Mercados
S&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378▲ 0,03%Ibovespa175.710▼ 0,51%FTSE 10010.687▼ 0,75%DAX25.591▲ 0,71%Nikkei63.994▲ 1,15%DólarR$ 5,35– 0,00%EuroR$ 5,95▼ 0,04%BitcoinR$ 432.589▲ 0,03%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378▲ 0,03%Ibovespa175.710▼ 0,51%FTSE 10010.687▼ 0,75%DAX25.591▲ 0,71%Nikkei63.994▲ 1,15%DólarR$ 5,35– 0,00%EuroR$ 5,95▼ 0,04%BitcoinR$ 432.589▲ 0,03%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Lançamentos de IA

Anthropic usa IA Claude para acelerar criação de remédios em 2026

Anthropic usa modelo de IA Claude para acelerar do design molecular aos testes clínicos, em parceria com seis biotechs, em projetos contra câncer, alergias e doença rara infantil.

Anthropic usa IA Claude para acelerar criação de remédios em 2026

Inteligência Artificial

Parceria com biotechs impulsiona inovação no desenvolvimento de medicamentos para doenças complexas.

Leia também: Bank of America alerta: nunca informe senha a assistentes de IA

A Anthropic passou a usar de forma intensiva o modelo de inteligência artificial Claude para acelerar várias etapas do desenvolvimento de medicamentos, em programas próprios e em parcerias com seis empresas de biotecnologia. Os projetos miram desde tumores sólidos até alergias alimentares e formas raras de distrofia muscular em crianças, com resultados iniciais que indicam ganhos de velocidade e desempenho em laboratório.

IA entra em todas as fases do desenvolvimento de drogas

A equipe de ciências da vida da Anthropic vem integrando o Claude em quase todo o ciclo de criação de fármacos: identificação de alvos, desenho de moléculas, otimização para produção em escala, preparação de documentos regulatórios e até o planejamento de testes clínicos. A ideia é atacar vários gargalos ao mesmo tempo, em vez de focar só no design inicial de novos compostos.

Esses esforços combinam parcerias com BigHat Biosciences, Bristol Myers Squibb, Divergence Labs, Enveda, Generate Biomedicines e The Column Group com programas internos, incluindo pesquisas para formas raras de distrofia muscular infantil. Segundo a equipe da empresa, o aprendizado com casos reais já está sendo usado para ajustar o próprio modelo de IA e ampliar o impacto em medicina.

Exemplos: câncer, alergias e doenças raras

Um dos trabalhos mais avançados é com a Generate Biomedicines, que tenta tornar mais eficaz a terapia CAR T-cell contra tumores sólidos. Seis cientistas da companhia usaram o Claude Code, versão voltada a programação e engenharia, para propor novas instruções genéticas a partir de uma sequência padrão da terapia. Em laboratório, um dos designs saiu 70% menor do que a versão original, abrindo espaço para incluir outras funções no mesmo tratamento.

“Um design foi cerca de 70% menor que a versão padrão e, em testes laboratoriais, permitiu que as células imunes produzissem cerca de 10 vezes mais receptores”, relatou a Generate Biomedicines. Esses receptores são as proteínas que permitem às células de defesa localizar e atacar células tumorais, o que ajuda a explicar o aumento de eficiência visto nos testes preliminares.

Na área de alergias alimentares, a Divergence Labs usa o Claude para projetar medicamentos que não apenas neutralizam a molécula IgE, associada às reações alérgicas, mas a desprendem das células do sistema imune. A própria Anthropic resume o salto de escala obtido com a IA: “Claude converteu os objetivos da Divergence Labs em um plano detalhado de design e gerou aproximadamente 35 mil designs de anticorpos em cerca de um mês”.

Nessa triagem inicial, a Divergence encontrou candidatos promissores para as duas “metades” do futuro remédio. “Três dos 20 designs encontrados pareciam descolar a IgE mais do que o medicamento padrão”, afirmou a empresa. A próxima etapa é combinar esses dois braços terapêuticos em um único anticorpo experimental.

