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Lançamentos de IA

Explosão da IA pressiona rede elétrica dos EUA e gera inovação

Boom de data centers para IA pressiona a envelhecida rede elétrica dos EUA, mas acelera uma corrida por softwares de gestão, cabos supercondutores e políticas de eletrificação.

Explosão da IA pressiona rede elétrica dos EUA e gera inovação

Tecnologia

O crescimento dos data centers para IA desafia a infraestrutura elétrica dos EUA e impulsiona avanços tecnológicos e políticos.

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O boom de data centers movidos por inteligência artificial está esticando ao limite a rede elétrica dos Estados Unidos e acendendo alertas sobre risco de contas mais caras e apagões, mas ao mesmo tempo desencadeia uma onda de inovação em software, cabos supercondutores e políticas de eletrificação, apontam líderes do setor ouvidos nesta semana no TechCrunch Disrupt.

IA vira estresse e oportunidade para a rede

Apoorv Bhargava, fundador e CEO da Weavegrid, resumiu o momento como uma mudança estrutural no sistema elétrico americano. “É um sistema elétrico muito diferente, certo? Estamos lidando com muitas variáveis novas, incluindo energia renovável. Estamos lidando com muita nova carga na forma de veículos elétricos, data centers e bombas de calor, e a capacidade de gerenciar e orquestrar é fundamental para o que as concessionárias estão enfrentando agora”, disse.

Na prática, as concessionárias lidam ao mesmo tempo com a conexão de grandes data centers, a expansão rápida de veículos elétricos, a eletrificação do aquecimento residencial e a entrada de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Esse conjunto torna a operação da rede mais complexa e aumenta o risco de gargalos, sobretensões e necessidade de investimentos pesados em infraestrutura.

Ao mesmo tempo, a nova demanda abre espaço de mercado para empresas de tecnologia energética e pressiona reguladores e governos a acelerar a modernização do sistema, numa corrida para evitar que o avanço da IA seja travado por falta de energia disponível e redes congestionadas.

Software para orquestrar a carga e baixar a conta

A aposta da Weavegrid é atacar o problema pelo lado digital. A empresa desenvolve um software de orquestração de carga que promete ajudar concessionárias e grandes consumidores a usar melhor a capacidade já existente na rede, deslocando consumos para horários mais adequados e balanceando picos.

Segundo Bhargava, a plataforma cruza dados de consumo, geração renovável e infraestrutura disponível para sugerir e automatizar ajustes. Com isso, busca evitar reforços caros de rede sempre que um novo grande consumidor, como um data center, entra no sistema, ao mesmo tempo em que reduz o custo final para o usuário. A ideia é transformar uma rede historicamente rígida em um sistema mais flexível, capaz de “acomodar” a nova carga da IA sem colapsar.

Para os consumidores finais, especialmente quem usa veículos elétricos e bombas de calor, essa inteligência pode se traduzir em contas mais baixas ao concentrar o uso de energia em períodos em que a rede está mais folgada e a energia, muitas vezes renovável, é mais barata.

Cabos supercondutores para expandir a infraestrutura

Enquanto a Weavegrid olha para o software, a Veir aposta em uma revolução física nas linhas de transmissão. A empresa de Tim Heidel desenvolve cabos supercondutores que, segundo ele, podem transportar energia cinco vezes mais longe que cabos tradicionais usando 20 vezes menos espaço.

Essa combinação é particularmente atraente em áreas densamente povoadas, onde é difícil abrir novos corredores de transmissão ou ampliar linhas já existentes. Cabos mais compactos e eficientes permitem levar grandes blocos de energia até polos de data centers e regiões de forte crescimento de consumo sem repetir o traçado de torres e linhas convencionais.

A confiança do mercado nessa abordagem ficou clara na rodada série C em que a Veir levantou US$ 110 milhões. Heidel vê uma relação direta entre esse interesse e a corrida por infraestrutura para IA. “A escala do investimento em infraestrutura de IA está impulsionando uma tremenda quantidade de inovação. Há muitas novas tecnologias que estão saindo das prateleiras e começando a ganhar escala que, juntas, podem realmente garantir que os data centers sejam os melhores vizinhos e cidadãos”, afirmou.

Para ele, o desafio agora é acelerar a adoção: “Precisamos realmente olhar para maneiras de adotar tudo isso o mais rápido possível para aliviar esse próximo estágio de crescimento”, completou.

‘Era de improvisação’: política e eletrificação entram no jogo

Além de software e cabos, a pressão dos data centers também mexe com a discussão de políticas públicas e eletrificação residencial. Kristen Eberhard, vice-presidente de políticas da Rewiring America, avalia que o momento cria uma urgência inédita, mas também uma abertura maior para experimentar diferentes soluções.

“Sinto que esta era de IA e crescimento de carga é uma era de improvisação. Há muito ‘yes-and-ing’ acontecendo. Então, sim, precisamos de mais linhas de transmissão. Sim, precisamos de mais usinas centralizadas, e também precisamos garantir que estamos aproveitando tudo o que antes deixávamos de lado quando não tínhamos essa urgência da demanda de IA”, disse.

Na visão de Eberhard, isso significa combinar grandes projetos tradicionais de geração e transmissão com medidas mais distribuídas, como eletrificação eficiente de residências, gestão ativa da demanda e incentivo a tecnologias que tornem casas e prédios parte da solução, e não apenas da carga. A meta é construir um sistema mais resiliente, com múltiplos caminhos para equilibrar oferta e demanda.

Entenda o contexto

A rede elétrica dos Estados Unidos foi desenhada para um cenário de crescimento gradual, consumo relativamente previsível e poucas grandes fontes de geração centralizada. A explosão recente de data centers de IA, que exigem fornecimento contínuo e massivo de energia, expõe limites dessa arquitetura.

Especialistas temem que, sem obras e tecnologia, regiões com forte concentração de centros de dados enfrentem filas para conexão, gargalos e aumento de tarifas para todos os consumidores. Ao mesmo tempo, a transição energética empurra o país para maior participação de renováveis e eletrificação de transportes e edifícios, adicionando ainda mais demanda e variabilidade ao sistema.

As soluções discutidas no TechCrunch Disrupt — da orquestração de carga à supercondutividade, passando por políticas de eletrificação inteligente — mostram que o setor elétrico americano entra em uma fase de transformação acelerada. A velocidade com que essas inovações saírem do papel pode definir se o avanço da IA será motor de modernização bem-sucedida ou gatilho de uma crise energética nos próximos anos.