanto por conveniência quanto por disputas cada vez mais polarizadas.

No último ciclo, 226 milhões de americanos estavam registrados para votar. O patamar atual de quase 48 milhões de votos antecipados indica um eleitorado altamente mobilizado, mas não garante, por si só, uma participação total maior: parte desses votantes apenas migrou do dia oficial para as janelas antecipadas.

Organizadores eleitorais e campanhas precisam lidar com uma logística mais complexa, que inclui processamento de cédulas enviadas pelo correio, segurança na custódia dos votos e planejamento de comunicação política para um eleitorado que já começa a decidir semanas antes do dia da eleição.

Papa Leão XIV vota e faz história

Entre os milhões de eleitores que já participaram das midterms está o papa Leão XIV, cidadão americano nascido em Chicago, Illinois. Ele enviou sua cédula pelo correio para a cidade natal, tornando-se o primeiro pontífice a votar em uma eleição.

Em nota, o serviço de imprensa do Vaticano informou que o papa “exerceu seu direito de voto como cidadão dos Estados Unidos, como faz sempre que tem oportunidade”. Leão XIV mantém a cidadania americana e, pelas leis eleitorais dos EUA, pode participar normalmente das eleições enquanto cumprir os requisitos de registro no estado onde está alistado.

O gesto tem forte carga simbólica em um país onde a participação eleitoral costuma variar bastante entre grupos sociais. A mobilização recorde inclui, segundo dados de estados que divulgam recortes por raça e etnia, aumento na presença de eleitores negros e hispânicos, segmentos que em geral enfrentam barreiras maiores de acesso às urnas.

Resultado segue imprevisível

Especialistas em eleições ressaltam que a vantagem dos democratas na votação antecipada não permite cravar um desfecho para as midterms. Além do peso do voto presencial no dia 3, há a parcela de 25% dos votantes antecipados que não tem filiação partidária declarada ou está ligada a legendas menores — grupo que pode pender para qualquer lado.

Campanhas democratas celebram o engajamento inicial, mas falam em otimismo cauteloso e reforçam o apelo para que simpatizantes não relaxem no dia da eleição. Republicanos, por sua vez, apostam em forte mobilização de última hora e em sua tradição de comparecimento mais concentrado na data oficial para reduzir ou reverter a vantagem vista no voto antecipado.

Com a votação oficial se aproximando, autoridades eleitorais se preparam para uma apuração complexa, especialmente em estados que só começam a processar cédulas enviadas pelo correio no próprio dia da eleição. O ritmo da contagem pode influenciar a percepção pública sobre quem está na frente e, em última instância, o grau de confiança no resultado final.

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