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Economia

Ibovespa sobe 1,23% após 6 quedas com olhos no Copom hoje

Bolsa brasileira interrompe sequência de seis baixas e fecha em alta de 1,23%, aos 167.563 pontos, puxada por cenário externo mais favorável e balanço forte do Itaú, enquanto mercado aguarda decisão do Copom sobre a Selic.

Ibovespa sobe 1,23% após 6 quedas com olhos no Copom hoje

Mercado Financeiro

Ibovespa encerra sequência negativa impulsionado por cenário externo e resultados positivos do Itaú, com atenção à decisão do Copom.

Leia também: Economista dos EUA alerta risco fiscal no plano de Lara Resende

O Ibovespa subiu 1,23% e fechou aos 167.563 pontos nesta quarta-feira, interrompendo uma sequência de seis quedas seguidas, embalado pelo alívio vindo das eleições legislativas nos Estados Unidos, pela forte reação das bolsas internacionais e pelos balanços de Itaú Unibanco e BB Seguridade, enquanto investidores aguardam a decisão do Copom sobre a Selic prevista para as 18h30.

Vitória democrata nos EUA anima risco e derruba petróleo

No exterior, a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas retirou do Partido Republicano o controle da Câmara e do Senado e deve dificultar a agenda do presidente Donald Trump no restante do mandato. O resultado foi lido como fator de moderação no cenário geopolítico, em especial no conflito no Oriente Médio, e reduziu o prêmio de risco global.

O petróleo desabou perto de 9%, em meio à percepção de menor chance de escalada no conflito e de pressão adicional sobre a oferta. A queda derrubou ações de petroleiras no mundo e também no Brasil, limitando o fôlego do Ibovespa, com papéis da Petrobras entre as principais quedas do dia.

Ao mesmo tempo, o apetite por risco cresceu nas bolsas de Nova York e da Europa, que encerraram em alta, acompanhadas por recuo nos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano. A pesquisa ADP mostrou a criação de 86 mil vagas no setor privado dos EUA em outubro, dado visto como compatível com desaceleração moderada da economia, sem exigir aperto adicional de juros pelo banco central americano.

Para Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, o resultado nas urnas consolida um ambiente menos favorável a avanços da agenda de Trump. “O desfecho confirma as pesquisas que vinham apontando baixa aprovação do governo Trump, em meio às instabilidades geradas desde o início de seu segundo mandato, que incluem medidas tarifárias e os impactos da guerra contra o Irã nos preços dos combustíveis”, afirma.

O movimento externo, com petróleo e juros em queda, foi apontado por analistas como gatilho para a trégua na Bolsa brasileira. “Joga o petróleo e os juros para baixo. Talvez seja a notícia que o investidor precisava para respirar um pouco, mas acredito que é mais um respiro diante de um cenário desafiador no Brasil”, diz Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester.

Minério em alta leva Vale para cima; Petrobras pesa

Enquanto o petróleo caiu forte, o minério de ferro avançou 1,56% na bolsa de Dalian, na China, e deu suporte às ações de mineradoras e siderúrgicas. Papéis da Vale figuraram entre as maiores altas do Ibovespa, ajudando a puxar o índice para o campo positivo.

Do outro lado, a queda da commodity de energia pressionou o setor de óleo e gás. As ações da Petrobras recuaram com força, contaminando também outros nomes ligados ao segmento e impedindo uma recuperação ainda maior da Bolsa.

Na véspera, o Ibovespa havia fechado em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, acumulando seis pregões consecutivos de queda. O avanço desta quarta é visto por parte do mercado como correção técnica em uma tendência ainda frágil.

Balanços mexem com bancos e seguros

No noticiário corporativo, o Itaú Unibanco foi um dos destaques positivos. O banco reportou lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (RoE) de 23,6% na operação consolidada e de 24,5% no Brasil. Apesar de alguma deterioração nas receitas de serviços e seguros, os números foram bem recebidos e impulsionaram as ações do banco, que ajudaram a sustentar o Ibovespa.

Já a BB Seguridade divulgou queda de 5,1% no lucro, o que pesou sobre os papéis da companhia e trouxe ajustes no setor de seguros. Mesmo com esse freio, o efeito combinado de Itaú e de outras ações ligadas à melhora de humor global foi suficiente para garantir a alta do índice.

Entenda o contexto

A vitória democrata nos EUA tende a reduzir o risco de novos choques no preço do petróleo, elemento central para a inflação global. Com combustíveis mais baratos, diminui a pressão sobre índices de preços ao consumidor em várias economias, incluindo o Brasil, e isso abre espaço para juros mais baixos adiante.

Esse pano de fundo ajuda a explicar a melhora do humor nas bolsas internacionais e, por tabela, no mercado brasileiro, que vinha sofrendo com saídas de capital e preocupação crescente com o quadro fiscal doméstico após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O bom humor externo ajuda a equilibrar as tensões domésticas”, resume Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Segundo ela, investidores da B3 seguem atentos à falta de definição sobre a política econômica no novo mandato e ao comportamento das expectativas de inflação e juros.

O que esperar da decisão do Copom hoje?

O Copom anuncia no início da noite a nova decisão sobre a taxa Selic, em meio a um mercado dividido: de 75 casas consultadas, 39 apostam em corte de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano, enquanto 36 esperam manutenção em 13,75%.

Analistas relatam que, nas últimas semanas, aumentou a probabilidade de pausa no ciclo de cortes, diante da piora das condições financeiras e da percepção de risco doméstico maior. “A deterioração das condições financeiras, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação elevaram as apostas de manutenção da Selic em 13,75%, interrompendo temporariamente o ciclo de cortes”, afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

A decisão desta noite tende a ter impacto direto sobre ações de bancos, varejo, construção e outros setores sensíveis ao custo do crédito, além de influenciar o fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa e para a renda fixa.

No curto prazo, parte dos gestores vê a alta do Ibovespa como movimento ainda frágil e dependente do sinal que o Banco Central dará no comunicado pós-reunião. Mendes, da Manchester, destaca que o quadro interno continua limitando a tomada de risco. “Se a política do PT, pregada nas eleições, prevalecer no Lula 4, é Bolsa para baixo. A notícia dos Estados Unidos de hoje não é capaz de mudar a dinâmica da dívida pública brasileira”, afirma.

Com um ambiente externo momentaneamente mais leve e um cenário fiscal doméstico ainda nebuloso, o veredito do Copom sobre a Selic deve orientar os próximos passos da Bolsa brasileira, indicando se o rali desta quarta será apenas um suspiro técnico ou o início de uma correção mais firme após semanas de pressão.