Lula reúne equipe no Alvorada e define agenda pós-reeleição
Reeleito com 51,79% dos votos, Lula passou a segunda-feira em reuniões no Palácio da Alvorada com equipe internacional e chefes do Congresso, e recebeu ligações de líderes mundiais.

Política
Após a vitória nas urnas, Lula organiza prioridades e encontros estratégicos para o novo mandato.
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Um dia depois de ser reeleito para o quarto mandato com 51,79% dos votos válidos, Luiz Inácio Lula da Silva passou a segunda-feira no Palácio da Alvorada, em Brasília, em reuniões com o núcleo político e internacional do governo e em conversas com os presidentes da Câmara e do Senado, enquanto recebia telefonemas de líderes de diversos países. Um encontro previsto com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi adiado.
Lula acerta transição e fala com Congresso
Lula desembarcou em Brasília na madrugada de segunda-feira, por volta das 3h, após acompanhar a apuração em São Paulo e comemorar a vitória com apoiadores na Avenida Paulista. Sem agendas externas, concentrou-se na residência oficial para discutir os primeiros passos do novo mandato e a montagem da equipe.
A primeira reunião do dia foi com o chefe de gabinete, Oswaldo Malatesta, responsável por organizar a agenda e o desenho da transição dentro do Planalto. À tarde, o presidente recebeu o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no Alvorada. Os dois já haviam telefonado para parabenizá-lo logo após a confirmação do resultado.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, também ligou para Lula para cumprimentá-lo pela vitória, que consolidou o petista como o primeiro brasileiro eleito quatro vezes pelo voto popular, às vésperas de completar 81 anos.
O encontro previsto com o ministro da Defesa, José Múcio, que acompanhou a apuração em Brasília, acabou adiado e ainda não teve nova data divulgada, o que deve alimentar nos bastidores especulações sobre ajustes na área de segurança e defesa no início do novo governo.
Diplomacia em campo desde o primeiro dia
No eixo internacional, Lula esteve reunido com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com assessores da área internacional do Planalto, como Celso Amorim e Audo Faleiro. A ideia é alinhar desde já a agenda externa do próximo mandato, com prioridade para a América Latina e parcerias estratégicas com a Europa.
Segundo diplomatas, o Planalto recebeu uma enxurrada de pedidos de telefonemas de chefes de Estado e líderes partidários desde a proclamação do resultado, em meio a uma disputa acirrada e marcada por virada contra Flávio Bolsonaro.
Já nas primeiras horas após a reeleição, Lula atendeu ligações de José Antonio Kast, no Chile, Yamandú Orsi, no Uruguai, e Rodrigo Paz, na Bolívia. Também conversou com António Costa, presidente do Conselho Europeu. Nesta segunda, foi a vez da presidente do México, Claudia Sheinbaum, ligar para cumprimentar o brasileiro, que está praticamente sem voz após as comemorações.
Além desses contatos, presidentes de países como França, Canadá, Peru e Rússia enviaram mensagens públicas de felicitação, reforçando a expectativa de que o Brasil mantenha ou amplie seu protagonismo diplomático na região e em fóruns multilaterais.
Trump questiona eleição e isola Milei na região
A reação internacional à reeleição de Lula foi majoritariamente positiva, mas não sem ruídos. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas.
Questionado por jornalistas em seu país sobre a derrota de Flávio Bolsonaro, Trump afirmou que a eleição no Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada” e criticou a prorrogação do horário de votação em parte do país. Em seguida, porém, fez questão de dizer que mantém boa relação com Lula.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, declarou o republicano.
Até o momento, o presidente da Argentina, Javier Milei, é o único chefe de governo da América do Sul a não se manifestar sobre a vitória de Lula, o que expõe uma fricção política na relação bilateral em meio à tentativa do Brasil de se reposicionar como articulador regional.
Entenda o contexto
A reeleição de Lula, sacramentada no domingo, prolonga o atual ciclo político do Planalto e consolida um mandato considerado histórico, tanto pelo número de vitórias nas urnas quanto pela idade do presidente, que completa 81 anos na próxima terça-feira.
A movimentação imediata no Alvorada, com foco na diplomacia e no diálogo com o Congresso, indica uma estratégia de garantir base de apoio logo na largada e de blindar a agenda externa de sobressaltos. O papel de Hugo Motta e Davi Alcolumbre será central para a tramitação de projetos econômicos e de reformas na Câmara e no Senado.
Nas próximas semanas, a expectativa é de intensificação das conversas políticas e de definições sobre a nova equipe ministerial, em um ambiente ainda marcado por forte polarização interna e por olhares atentos de parceiros estrangeiros sobre a estabilidade do país.

