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Inteligência Artificial

Laser com IA da China promete acabar com mosquitos em segundos

A chinesa Photon Matrix começa a vender um aparelho de US$ 1.000 que usa inteligência artificial e laser Classe 4 para rastrear mosquitos em voo e queimar suas asas, levantando debate sobre segurança.

Laser com IA da China promete acabar com mosquitos em segundos

Inteligência Artificial

Novo dispositivo utiliza tecnologia avançada para eliminar mosquitos rapidamente, gerando discussões sobre seus riscos.

Leia também: Entrevistas de emprego exigem prova prática de uso de IA agora

A empresa chinesa Photon Matrix começou a vender um dispositivo de cerca de US$ 1.000, em Changzhou, que usa inteligência artificial e um laser Classe 4 para rastrear mosquitos em voo e queimar suas asas, prometendo aliviar o incômodo dos insetos sem pesticidas, mas abrindo um debate imediato sobre riscos de segurança.

Como funciona o laser caça-mosquito

Batizado de Laser Mosquito Air Defense System, o aparelho tem o tamanho aproximado de um tijolo e combina sensores e computação de alto desempenho para localizar e atingir os insetos. A base do sistema é a tecnologia lidar, que dispara 100 mil pulsos de laser fracos por segundo para mapear, em duas dimensões, a área à frente do equipamento e detectar objetos menores que uma ervilha, como os mosquitos.

Quando o software identifica um alvo e considera o disparo seguro, entra em ação o laser Classe 4, o nível mais potente dessa tecnologia, normalmente restrito a aplicações industriais. Cada disparo dura cerca de um centésimo de segundo, tempo que, segundo a Photon Matrix, é suficiente para queimar as asas dos mosquitos e derrubá-los.

Em demonstrações recentes na sede da empresa, em Changzhou, o dispositivo abatou mosquito após mosquito, sempre com um breve clarão azulado ou esverdeado e um estalo, enquanto os corpos dos insetos caiam ao chão com as asas destruídas. As pernas e o tronco permaneciam praticamente intactos, mas nenhum dos mosquitos conseguia voltar a voar.

De acordo com Wang Chuan, CEO e fundador da Photon Matrix, o efeito não é imediato em termos de morte. “Os insetos que perdem as asas podem levar horas ou até dias para morrer, permanecendo no chão com leves espasmos”, afirmou.

Camadas de proteção e teste de segurança

O uso de um laser Classe 4 dentro de casas e estabelecimentos levanta preocupação porque esse tipo de feixe pode causar lesões irreversíveis na retina em menos de um segundo. A Photon Matrix afirma ter construído o produto em torno de múltiplas barreiras de segurança físicas e digitais para reduzir esse risco.

Uma câmera com IA reconhece pessoas, animais domésticos e superfícies reflexivas — como espelhos ou azulejos brilhantes — e bloqueia automaticamente o disparo se detectar algo que possa ser atingido ou desviar o feixe. Um sistema infravermelho garante que essa vigilância funcione também à noite, e um radar independente monitora o caminho do laser, cancelando o tiro caso haja movimento de pessoas ou bichos na linha de fogo, mesmo no escuro total.

Além disso, o equipamento só é liberado após o comprador passar por um teste de segurança com 15 perguntas sobre uso adequado e cenários de risco. Um dos itens questiona, por exemplo, qual ambiente é menos indicado para a instalação; a resposta correta é o banheiro, por causa da umidade, do espaço pequeno e das muitas superfícies reflexivas. Apenas quem acerta todas as respostas pode cadastrar a própria impressão digital e ativar o aparelho.

Especialista em segurança de lasers e um dos formuladores de normas internacionais para equipamentos de pesquisa, Ken Barat avalia que a estratégia vai na direção certa. “As múltiplas camadas de proteção da Photon Matrix podem tornar o aparelho seguro”, disse. Ele ressalva, porém, que “um laser Classe 4 projetado para focar em algo tão pequeno quanto um mosquito concentra muita energia em um espaço reduzido”, o que exige respeito rigoroso aos protocolos de uso.

Entenda o contexto

O lançamento da Photon Matrix mira um problema cotidiano que é também de saúde pública: o impacto dos mosquitos na qualidade de vida e na transmissão de doenças. A aposta da empresa é oferecer uma alternativa tecnológica ao uso de inseticidas químicos, com ação localizada, automatizada e contínua em ambientes internos e, potencialmente, externos.

Segundo a companhia, o sistema já recebeu milhares de encomendas antecipadas e um parceiro industrial em Changzhou está preparado para iniciar a produção em massa. O preço anunciado, de aproximadamente US$ 1.000, coloca o aparelho no segmento de alto valor para residências, mas pode atrair também pousadas, restaurantes, condomínios e empresas que lidam com público em áreas infestadas.

A tecnologia, no entanto, ainda precisa passar pelo crivo regulatório. A Photon Matrix busca aprovação na China, na Europa e nos Estados Unidos. A expectativa interna é de liberação em breve no mercado chinês. Nos EUA, a venda depende de registro junto à agência reguladora de alimentos e medicamentos, que analisa a documentação submetida pelos fabricantes antes da autorização de comercialização.

Em paralelo, engenheiros da empresa já testam disparos ainda mais curtos, com a ideia de, no futuro, reduzir ainda mais o potencial de dano aos olhos humanos ao aproveitar a absorção natural de energia pela umidade da superfície ocular.

De controle de pragas a possível uso militar

Embora o foco atual seja o controle de mosquitos em casas e negócios, a Photon Matrix e especialistas ouvidos pela indústria de defesa veem espaço para derivar aplicações militares da tecnologia. Um sistema capaz de rastrear em tempo real e atingir um alvo tão pequeno quanto um mosquito poderia ser adaptado, por exemplo, para derrubar minidrones em cenários de conflito ou proteção de instalações sensíveis.

A ideia de usar lasers contra mosquitos não é nova, mas, até agora, iniciativas semelhantes não haviam chegado ao mercado em escala comercial. A diferença desta vez está na combinação de inteligência artificial, sensores baratos e capacidade de processamento em um produto de prateleira — e na disposição de reguladores em diferentes países de lidar com um equipamento doméstico que, para atingir um inseto, precisa literalmente apontar um feixe industrial para dentro da sala.

O ritmo de adoção deve depender da comprovação de eficácia em longo prazo, do histórico de segurança em campo e de como autoridades de saúde, órgãos reguladores e consumidores vão reagir à ideia de combater mosquitos com um canhão de laser controlado por IA.