Google lança Gemini no Brasil e investe R$ 5 mi em IA na educação
No Google for Brazil 2026, empresa lança Gemini em português, amplia presença de IA em seus produtos e destina mais de R$ 5 milhões ao programa Experience AI para formar professores e alunos.

Tecnologia
Google amplia uso de inteligência artificial na educação brasileira com novo lançamento e investimento significativo.
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O Google anunciou nesta semana, no evento Google for Brazil 2026, a chegada de novos produtos baseados em inteligência artificial ao país, com destaque para o assistente Gemini em português, e um investimento de mais de R$ 5 milhões em formação de professores e estudantes brasileiros em uso ético de IA. As novidades vêm num momento em que o velho hábito de “dar um Google” perde espaço para chatbots e redes sociais como forma rápida de tirar dúvidas.
O que está mudando na busca do Google com a integração da IA?
A principal mudança é que o Google Search passa a funcionar, cada vez mais, como um grande chatbot integrado à navegação, oferecendo respostas prontas em vez de apenas listas de links. Na prática, muitos usuários já enxergam o chamado “modo de IA” da busca como uma experiência de conversa, semelhante a ferramentas como o ChatGPT.
Segundo o VP do Google e diretor-geral no Brasil, “AI is changing the way people search for information, study, interact with businesses and explore new entertainment”. A empresa tem ajustado a interface do buscador para responder diretamente a perguntas, resumir conteúdos e sugerir ações seguintes, numa tentativa de manter relevância num cenário em que jovens preferem vídeos curtos de até 30 segundos no Instagram ou respostas em TikTok, Reddit e YouTube.
Esse movimento muda também o mercado de conteúdo e publicidade: sites que dependiam apenas de cliques vindos de resultados tradicionais podem ver queda de tráfego, enquanto ganha espaço quem produz informação pensada para ser compreendida e sintetizada por sistemas de IA ou em formatos visuais e rápidos.
O que substituiu a expressão ‘Google it’ na era da IA?
Vinte anos depois de “Google it” entrar oficialmente no vocabulário, a expressão vem sendo trocada por frases como “pergunta no chat” ou “ask Chat”, especialmente entre a geração Z. Na prática, muita gente recorre primeiro a chatbots de IA ou abre redes sociais para encontrar a resposta em segundos, em vez de digitar uma busca tradicional.
Essa mudança de linguagem acompanha uma virada de comportamento. Em conversas do dia a dia, quando alguém precisa confirmar um dado, buscar uma receita ou entender um passo a passo, a recomendação mais comum deixa de ser “procura no Google” e passa a ser “pergunta pro chat” — muitas vezes, porém, o caminho continua passando pelos serviços do próprio Google, agora com a camada de IA ativada.
O gesto de buscar informação continua, mas o atalho mudou: se antes o reflexo era abrir o buscador, agora cresce o hábito de iniciar uma conversa com um assistente inteligente ou ir direto a vídeos curtos com instruções visuais.
Como a decisão do Google afeta o uso da IA na educação no Brasil?
O anúncio de mais de R$ 5 milhões para a expansão do programa Experience AI coloca a educação no centro da estratégia de IA do Google no Brasil. O projeto, criado por Google DeepMind e Raspberry Pi Foundation e implementado localmente pela Sincroniza Educação, será ampliado para alcançar mais redes de ensino, oferecendo trilhas de aprendizagem para professores e estudantes.
“Through Google.org we announced over $1 million ($5 million reais) to expand the Experience AI program in Brazil”, afirmou o VP do Google e diretor-geral no país. A ideia é formar educadores para que entendam como a tecnologia funciona e consigam orientar alunos sobre uso seguro, responsável e crítico dessas ferramentas.
Na prática, escolas que abraçarem o programa passam a ter materiais, formações e orientações para incluir IA no currículo de forma planejada, sem depender apenas da iniciativa individual de cada professor ou de proibições genéricas ao uso de chatbots. O foco declarado é que a IA esteja a serviço do aprendizado, e não apenas como atalho para colar em tarefas.
Entenda o contexto
O Google reforça que continua ampliando sua presença de engenharia no Brasil e trazendo “nossos produtos e plataformas de IA mais avançados” para o mercado local. O assistente Gemini passa a atuar como espécie de “secretário digital” do usuário brasileiro, ajudando a organizar tarefas, resumir textos, revisar documentos e responder dúvidas em linguagem natural.
Ao mesmo tempo, o cenário global pressiona a empresa. Com o crescimento de serviços como ChatGPT e a popularização de buscas rápidas em redes sociais, o modelo clássico de busca por páginas e links é desafiado. A resposta do Google mistura duas frentes: de um lado, a reformulação da própria busca com IA; de outro, investimentos em capacitação para que a sociedade brasileira — em especial professores e jovens — aprenda a usar essa tecnologia com consciência.
Para empresas, produtores de conteúdo e o próprio sistema educacional, a mensagem é clara: a busca continua central na vida digital, mas o caminho até a resposta está em transformação acelerada. Quem adaptar linguagem, formatos e práticas pedagógicas a esse novo ambiente tende a ganhar espaço na rotina conectada dos brasileiros.

