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Economia

Boeing 777 300er ganha cargueiro na China e estreia no Galeão

Conversão do Boeing 777-200LR em cargueiro avança na China, 777-200ER da British faz pouso de emergência após rápida perda de altitude e Galeão recebe aval para operar o novo 777-9, ampliando a conectividade internacional.

Boeing 777 300er ganha cargueiro na China e estreia no Galeão

Aviação

O Boeing 777 300ER é convertido em cargueiro na China e estreia no Aeroporto do Galeão, ampliando a conectividade internacional.

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O Boeing 777 voltou ao centro das atenções nesta semana com três movimentos em frentes distintas: a Mammoth Freighters iniciou na China a conversão de mais um 777-200LR de passageiros para cargueiro, um 777-200ER da British Airways retornou em emergência a Londres após perder cerca de 8 mil metros de altitude em poucos minutos, e o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão) tornou-se o primeiro da América Latina autorizado a operar o novíssimo 777-9.

Quais são as características do programa de conversão do Boeing 777-200LR em cargueiro na China?

A conversão feita pela Mammoth Freighters transforma o Boeing 777-200LR de passageiros em cargueiro de longo alcance com nova porta de carga, piso reforçado e sistemas específicos de manuseio de pallets e contêineres. O mais recente exemplar entrou em modificação na instalação da STAECO, em Qingdao, incluindo a China na rede industrial do programa.

Certificada em abril de 2026 pela autoridade de aviação dos Estados Unidos, a variante 777-200LRMF é hoje a primeira conversão oficialmente aprovada desse modelo. Na prática, a Mammoth pega aeronaves usadas — em grande parte ex-Delta Air Lines — e refaz boa parte da estrutura interna: abre uma ampla porta de carga no deck principal, reforça o piso para suportar grandes concentrações de peso e instala trilhos e roletes que permitem o carregamento rápido de cargas volumosas.

A empresa entregou sua primeira aeronave convertida em 21 de agosto de 2026 à Jetran, que destina o jato à DHL Air UK. A Jetran já comprometeu mais de duas dezenas de 777-200LR ao programa, com parte desses aviões direcionada à Qatar Airways Cargo e à Ethiopian Airlines, o que garante fila de trabalho para os próximos anos.

O início das conversões na STAECO, com duas linhas planejadas para Qingdao, soma-se às capacidades em Fort Worth, no Texas, e em Manchester, na Inglaterra, e consolida a estratégia de atendimento global da Mammoth. Uma segunda linha em Qingdao está prevista para começar a operar no início de 2027, elevando o ritmo de entregas.

O movimento ocorre em um nicho ainda novo para o 777. Diferentemente de modelos como 737, 757 e 767, que acumulam décadas de conversões para carga, o 777 só recentemente entrou nesse mercado. A aposta da Mammoth é prolongar a vida útil dos 777-200LR à medida que as companhias os retiram de rotas de passageiros, oferecendo às empresas de logística uma alternativa mais barata do que encomendar cargueiros saídos de fábrica.

Ao mesmo tempo, a Israel Aerospace Industries (IAI) corre em paralelo com a conversão do 777-300ER, maior e mais abundante nas frotas globais. O programa 777-300ERSF, apelidado de Big Twin, já tem 11 aeronaves em operação e soma mais de 20.000 horas de voo até julho deste ano, sinalizando que o mercado de cargueiros derivados do 777 tende a crescer rapidamente.

Como foi a emergência que fez o avião da British Airways perder 8 mil metros de altitude?

O voo BA295, operado por um Boeing 777-200ER da British Airways entre Londres e Chicago, perdeu cerca de 8 mil metros de altitude em aproximadamente sete minutos e retornou a Heathrow após declarar emergência na semana passada. Ninguém ficou ferido, mas máscaras de oxigênio caíram na cabine e o episódio assustou passageiros.

A aeronave decolou de Heathrow rumo ao aeroporto O’Hare e voava em nível de cruzeiro sobre a Irlanda quando, cerca de uma hora após a partida, apresentou um problema técnico ainda não detalhado. Dados de rastreamento indicam que o jato desceu de 36 mil pés (cerca de 11 mil metros) para 9 mil pés (cerca de 2,7 mil metros) em um intervalo de cerca de sete minutos, adotando o código 7700 no transponder, sinal internacional de emergência geral para o controle de tráfego aéreo.

Dentro da cabine, as máscaras de oxigênio foram liberadas, procedimento padrão em casos de suspeita de perda de pressurização ou queda rápida de altitude. Passageiros relataram turbulência pouco antes do acionamento das máscaras, mas descreveram a descida como controlada e elogiaram a atuação da tripulação.

