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Inteligência Artificial

Investidores brasileiros dobram aposta em fundos de IA e cripto

Fundos ligados a criptomoedas já somam bilhões na Bolsa, enquanto um fundo de inteligência artificial dispara mais de 50% no ano. Movimento cresce em meio a perdas no pós-eleição e aumento do risco.

Investidores brasileiros dobram aposta em fundos de IA e cripto

Investimentos

Apostando em inovação, investidores ampliam exposição a fundos de IA e criptomoedas mesmo diante de riscos e volatilidade.

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Investidores brasileiros a partir dos 16 anos ampliam as apostas em tecnologias digitais na Bolsa, dividindo recursos entre fundos de criptomoedas já bilionários e fundos de inteligência artificial (IA) que vêm exibindo forte valorização, mesmo em um ambiente de maior risco no mercado financeiro após a eleição.

Onde os brasileiros estão investindo mais: em criptomoedas ou em inteligência artificial?

Hoje, as criptomoedas têm base mais consolidada nas carteiras, mas os fundos de inteligência artificial despontam como a frente de maior crescimento e rentabilidade recente.

Segundo pesquisa da Anbima, “moedas digitais, por exemplo, eram utilizadas por 4% dos brasileiros com 16 anos ou mais” no primeiro trimestre. Esse movimento já se reflete em produtos listados na Bolsa: um único fundo de criptomoedas negociado no mercado brasileiro somava R$ 2,77 bilhões em patrimônio em 28 de outubro, mostrando que, via fundos, o investimento em cripto atingiu escala bilionária no país.

Na outra ponta, os fundos de inteligência artificial ainda são um nicho, mas com desempenho que chama atenção. “Um fundo brasileiro dedicado à inteligência artificial divulgou valorização de 53,94%, entre janeiro e setembro de 2026, e de 64,88% nos 12 meses encerrados em setembro”, informa a própria gestora do produto. Os números não representam a média do setor, nem servem como garantia de ganhos futuros, mas ajudam a explicar o interesse pela estratégia.

Enquanto a cripto já aparece com presença comprovada na base de investidores, a IA surge como aposta em expansão, ligada ao avanço do uso da tecnologia em diferentes setores da economia.

Quais riscos os brasileiros consideram ao investir em criptomoedas e inteligência artificial?

O principal risco é a volatilidade, tanto dos ativos digitais quanto das ações de tecnologia, em um mercado que já sente os efeitos do pós-eleição.

No conjunto da indústria de fundos, “a indústria de fundos brasileira perdeu R$ 157,5 bilhões em patrimônio líquido, ou 1,44%, após a eleição”, com fundos de ações e multimercados concentrando as maiores perdas. Esse recuo reforça que mesmo estratégias da moda estão sujeitas a movimentos bruscos de correção.

No caso das criptomoedas, as oscilações de preço seguem sendo o ponto mais sensível. Mesmo quando o investidor compra cotas de um fundo que reúne várias moedas digitais, em vez de guardar cada uma diretamente, ele continua exposto às fortes variações do mercado cripto.

Já nos fundos de inteligência artificial, o risco está ligado principalmente ao desempenho das empresas ligadas à tecnologia. Esses produtos investem em fabricantes de chips, fornecedores de equipamentos, centros de processamento de dados e desenvolvedores de softwares e serviços. Se as receitas dessas companhias não acompanharem as expectativas atuais, os preços das ações podem ceder. O debate internacional sobre a possibilidade de uma “bolha da IA” também pesa na percepção de risco.

Entenda o contexto

Os dois tipos de fundo respondem à mesma motivação: participar financeiramente da transformação econômica puxada pelas tecnologias digitais, sem que o investidor precise escolher uma criptomoeda específica ou confiar o dinheiro a um robô que decide tudo sozinho.

Nos fundos de criptomoedas, a gestão profissional monta uma seleção de ativos digitais e negocia em nome dos cotistas, facilitando a entrada de quem não quer lidar com carteiras digitais ou plataformas especializadas. Já os fundos de IA permitem acessar uma cadeia ampla de negócios — das fábricas de chips aos grandes centros de dados — em vez de comprar isoladamente ações de uma ou duas empresas de tecnologia.

O retrato atual mostra uma convivência entre as duas frentes: de um lado, a cripto com presença mensurável e fundos que já reúnem bilhões de reais; de outro, a inteligência artificial como aposta promissora, ligada à expansão do uso da tecnologia e aos resultados expressivos de alguns produtos, em um mercado que, ao mesmo tempo, testa limites de retorno e de risco.