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Brasil

Alckmin lidera lista para Fazenda no 4º mandato de Lula em 2027

Vice-presidente se torna o nome mais forte para o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula, com missão de liderar ajuste fiscal e reforma tributária, apesar de resistência dentro do PT.

Política Econômica

Vice-presidente é apontado como principal candidato para comandar a Fazenda no próximo governo Lula, enfrentando desafios internos no PT.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é hoje o nome mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, que toma posse em 5 de janeiro de 2027, e já atua nos bastidores como principal articulador do ajuste fiscal e da reforma tributária que o novo governo pretende acelerar.

Alckmin ganhou espaço junto a Lula desde o início da atual gestão, construiu relação de confiança com o presidente e passou a ser visto como a opção capaz de entregar um plano robusto de controle da dívida pública, sem provocar recessão nem corte de proteção social, e ao mesmo tempo dialogar com o mercado financeiro e com a indústria.

Perfil fiscalista e confiança de Lula

Com quatro mandatos como governador de São Paulo e passagem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no terceiro governo petista, Alckmin consolidou a imagem de gestor fiscalista, obcecado pela reforma tributária e cuidadoso com a expansão de gastos.

Interlocutores relatam que, ao longo deste mandato, o vice-presidente discutiu repetidamente com Lula a trajetória da dívida, chegando às conversas municiado de números detalhados sobre as contas públicas e o superávit primário necessário para estabilizar a situação fiscal.

Na prática, o desenho em discussão prevê que a Fazenda sob Alckmin lidere um ajuste de quatro anos, com foco em redução de despesas e revisão de renúncias tributárias, mas preservando programas sociais e investimentos mínimos capazes de sustentar o crescimento.

Gestos de austeridade e recado ao mercado

Alckmin vem fazendo gestos públicos de contenção de gastos para sinalizar compromisso com o ajuste. Em viagem oficial à China, em 2024, chamou atenção ao optar por passagens de classe econômica, enquanto outros ministros voaram em classe executiva. Na Vice-Presidência, ordenou cortes de despesas em relação ao período anterior, numa tentativa de dar o exemplo dentro do próprio governo.

A postura é bem recebida por economistas e investidores, que enxergam no vice um nome capaz de combinar discurso fiscal responsável com capacidade política para aprovar medidas no Congresso. Em negociações internacionais recentes, como na crise provocada por tarifas impostas pelos Estados Unidos, ele foi descrito por participantes como moderado, disposto a ouvir o setor produtivo e avesso a retaliações improvisadas.

Apesar da movimentação, Alckmin afirma em público que não há convite formal para a Fazenda. “Esse convite não me foi feito e cada coisa tem o seu tempo. Acabou a eleição agora”, disse o vice-presidente em entrevista à TV regional em São José dos Campos (SP). Para ele, “o novo governo começa na primeira semana de janeiro do ano que vem. Então, tem tempo para o presidente Lula montar o seu ministério”.

PT pressiona por Rafael Fonteles, mas cúpula afaga vice

Dentro do PT, uma ala se mobiliza para emplacar o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, no comando da Fazenda. Ex-secretário da Fazenda piauiense entre 2015 e 2022 e integrante da coordenação da campanha de Lula no segundo turno, Fonteles é visto por petistas como quadro preparado para a área econômica e potencial candidato à sucessão presidencial em 2030.

A direção nacional do partido, porém, evita confrontar abertamente o nome de Alckmin. O presidente do PT, Edinho Silva, elogiou o vice e sinalizou que ele tem crédito político para ocupar qualquer função no novo governo. “É um excepcional vice”, afirmou.

No entorno de Lula, a avaliação predominante é que o presidente tende a escolher para a Fazenda alguém de sua confiança direta, com trânsito no mercado financeiro e preferência, neste momento, por um nome fora do PT, o que reforça a posição de Alckmin.

Entenda o contexto

Após a vitória eleitoral mais recente, Lula chega ao quarto mandato em um ambiente de desconfiança nos mercados e pressão por um plano fiscal crível. Investidores cobram sinalizações rápidas sobre quem comandará a política econômica e qual será a meta de resultado primário — o saldo das contas do governo, desconsiderando o pagamento de juros da dívida.

Em meio às comemorações pela nova vitória de Lula, Alckmin já indicou que reformas e ajuste estarão no centro da agenda. “Agora vamos trabalhar de maneira ainda mais redobrada, avançar em mais reformas, como a reforma tributária que o presidente Lula fez, e estar à altura da confiança do povo”, declarou o vice-presidente ao lado de apoiadores.

Qual deve ser o tamanho do ajuste fiscal?

O economista Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, defende que o governo persiga um superávit primário de 2% do PIB ao fim do próximo mandato. “O ajuste fiscal deve mirar um superávit primário de 2% do PIB”, afirma.

Segundo ele, Lula terá de anunciar rapidamente um plano detalhado de corte de despesas para ser aplicado ao longo de quatro anos, com prioridade para a revisão do chamado gasto tributário — o conjunto de isenções, renúncias e benefícios fiscais que reduzem a arrecadação da União.

Além disso, economistas apontam como praticamente inevitável o debate sobre mudanças nas regras de correção do salário mínimo e na indexação dos pisos constitucionais de saúde e educação. A ideia é reduzir a rigidez do Orçamento sem desmontar políticas sociais, abrindo espaço para investimentos e preservando a estabilidade da dívida.

Desafio político dentro e fora do governo

A eventual ida de Alckmin para a Fazenda redesenharia o equilíbrio de forças no núcleo do governo. O vice, que já comanda uma pasta estratégica na área produtiva, ganharia ainda mais protagonismo, o que exige calibragem fina na relação com o PT e com outros aliados de primeira hora.

Ao mesmo tempo, o nome de Rafael Fonteles deve continuar em alta entre petistas que defendem maior identidade partidária na condução da economia e o veem como símbolo de renovação interna com vistas a 2030. A escolha de Lula para a Fazenda, portanto, não é apenas técnica: carrega implicações diretas sobre a sucessão e sobre o peso de cada grupo na coalizão governista.

Nos próximos meses, a expectativa em Brasília é de que Lula bata o martelo sobre a composição do ministério econômico antes da posse, para reduzir incertezas. Se confirmado na Fazenda, Alckmin terá de, já nos primeiros dias do novo governo, apresentar um roteiro concreto de ajuste, detalhando cortes em gastos tributários, mudanças em indexadores e prioridades de investimento, enquanto tenta manter unidos PT, centro e mercado em torno do mesmo plano.

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