IA amplia 25% vigilância no Pantanal e detecta fogo em 3 minutos
Câmeras com inteligência artificial e torres de observação já monitoram quase 2 milhões de hectares no Pantanal e detectam fumaça em até três minutos, a até 30 km.

Inteligência Artificial
Tecnologia revoluciona o monitoramento ambiental, aumentando a eficiência na detecção de incêndios no Pantanal.
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Equipes que atuam na preservação do Pantanal ampliaram em 25% a área vigiada contra incêndios com inteligência artificial, que agora alcança quase 2 milhões de hectares entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e permite detectar fumaça em até três minutos, dando mais rapidez ao combate ao fogo num ano em que os focos de queimadas dispararam.
IA vigia Serra do Amolar e áreas remotas
Há quatro anos, o bioma é monitorado por um sistema de câmeras de longo alcance integradas a inteligência artificial. A expansão recente inclui a instalação de um equipamento avançado na Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul, uma das regiões mais isoladas e sensíveis do Pantanal, acessível em muitos trechos apenas por barco.
Responsável pela tecnologia no Instituto Homem Pantaneiro (IHP), o analista Igor Souza explica que o desempenho da câmera depende da qualidade da imagem e do alcance do zoom. “A visão lá em cima precisa ser muito ampla e nítida para conseguir enxergar a fumaça diferente de todo ambiente. E, além disso, ela precisa ter um zoom muito potente. Porque a ideia é que ela localize a fumaça até 30 km de distância”, diz.
Em Mato Grosso, uma nova torre foi erguida para ampliar o campo de visão e dar estabilidade às câmeras. “Ela vai ter uma base estabilizadora, que a gente chama, que vão seis cabos nela, que é para poder estabilizar a torre para ela não ficar mexendo”, explica o operador de plataforma Edmilson Alves da Silva.
Como funciona o sistema Pantera
As imagens das torres chegam em tempo real à central de monitoramento do IHP em Corumbá, onde operadoras e operadores acompanham o cenário em grandes telas. O coração do sistema é o Pantera, uma tecnologia que usa inteligência artificial para identificar automaticamente sinais de fumaça no horizonte.
Segundo o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a combinação de câmeras e IA encurta o tempo entre o surgimento do foco e o alerta às equipes em campo. “Ele usa o que há de melhor e mais de ponta no mundo de tecnologia. São câmeras que têm grande alcance. Nós posicionamos elas em locais altos e elas agregam o sistema chamado Pantera, que trabalha com inteligência artificial, com a possibilidade de detecção do fogo no início, a partir do indicativo da fumaça, em três minutos. O que faz uma diferença significativa justamente na ação preventiva”, afirma.
Com a modernização da torre em Mato Grosso e a nova câmera em Mato Grosso do Sul, a área sob vigilância eletrônica passou de 1,5 milhão para quase 2 milhões de hectares. A cobertura inclui áreas remotas que concentram grande diversidade de fauna e flora.
Entenda o contexto
De janeiro a setembro deste ano, o fogo já atingiu 145 mil hectares do Pantanal, um aumento de 129% em relação ao mesmo período de 2025. A escalada das queimadas acontece em meio à combinação de seca mais severa, efeitos das mudanças climáticas e pressão de atividades humanas que usam fogo de forma irregular.
Nesse cenário, a detecção precoce é vista pelas equipes de preservação como a principal forma de evitar que pequenos focos se transformem em megaincêndios, difíceis de controlar e devastadores para o bioma e para as comunidades pantaneiras.
Proteção a área reconhecida pela Unesco
A Serra do Amolar é um dos alvos prioritários do monitoramento com inteligência artificial. A região abriga várias áreas protegidas, um parque nacional e tem reconhecimento internacional. “Especialmente na região do Amolar, onde nós temos várias áreas protegidas, um parque nacional e é um sítio do patrimônio natural da humanidade pela Unesco. Então, ela tem uma área de reconhecimento mundial pela sua importância, especialmente no que diz respeito à biodiversidade”, destaca Rabelo.
O reforço tecnológico ajuda a proteger espécies ameaçadas, atrai atenção para a necessidade de políticas públicas mais robustas e beneficia atividades como o turismo de natureza, que depende diretamente da conservação do Pantanal.
Para as próximas etapas, o IHP e as equipes parceiras apostam na expansão da rede de torres, na incorporação de novos recursos de inteligência artificial e na integração com órgãos públicos para resposta mais rápida em terra e por via aérea, num esforço contínuo para reduzir os danos ambientais num bioma sob pressão crescente.