Robôs de laboratório e papelada regulatória

Na BigHat Biosciences, o Claude foi conectado ao sistema interno de dados de laboratório para ajudar na otimização de moléculas já identificadas como candidatas (“leads”) a se tornar remédios. Em cerca de dez semanas, o laboratório automatizado da companhia sintetizou e testou pouco mais de mil variantes de dois fragmentos de anticorpo, com a IA sugerindo alterações e analisando resultados para melhorar estabilidade, afinidade de ligação e risco de agregação.

Em outro front, a Enveda mirou um dos pontos menos glamourosos e mais caros da indústria: a papelada. Químicos responsáveis pela fabricação de lotes pilotos de novas drogas relatavam passar até três quartos do tempo com documentos, em vez de bancada. A empresa conectou o acervo de registros de produção ao Claude, que passou a revisar as páginas, apontar inconsistências e acelerar a checagem.

Num lote de testes com 1.061 páginas, o sistema detectou os 11 problemas já identificados por revisores humanos e ainda sinalizou sete que tinham passado batido. O processo reduziu em cerca de 89% o tempo de revisão, de mais de 25 horas para menos de três. Separadamente, o modelo redigiu os primeiros rascunhos de dois documentos regulatórios importantes, um deles preparado em quatro horas, tarefa que tradicionalmente levaria meses.

Investimento, novas biotechs e ensaios clínicos

A colaboração com o fundo The Column Group vai além de um único projeto científico. Os sócios estão montando a Pleiades, empresa de biotecnologia desenhada desde o início para usar o Claude na frente científica e na gestão do dia a dia. A expectativa é que um time enxuto consiga tocar um número maior de programas de descoberta de drogas, inclusive mais arriscados, graças à automação de tarefas de pesquisa, análise de dados e rotinas administrativas.

O primeiro “skill” desenvolvido para uso interno pela Pleiades ajuda o Claude a avaliar se um alvo biológico vale ser perseguido. A ferramenta já foi testada em dezenas de pares alvo-doença, num ensaio de como a IA pode orientar decisões de portfólio antes mesmo de grandes investimentos em laboratório.

No relacionamento com a Bristol Myers Squibb, o foco inicial está em encontrar gargalos na fase de planejamento de estudos clínicos. A farmacêutica vem usando o Claude para avaliar planos de ensaios de um medicamento em estágio inicial e estimar a chance de sucesso dessas etapas. A meta, a partir de agora, é ampliar esse tipo de uso e medir quanto a IA consegue aumentar a probabilidade de aprovação em fases precoces.

Entenda o contexto

O desenvolvimento de um novo medicamento costuma levar anos, exige estudos com milhares de pacientes e consome bilhões em investimento, com altas taxas de fracasso. Nos últimos anos, modelos de inteligência artificial passaram a ser apontados como candidatos a encurtar esse caminho, principalmente no desenho inicial de moléculas. O movimento atual da Anthropic vai além desse foco mais conhecido.

Ao distribuir o uso da IA por toda a cadeia — da descoberta ao protocolo de testes clínicos, passando por produção e regulação — a empresa e suas parceiras apostam numa mudança estrutural do setor. Na prática, isso pode significar, num horizonte ainda em construção, uma oferta maior de terapias para câncer, alergias severas e doenças raras, a custos menores e ciclos de desenvolvimento mais curtos.

Os projetos em curso também funcionam como laboratório para as próprias limitações da tecnologia: cada falha de previsão ou desenho mal-sucedido alimenta ajustes no Claude. A Anthropic afirma planejar uma expansão significativa desses esforços, com mais parceiros e integração mais profunda da IA em rotinas de pesquisa, à medida que tenta transformar os ganhos iniciais em medicamentos concretos nas prateleiras.