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Brasil

Wassef visita Flávio após PF tomar passaportes do senador

Frederick Wassef foi ao condomínio de Flávio Bolsonaro em Brasília um dia após a PF intimar o senador a entregar seus passaportes e proibir viagens ao exterior em investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

Wassef visita Flávio após PF tomar passaportes do senador

Política

Advogado Frederick Wassef visita senador Flávio Bolsonaro após apreensão de passaportes pela PF em investigação.

Leia também: Moraes bloqueia R$ 6 bi de Willer Tomaz em caso Flávio Bolsonaro

O advogado Frederick Wassef visitou nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) no condomínio onde o parlamentar mora em Brasília, poucas horas depois de a Polícia Federal intimá-lo a entregar seus passaportes e proibi-lo de deixar o país em uma investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro.

PF apreende passaportes e restringe viagens de Flávio

A intimação da Polícia Federal foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de um inquérito que apura possível lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O senador foi obrigado a entregar à PF, no prazo de 24 horas, seu passaporte comum e o diplomático, e está impedido de sair do Brasil.

Além da restrição de viagens, Moraes também proibiu que Flávio mantenha qualquer contato com Willer Tomaz, apontado como peça central nas suspeitas em análise. As medidas cautelares visam, segundo a investigação, preservar a coleta de provas e evitar combinação de versões entre os investigados.

Na prática, as determinações impõem um freio à movimentação internacional do senador, que perde a possibilidade de participar de agendas políticas no exterior e vê sua rotina parlamentar e pessoal sob novo controle judicial.

Visita reservada em meio a pressão política

Wassef chegou ao condomínio de Flávio em Brasília um dia depois do segundo turno em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Palácio do Planalto. O encontro ocorreu no dia seguinte ao pronunciamento público do senador sobre o resultado eleitoral, no qual o advogado já havia aparecido ao seu lado.

O advogado, aliado histórico da família Bolsonaro, se reuniu com o senador dentro da residência. O teor da conversa não foi divulgado, o que reforça a discrição em torno da estratégia que deve ser adotada pela defesa diante do avanço das investigações e das novas restrições impostas.

Wassef já atuou em outros casos sensíveis envolvendo Flávio, como o processo das chamadas rachadinhas, e mantém presença ativa nos bastidores do PL, especialmente nas regiões de Atibaia e Bragança Paulista, em São Paulo.

Entenda o contexto

A visita e as medidas judiciais ocorrem em um momento de fragilidade política para o grupo bolsonarista, logo após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. Flávio, que já foi alvo de apurações sobre desvios de salários de funcionários quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, volta ao centro de uma investigação criminal com potencial de desdobramentos mais duros.

Ao retirar os passaportes e vetar viagens ao exterior, o Supremo sinaliza endurecimento na condução do inquérito sobre lavagem de dinheiro. A proibição de contato com Willer Tomaz também limita a articulação entre os investigados, o que pode impactar diretamente a linha de defesa do senador.

No campo político, a decisão tende a aumentar a pressão interna sobre o PL e sobre a própria família Bolsonaro, já atingida pelo revés nas urnas. Aliados avaliam os efeitos das medidas sobre a capacidade de Flávio de atuar como articulador do grupo no Senado em um cenário de reconfiguração de forças em Brasília.

Os próximos passos do caso devem incluir novas diligências da Polícia Federal, eventual tomada de depoimentos e análise de documentos e movimentações financeiras. Até o momento, defesa e investigação mantêm sigilo sobre detalhes da apuração e da estratégia jurídica em torno do senador.

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