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Inteligência Artificial

Agems testa pedágio sem cancelas e pesagem em movimento na China

Agems cumpre missão técnica de oito dias na China para conhecer pedágio sem cancelas, pesagem em movimento e sistemas de IA, de olho nas rodovias concedidas em Mato Grosso do Sul.

Agems testa pedágio sem cancelas e pesagem em movimento na China

Inteligência Artificial

Agems explora tecnologias avançadas na China para modernizar pedágios e pesagem em rodovias de Mato Grosso do Sul.

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A Agems está na China em uma missão técnica de oito dias para conhecer de perto pedágio sem cancelas, pesagem de caminhões em movimento e sistemas de inteligência artificial que podem mudar a forma como Mato Grosso do Sul regula e fiscaliza cerca de 1.500 quilômetros de rodovias concedidas.

Agems mira free flow e IA para modernizar fiscalização

A comitiva cumpre agenda em Pequim e Chengdu, com visitas a centros de comando viário, complexos logísticos em operação e fabricantes de equipamentos. Representam a agência a diretora de Transportes, Rodovias, Ferrovias, Portos e Aeroportos, Caroline Tomanquevez, e o coordenador da Câmara Técnica de Rodovias e Ferrovias, Vinícius Echeverria Brites.

Entre as principais tecnologias avaliadas estão o sistema de pedágio em fluxo livre, conhecido como free flow, que permite a cobrança sem praças físicas e sem necessidade de reduzir a velocidade, e a pesagem em movimento, que mede o peso dos veículos com sensores na pista, sem parada. Plataformas de inteligência artificial para monitorar o tráfego em tempo real, automatizar a fiscalização e organizar grandes volumes de dados também fazem parte do roteiro.

Caroline resume o objetivo da viagem como uma etapa técnica para preparar a regulação do Estado para esse novo patamar tecnológico. “Nossa missão aqui é puramente técnica: absorver metodologias de ponta, como a supervisão multimodal e sistemas inteligentes de transporte, para qualificar ainda mais o nosso ambiente regulatório e apoiar a implantação de inovações como o free flow e sistemas de pesagem em movimento”, afirma.

Entenda o contexto

A Agems é responsável pela regulação e fiscalização de rodovias como a MS-306, o sistema formado pela MS-112, BR-158 e BR-436 e a chamada Rota da Celulose, cuja frota operacional começa a atuar em 5 de novembro. Além de acompanhar as condições das estradas, a agência analisa tarifas de pedágio e cobra o cumprimento de contratos das concessionárias.

Com a chegada de novas concessões e o aumento do fluxo de cargas, especialmente ligado ao agronegócio e à indústria de celulose, o Estado busca soluções que reduzam gargalos, aumentem a segurança e gerem mais transparência na cobrança de tarifas e no desempenho das empresas.

Na prática, o pedágio sem cancelas e a pesagem em movimento prometem eliminar filas em praças tradicionais, reduzir o tempo de viagem, diminuir custos operacionais das concessionárias e permitir uma fiscalização mais precisa de excesso de peso, um dos principais fatores de desgaste do pavimento e de risco nas estradas.

Visitas na China e parceria tecnológica

A agenda inclui visita à YXY (Beijing Yunxingyu Traffic Technology Co., Ltd.), estatal do grupo BCHD responsável pela construção, operação e tecnologia da malha de rodovias expressas de Pequim. A empresa oferece soluções integradas de monitoramento digital, pesagem em movimento e cobrança de pedágio em fluxo livre, com forte uso de câmeras, sensores e análise de dados.

A missão é coordenada pela AstraMobi Engenharia em parceria com a YXY e também reúne representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres, da Secretaria de Infraestrutura, da agência reguladora de Minas Gerais e da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias. A presença desses atores indica um movimento articulado para levar as tecnologias testadas na China a diferentes estados e contratos no Brasil.

Ao longo dos oito dias, o grupo participa de painéis técnicos, demonstrações em centros de controle de tráfego e visitas a trechos de rodovias onde os sistemas já funcionam em escala comercial, o que permite avaliar desempenho, custos, modelos de cobrança e impactos para usuários e concessionárias.

Sandbox regulatório vai testar inovações nas rodovias

Para trazer essas soluções com segurança jurídica e critérios claros, a Agems prepara um sandbox regulatório, um ambiente experimental de regulação em parceria com uma concessionária fiscalizada pela agência e um grupo chinês de tecnologia.

Nesse modelo, novas ferramentas de transporte inteligente são testadas por um período determinado, sob regras específicas e monitoramento próximo do regulador, antes de uma adoção em larga escala. A ideia é validar na prática tecnologias como câmeras com leitura automática de placas, sistemas automatizados de cobrança e plataformas de análise de dados para acompanhamento dos contratos.

Segundo a diretora Caroline, o intercâmbio na China deve orientar a formatação desse sandbox, tanto na definição de indicadores de desempenho quanto na forma de compartilhar dados entre empresas e órgão regulador.

Benefícios esperados para usuários e concessionárias

Para o diretor-presidente da Agems, Carlos Alberto de Assis, a modernização tecnológica é um passo natural diante dos investimentos recentes na estrutura da agência e da expansão das concessões. “Temos feito investimentos importantes nos últimos anos na nossa estrutura e precisamos também conhecer e acompanhar as tecnologias utilizadas pelas concessionárias. Isso tudo resulta em benefícios ao usuário”, afirma.

Na avaliação da agência, a adoção de pedágio sem cancelas, pesagem em movimento e monitoramento com inteligência artificial deve tornar as viagens mais rápidas e seguras para motoristas, reduzir o desgaste dos veículos, diminuir custos operacionais das empresas e facilitar o controle de cumprimento de contratos.

Ao mesmo tempo, a transição tende a exigir adaptação de setores ligados à operação tradicional de praças de pedágio e fiscalização manual. A missão à China e o sandbox regulatório são vistos como etapas para calibrar essa mudança, acompanhar o desempenho das concessionárias e ajustar regras de forma a garantir que as inovações cheguem ao usuário com equilíbrio entre eficiência, transparência e qualidade do serviço.