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Inteligência Artificial

Apple limita uso diário da Siri com IA e cobra por acesso extra

Apple confirma que recursos avançados da Siri com IA terão cotas diárias e podem exigir pagamento extra, enquanto funções básicas seguem gratuitas nos aparelhos.

Inteligência Artificial

Apple estabelece limites diários para funcionalidades avançadas da Siri e introduz cobrança para uso além da cota.

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A Apple confirmou que a versão da Siri alimentada por inteligência artificial terá limites diários para o uso de recursos avançados, com cobrança extra para quem quiser ampliar o acesso. A mudança foi detalhada por executivos da empresa na teleconferência de resultados trimestrais realizada nesta terça-feira (3), em apresentação a partir de Cupertino.

Funções avançadas terão cotas e possível taxa extra

Na conferência, com participação do CEO John Ternus, do CFO Kevan Parekh e do COO Sabih Khan, a Apple explicou que a assistente combina processamento local com uso de servidores externos por meio do sistema Private Cloud Compute. Segundo a empresa, “muitos recursos seguirão gratuitos, especialmente os processados nos próprios dispositivos”.

Já as funções que dependem de modelos de IA hospedados na nuvem terão cotas de uso por dia. Em nota, a Apple afirmou que “funções que dependem de modelos hospedados na nuvem exigem custos extras que poderão ser repassados aos usuários”. A companhia não detalhou os valores nem o tamanho dessas cotas, mas deixou claro que, acima de determinado limite, o acesso a ferramentas avançadas poderá exigir pagamento adicional.

A própria Apple listou como exemplos de recursos sujeitos a cotas “edição avançada de imagens, geração de imagens, respostas para perguntas complexas e a execução de tarefas em aplicativos de terceiros terão cotas diárias de uso”. A empresa reforçou que o objetivo é equilibrar a oferta de recursos sofisticados com o custo elevado de processamento em nuvem, sem abrir mão da promessa de privacidade.

O que continua gratuito na Siri com inteligência artificial

A Siri com IA, lançada em setembro junto com a atualização para o iOS 17, foi desenhada para executar boa parte das tarefas diretamente em iPhones, iPads e Macs. Nessas situações, o uso permanece gratuito, dentro do padrão atual da assistente.

Entre as funções que continuam sem cobrança adicional estão pedidos para ajudar a escrever um e-mail, organizar um texto simples ou localizar um vídeo mencionado em uma conversa antiga, desde que a operação possa ser feita com processamento local. A Apple, porém, fez uma ressalva: “mesmo funcionalidades aparentemente simples não têm garantia de uso ilimitado na modalidade gratuita”, afirmando que a definição das cotas vai considerar a necessidade de recorrer à nuvem, a complexidade da tarefa e a quantidade de recursos computacionais usados.

Na prática, quem usa a Siri de forma mais pontual e para atividades cotidianas tende a continuar com a experiência atual, sem custo novo. Já usuários intensivos, que exploram geração de conteúdo, automações complexas e integrações com apps de terceiros, deverão se adaptar às cotas ou contratar um plano pago quando os detalhes forem anunciados.

Entenda o contexto

A nova estratégia para a Siri AI aparece em um momento em que a Apple acelera investimentos em inteligência artificial em todos os seus produtos. O modelo híbrido da assistente — parte no dispositivo, parte em nuvem — foi apresentado pela empresa como uma forma de preservar dados sensíveis, já que o Private Cloud Compute foi projetado para processar informações sem armazená-las de forma identificável.

Ao limitar o uso gratuito de recursos mais pesados e cobrar de quem precisa de volume maior, a Apple tenta conter os custos de data centers e, ao mesmo tempo, criar uma nova fonte de receita em serviços. O movimento tem impacto direto em desenvolvedores que usam a Siri para integrar seus aplicativos e em criadores de conteúdo que dependem de geração de imagens e automações, que podem rever o quanto se apoiam na assistente.

Custos de memória podem encarecer produtos

Além das mudanças na Siri, John Ternus chamou atenção para outro ponto na teleconferência: o impacto do encarecimento de componentes de memória nos custos da Apple. Segundo o executivo, “o custo cada vez maior das memórias pode resultar em uma nova alta de preços dos produtos da Apple”.

A sinalização reforça que a pressão de custos não se limita à infraestrutura em nuvem usada pela Siri AI, mas também aos próprios dispositivos que rodam os novos recursos de inteligência artificial. Se os preços de iPhones, iPads e Macs subirem, o acesso pleno às novidades da Siri pode ficar mais caro tanto pelo hardware quanto por eventuais assinaturas atreladas ao uso avançado da assistente.

A Apple ainda não divulgou quando os limites diários começarão a valer nem como serão estruturados os planos pagos. A empresa afirma que trará mais detalhes sobre cotas e cobrança à medida que a Siri com IA for ampliada para mais dispositivos e mercados.