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Inteligência Artificial

Microsoft encerra uso de nuvem de IA da Oracle com GPUs antigas

Microsoft desativa gradualmente o uso de servidores Oracle com GPUs Nvidia antigas para IA, revisa acordos com terceiros e acelera investimentos em chips e data centers próprios.

Microsoft encerra uso de nuvem de IA da Oracle com GPUs antigas

Inteligência Artificial

Microsoft substitui servidores Oracle com GPUs antigas por infraestrutura própria para acelerar avanços em IA.

Leia também: Falha bloqueia acesso a serviço de IA hoje; veja como agir

A Microsoft está encerrando gradualmente o uso da infraestrutura de nuvem da Oracle para projetos de inteligência artificial, ao deixar de alugar servidores equipados com chips Nvidia de gerações mais antigas que já não atendem às especificações técnicas exigidas pela empresa.

Microsoft aperta revisão de parcerias e data centers

A saída da nuvem da Oracle acontece em meio a uma revisão mais ampla das parcerias e dos gastos da Microsoft com infraestrutura de IA. A companhia passou a fiscalizar com mais rigor projetos de data centers de fornecedores conhecidos como neoclouds, como Nebius, IREN e Nscale, e vem se afastando de iniciativas consideradas arriscadas, enquanto discute novos contratos com esses prestadores.

A estratégia atual combina data centers próprios, imóveis alugados e acordos com terceiros, num esforço para equilibrar custo, desempenho e prazos de entrega de equipamentos. Em paralelo, a Microsoft investe no desenvolvimento de chips próprios para treinar e rodar modelos de IA, na tentativa de reduzir a dependência de fabricantes externos e de parceiros de nuvem concorrentes.

O apetite por capacidade de computação aparece nos números. No trimestre encerrado em setembro, os investimentos de capital da Microsoft, incluindo arrendamentos, somaram US$ 45,2 bilhões, impulsionados pela expansão da infraestrutura voltada a IA generativa e serviços em nuvem.

Oracle mantém demanda, mesmo com chips antigos

Enquanto perde um contrato relevante, a Oracle sustenta que a procura por sua infraestrutura de nuvem segue aquecida, inclusive para GPUs mais antigas. Na apresentação de resultados de setembro, o co-CEO Clay Magouyrk afirmou que a capacidade de GPUs com contratos renovados no trimestre foi recontratada com aumento de 20% nos preços, “a maioria desses chips tinha quatro anos ou mais”, disse o executivo.

Os dados divulgados pela companhia mostram um ciclo de forte expansão. No trimestre encerrado em agosto, a receita de infraestrutura de nuvem cresceu 121%, alcançando US$ 7,4 bilhões. Desde o fim desse período, a Oracle afirmou ter disponibilizado mais de 300 mil GPUs a clientes que treinam e operam sistemas de IA.

Para a empresa, a possibilidade de reajustar contratos de GPUs antigas em 20% indica que ainda há espaço no mercado para equipamentos considerados defasados por grandes clientes como a Microsoft, seja para cargas de trabalho menos críticas, seja como complemento a parques mais modernos.

Entenda o contexto

A relação entre Microsoft e Oracle em infraestrutura de IA é marcada pela combinação de concorrência e parceria. As duas companhias já haviam anunciado uma colaboração com a OpenAI para estender a plataforma de IA Azure à Oracle Cloud Infrastructure, oferecendo capacidade adicional de processamento à criadora do ChatGPT.

Esse tipo de arranjo mostra como grandes provedoras de nuvem podem, ao mesmo tempo, disputar clientes e comprar capacidade umas das outras, especialmente em um momento em que a demanda por GPUs de ponta supera a oferta e pressiona toda a cadeia de fornecimento.

Ao encerrar o uso dos servidores da Oracle com chips Nvidia de geração anterior, a Microsoft busca alinhar sua infraestrutura de IA ao topo do mercado, mas precisa acelerar a expansão de seus próprios data centers e consolidar parcerias consideradas mais estratégicas. Já a Oracle tenta capitalizar a demanda reprimida por processamento, inclusive com equipamentos mais antigos, para sustentar o ritmo de crescimento e financiar futuras atualizações tecnológicas.