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Inteligência Artificial

TJSC lança assistente de IA no eproc que agiliza processos hoje

TJSC lança assistente institucional com inteligência artificial integrado ao eproc, capaz de consultar processos, pesquisar jurisprudência em linguagem natural e organizar tarefas em fluxos de trabalho.

TJSC lança assistente de IA no eproc que agiliza processos hoje

Inteligência Artificial

Nova ferramenta do TJSC otimiza consultas e organização de processos com tecnologia avançada.

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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) lançou na tarde desta terça-feira (3) um assistente institucional com inteligência artificial integrado ao sistema eletrônico de processos eproc, capaz de automatizar consultas a processos, pesquisar jurisprudência em linguagem natural e organizar tarefas complexas em fluxos de trabalho, com acesso controlado por permissões.

Ferramenta nasce de biblioteca de prompts e ganha chat integrado

Apresentado durante o evento “Jornadas de IA para uma Justiça mais Humana”, no prédio do TJSC, o assistente foi desenvolvido pela Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) e passou por uma evolução rápida dentro do tribunal. O que começou como uma biblioteca de prompts — uma base de comandos compartilhados entre usuários — virou um chat interativo que permite conversar com a IA para obter apoio direto nas rotinas judiciais.

O grande diferencial é a integração automatizada com o eproc. Em vez de o usuário precisar reunir e enviar manualmente petições, decisões ou outras peças, o sistema acessa, de forma segura, os dados dos processos aos quais aquele perfil já tem permissão. Assim, magistrados, servidores e demais usuários podem trabalhar com o conteúdo completo do processo em poucos cliques, sem duplicar tarefas.

O assistente também agrega um catálogo de habilidades, que reúne instruções e etapas de trabalho em uma única funcionalidade. Tarefas que exigiriam uma sequência extensa de comandos passam a ser executadas em um fluxo organizado, aumentando a precisão das respostas e padronizando rotinas em gabinetes e unidades judiciais.

Entenda o contexto

O lançamento ocorre em meio às comemorações pelos 135 anos do TJSC e se alinha à Resolução n. 615/25 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece regras para o uso responsável de inteligência artificial no Judiciário. O evento desta terça-feira foi organizado pela Academia Judicial, em parceria com a Microsoft, e incluiu palestras sobre ferramentas de IA aplicadas ao trabalho jurídico e sobre segurança de dados.

Antes da apresentação da ferramenta, feita pelos servidores Ernani Cesar dos Santos e Gregorio Camargo d’Ivanenko, especialistas convidados abordaram o uso de agentes de IA para aumentar a produtividade de gabinetes e a necessidade de reforçar a proteção contra ataques cibernéticos, em um cenário em que a própria IA passa a ser usada por criminosos.

Pesquisa em linguagem natural e apoio à fundamentação jurídica

Outra aposta do TJSC é a pesquisa de jurisprudência em linguagem natural. Com o assistente, o usuário pode formular dúvidas de forma mais próxima da fala do dia a dia, sem depender apenas de termos técnicos ou combinações rígidas de palavras-chave. A IA, então, localiza precedentes relacionados, apoiando a construção da fundamentação jurídica com mais rapidez.

Na prática, a funcionalidade tende a beneficiar gabinetes de desembargadores e servidores que lidam com grande volume de processos, reduzindo o tempo de pesquisa e permitindo que o foco se concentre na análise do caso concreto. A ferramenta foi construída para operar sempre dentro do ambiente institucional, respeitando regras de segurança, sigilo processual e limites de acesso.

“O desafio é como vamos utilizar a IA”

Coordenador do Comitê de Governança de Inteligência Artificial do TJSC, o desembargador Osmar Nunes Júnior reforçou que a discussão atual no Judiciário já não é se a IA será adotada, mas de que forma isso será feito. “O desafio não é mais saber se vamos ou não utilizar a IA, mas como vamos fazê-lo. O CNJ disciplinou, por meio da Resolução n. 615/25, os critérios de como aplicar a IA no Judiciário, e o nosso Tribunal tem seguido à risca todas as determinations”, afirmou.

Ele destacou que o objetivo é liberar tempo de magistrados e servidores para atividades de maior valor agregado. “Isso para que nós possamos ganhar tempo na nossa atividade para que, no fim, consigamos realmente fazer a nossa essência, que é a tomada de decisões e a análise crítica, além do atendimento acolhedor às pessoas. E essa Corte segue muito bem esse caminho”, disse.

Atualização contínua guiada por feedback

O diretor da DTI, Daniel Moro, explicou que o assistente foi pensado especificamente para o contexto do Judiciário catarinense e que a ferramenta está em evolução permanente. “O sistema é atualizado, se não diariamente, semanalmente. Quando vocês acessarem, a versão que vocês viram já terá evoluído. Evoluiu baseada nas necessidades de negócio e no feedback de cada um de vocês. O feedback é muito importante”, afirmou.

Segundo ele, a construção de soluções com IA depende da colaboração entre as áreas técnicas e as áreas de negócio. “Para construirmos soluções usando a IA, a gente precisa de várias mãos, do feedback contínuo, da conversa com as áreas do negócio, dos gabinetes, das comarcas e da parte técnica”, completou Moro. A estratégia do tribunal prevê monitoramento constante, criação de novas habilidades no catálogo e ajustes finos para aumentar a precisão das respostas.

Inovação com responsabilidade e foco em Justiça mais humana

Diretora-executiva da Academia Judicial, a desembargadora Vera Lúcia Ferreira Copetti ressaltou que a inteligência artificial já faz parte da rotina da Justiça e exige escolhas conscientes. “A inteligência artificial não pertence mais ao campo das possibilidades futuras. Ela já está presente e nos convida a pensar sobre como queremos incorporá-la ao cotidiano da Justiça”, afirmou.

Para ela, a experiência deste dia de debates mostrou que tecnologia não pode ser dissociada de critérios éticos e de governança. “As reflexões que foram compartilhadas, as informações que nos foram trazidas ao longo deste dia, mostram que inovação e responsabilidade são e devem ser indissociáveis. A ferramenta institucional de IA hoje lançada representa mais do que colocar uma nova tecnologia à disposição de todos nós. Ela é a construção de soluções pensadas a partir da realidade do Judiciário catarinense, orientada por critérios de governança, segurança e uso cauteloso”, declarou.

Com o lançamento, o TJSC reforça a posição de pioneiro na incorporação estruturada de IA no serviço público judicial estadual. Os próximos passos incluem ampliar treinamentos, acompanhar o impacto do assistente na tramitação de processos e aperfeiçoar mecanismos de segurança e privacidade, em linha com as diretrizes do CNJ.