Após interromper a travessia do Atlântico, o 777 fez meia-volta em direção ao Reino Unido e passou cerca de quatro horas realizando órbitas sobre o Canal de Bristol. A manobra, comum em situações desse tipo, serve para queimar combustível, reduzir o peso da aeronave e permitir um pouso com maior margem de segurança para estrutura e sistemas de freio.

O pouso em Heathrow ocorreu sem incidentes, e os passageiros desembarcaram normalmente. Em nota, a companhia afirmou que “a segurança de nossos clientes e tripulantes é sempre nossa principal prioridade, e a aeronave pousou em segurança depois que nossos pilotos altamente treinados retornaram a Heathrow após um problema técnico”. Investigações técnicas seguem em andamento para identificar a causa exata da falha.

O episódio reforça a importância do treinamento para emergências a bordo e dos protocolos de descida rápida em grandes altitudes. Para as autoridades e para a própria fabricante, casos como esse alimentam bancos de dados que ajudam a ajustar procedimentos, inspeções e manuais de manutenção, mesmo quando terminam em pousos seguros.

O que significa a autorização do Galeão para receber o Boeing 777-9?

O aval da ANAC para o Galeão operar o Boeing 777-9 torna o aeroporto do Rio o primeiro da América Latina apto a receber o maior bimotor de passageiros do mundo e abre espaço para rotas intercontinentais com mais assentos e menor custo por passageiro. A autorização foi publicada em 11 de agosto, após um processo técnico iniciado em 2024.

Com capacidade para até 450 passageiros dependendo da configuração de cabine, o 777-9 é a nova geração da família 777 e aposta em asas avançadas com pontas dobráveis, solução que reduz a envergadura no solo e facilita o taxiamento em aeroportos já existentes. O projeto também promete consumo de combustível e custo operacional por assento cerca de 10% menores que o Airbus A350-1000, seu principal concorrente direto.

Para operar o modelo, o Galeão precisou demonstrar à ANAC que atende a requisitos específicos de pistas, pátios, taxiways, área de segurança e serviços de emergência para aeronaves de grande porte. Isso inclui análise de cargas sobre o pavimento, distâncias de separação entre aeronaves em solo, raio de curva e até a disponibilidade de equipamentos de combate a incêndio com alcance compatível.

Operadoras que já voam para o Rio e encomendaram o 777-9 — caso de British Airways, Emirates e Lufthansa — passam a ter o Galeão totalmente habilitado para receber o novo jato assim que ele entrar em operação comercial. A Lufthansa, por exemplo, prevê começar a receber o modelo no início de 2027, o que abre caminho para que o aeroporto carioca esteja na primeira leva de destinos da companhia na região.

Para o terminal, o impacto é direto na competitividade frente a outros hubs da região, como Guarulhos, Cidade do Panamá e Bogotá. Um avião com mais assentos e maior alcance permite concentrar fluxos de passageiros e cargas em menos frequências, mas com maior capacidade, reduzindo custos das companhias e, potencialmente, ampliando a oferta de lugares em rotas de alta demanda.

“Trata-se de um avanço para a aviação, resultado de um processo pautado nos mais elevados padrões de segurança e excelência operacional, que amplia as possibilidades de conectividade, eficiência e capacidade do aeroporto”, afirmou Estela Andrade, gerente de Safety do RIOgaleão. A declaração vai na linha da estratégia de reposicionar o aeroporto como hub internacional, depois de anos com perda de voos de longo curso.

Entenda o contexto

As três notícias envolvendo o Boeing 777 mostram como a família de longo curso da fabricante norte-americana vive uma espécie de transição de fase. De um lado, modelos mais antigos, como o 777-200LR e o 777-300ER, começam a migrar das rotas de passageiros para o transporte de carga por meio de programas de conversão como os da Mammoth e da IAI. De outro, o 777-9 surge como nova aposta das grandes companhias para voos intercontinentais densos.

No meio desse ciclo, incidentes como o do 777-200ER da British Airways lembram que a operação segura de jatos de grande porte depende de manutenção rigorosa, treinamento constante e coordenação fina entre companhias, fabricantes e autoridades. Ao mesmo tempo em que os aviões são esticados em vida útil por meio de conversões, a régua de segurança tende a ficar ainda mais alta — em solo, nos hangares de manutenção e em aeroportos como o Galeão, que se preparam para receber a próxima geração do modelo.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3