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Inteligência Artificial

Saab testa IA que controla caça Gripen E em combate real hoje

Saab valida em voo, nesta terça (3), uma família de agentes de IA capaz de apoiar pilotos e operar aeronaves não tripuladas no caça Gripen E, em cenários complexos de combate.

Saab testa IA que controla caça Gripen E em combate real hoje

Inteligência Artificial

Saab realiza voo teste com agentes de IA para aprimorar operações do caça Gripen E em missões de combate.

Leia também: Van com IA caça buracos em rodovias da Austrália

A Saab validou em voo, nesta terça-feira (3), uma família de agentes de Inteligência Artificial para combate aéreo integrada ao caça Gripen E, em ensaios nos quais a IA chegou a controlar autonomamente a aeronave em cenários de combate além do alcance visual em espaço aéreo civil.

IA assume decisões táticas no Gripen E

O programa é conduzido pela unidade Advanced Programs, da divisão aeronáutica da Saab, e marca a primeira vez que esses agentes de IA projetados pela própria empresa são testados em um caça operacional, do conceito à execução em ambiente real. A tecnologia é tratada como parte do núcleo de sistemas críticos da próxima geração de aeronaves de combate.

Esses agentes de IA foram concebidos para atuar em dois modos principais: como apoio direto ao piloto, dentro do cockpit do Gripen E, e embarcados em plataformas aéreas não tripuladas, capazes de operar em conjunto com caças tripulados. Na prática, a mesma família de agentes pode tanto sugerir e executar manobras ao lado do piloto quanto comandar drones de combate em formações mistas.

Segundo a Saab, “os sistemas foram projetados para aprender, adaptar-se e colaborar com pilotos e operadores em tarefas de missão”. A empresa afirma que isso permite ampliar a capacidade tática em cenários complexos, em especial no combate além do alcance visual, onde o tempo para decidir e reagir é reduzido a segundos.

Treinados com milhões de horas de voo virtual

Todo o desenvolvimento dos agentes, dos ambientes de treinamento e das ferramentas de software foi feito internamente pela Saab. A base do programa é a AI Fighter Pilot Academy, uma infraestrutura dedicada à criação, ao treinamento e à avaliação de agentes de IA para aviação de combate.

Nessa academia virtual, os agentes acumulam milhões de horas de voo em simulações que reproduzem diferentes tipos de aeronaves, sensores, armas e adversários. Isso permite que a IA explore táticas e cadeias de decisão em escala muito maior do que o ciclo operacional de um piloto humano, sendo continuamente avaliada e ajustada com base em objetivos definidos.

A Saab destaca que a arquitetura da AI Fighter Pilot Academy é reutilizável e expansível, facilitando a inclusão de novos cenários de missão, capacidades e plataformas sem necessidade de reconstruir todo o ambiente de desenvolvimento. Com isso, a mesma infraestrutura pode ser usada para futuras gerações de caças, helicópteros ou veículos aéreos não tripulados.

Gripen E serve de laboratório em espaço aéreo civil

A validação em voo foi feita a bordo do Gripen E, que tem arquitetura definida por software, característica central para o ritmo do programa. “A arquitetura definida por software permite a integração rápida e o teste de novas tecnologias, inclusive em espaço aéreo civil, sem necessidade de aeronaves experimentais dedicadas”, afirma a Saab.

Ao dispensar um avião experimental exclusivo para testes, a empresa reduz o ciclo entre pesquisa, ensaio e transformação da tecnologia em capacidade de combate disponível para as forças aéreas. Isso também encurta o caminho entre o ambiente puramente simulado e a operação real, já em uma plataforma de linha.

Durante os ensaios, o agente de IA assumiu o controle do Gripen E em cenários de combate aéreo além do alcance visual, conhecidos pela sigla BVR (Beyond Visual Range). Essa foi a primeira capacidade dos agentes validada em voo real, concentrando-se em decisões táticas de engajamento e manobra quando o alvo ainda não está visível a olho nu.

Entenda o contexto

O avanço coloca a Saab em posição de destaque em uma tendência que deve redesenhar a aviação de combate nas próximas décadas: a integração profunda entre piloto e sistemas de IA em missões de alta complexidade. Ao comprovar que agentes treinados em simulação podem migrar com rapidez para o cockpit de um caça operacional, a empresa sinaliza que novas funções — como coordenação de enxames de drones, defesa eletrônica e planejamento dinâmico de rotas — podem seguir o mesmo caminho.

Para forças aéreas que já operam ou receberão o Gripen E, a expectativa é de ganho de eficácia em cenários onde o volume de informação supera a capacidade humana de análise em tempo real. Também abre espaço para rever doutrinas de emprego, combinando aeronaves tripuladas e não tripuladas em formações cooperativas.

Soberania tecnológica e segurança em foco

O desenvolvimento interno dos agentes de IA e da infraestrutura de treinamento é apontado pela Saab como um fator de soberania tecnológica. Ao controlar todo o ciclo — do código-fonte ao ambiente de simulação e à integração na aeronave — o fabricante mantém domínio sobre a operação, a verificação e a evolução contínua dos sistemas.

O programa conta com suporte da Sferical AI, iniciativa sueca voltada a prover capacidade computacional segura e em larga escala para projetos avançados de inteligência artificial. A plataforma serve de base para treinar e testar os agentes em grande volume, sem abrir mão de requisitos de confidencialidade típicos do setor de defesa.

A Saab afirma que a segurança foi tratada como requisito estrutural desde o início do projeto. “Requisitos de segurança e controle são integrados desde as fases iniciais do desenvolvimento dos agentes de IA para aeronaves de caça, como condição para confiabilidade em operação”, diz a empresa.

Com a validação em voo concluída, a tendência é que os agentes de IA sejam gradualmente expandidos para novas funções e outras plataformas, impulsionando uma corrida tecnológica entre fabricantes e governos e abrindo debates sobre regulação, ética e segurança cibernética no uso de IA em sistemas de armas.