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Inteligência Artificial

Brasil avalia acordo EUA-Paraguai sobre energia de Itaipu para IA

Governo Lula avalia, por meio da Embaixada em Assunção, o acordo que destina energia do lado paraguaio de Itaipu a projetos de inteligência artificial nos EUA antes de se posicionar.

Brasil avalia acordo EUA-Paraguai sobre energia de Itaipu para IA

Inteligência Artificial

Governo brasileiro analisa acordo que envolve energia de Itaipu para projetos de IA nos EUA antes de decidir posicionamento.

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O governo brasileiro avalia, por meio da Embaixada em Assunção, o acordo firmado entre Paraguai e Estados Unidos que destina energia do lado paraguaio da usina de Itaipu para instalações de inteligência artificial em empreendimentos norte-americanos. Só depois dessa análise o Planalto pretende se manifestar oficialmente sobre o tema.

Qual é o acordo entre Brasil, EUA e Paraguai sobre o uso da energia de Itaipu para inteligência artificial?

O acerto envolve Paraguai e Estados Unidos e prevê o uso de energia do lado paraguaio de Itaipu para abastecer projetos de inteligência artificial em instalações localizadas nos EUA; o Brasil, coproprietário da usina, não é parte do tratado, mas é diretamente afetado. A negociação foi anunciada nesta semana, durante a visita ao Paraguai do subsecretário de Estado norte-americano Christopher Landau, que exaltou publicamente o presidente paraguaio, Santiago Peña.

Pelo entendimento fechado em Assunção, a energia que cabe ao Paraguai em Itaipu, hoje excedente em boa parte do tempo, passa a ser redirecionada para atender à demanda de centros e empreendimentos ligados a inteligência artificial em território norte-americano. Não há, até o momento, indicação de alteração na participação formal do Brasil na usina, mas o destino de parte da produção energética compartilhada muda de rota e passa a atender diretamente a um país de fora da sociedade binacional.

Na prática, o movimento reposiciona o Paraguai como fornecedor de energia estratégica para a infraestrutura digital dos EUA, em um setor de alta sensibilidade geopolítica, enquanto abre margem para questionamentos no Brasil sobre o alcance e os limites desse tipo de acordo firmado unilateralmente pelo sócio paraguaio.

Como o Brasil está analisando o acordo entre EUA e Paraguai sobre Itaipu?

A análise é conduzida pela Embaixada do Brasil em Assunção, que recebeu os documentos relativos ao acordo e prepara um parecer técnico e político para o Palácio do Planalto. “O governo brasileiro aguarda essa avaliação antes de se manifestar oficialmente sobre o assunto”, afirmou uma fonte do Planalto.

A leitura no governo Lula é de que qualquer mudança relevante no destino da energia de Itaipu precisa ser examinada sob a ótica da segurança energética, da política externa e da governança da usina binacional. A cautela também se explica pela dimensão estratégica da inteligência artificial, vista como área sensível tanto do ponto de vista tecnológico quanto de defesa.

Apesar de o entendimento empregar energia de uma usina compartilhada com o Brasil, a equipe do Departamento de Estado dos EUA que acompanha o acordo não passará por território brasileiro. A comitiva não pediu vistos ao Itamaraty e, portanto, não tem autorização para ingressar no país. O gesto é lido em Brasília como um sinal de que Washington decidiu concentrar a agenda em capitais governadas pela direita no entorno regional, evitando expor eventuais atritos com o governo Lula.

Visita de Landau expõe desconforto no Planalto

A assinatura do acordo coincidiu com uma etapa do giro de Christopher Landau por países da América do Sul comandados por governos de direita, com paradas em Assunção e Buenos Aires. Em solo paraguaio, o subsecretário posou ao lado de Santiago Peña em diversas ocasiões e elogiou a aproximação política e econômica entre os dois países.

Em Brasília, o tom da visita provocou incômodo. Uma fonte palaciana classificou como exagerada a postura de parte dos líderes da região diante do emissário norte-americano. “Causou desconforto o fato de chefes de Estado posarem tão ativamente e com tanto entusiasmo para fotos ao lado de uma autoridade de segundo ou terceiro escalão do governo Trump”, disse.

Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que o Paraguai tenta capitalizar o interesse dos EUA por energia barata e estável para atrair investimentos e ganhos tecnológicos ligados à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, há receio de que a movimentação fortaleça a influência norte-americana em um ativo considerado crítico para a integração energética sul-americana.

Entenda o contexto

Itaipu é uma usina binacional, administrada em sociedade por Brasil e Paraguai, que historicamente divide a energia gerada entre os dois países. Parte da cota paraguaia é tradicionalmente vendida ao mercado brasileiro, que se beneficia do excedente para reforçar seu sistema elétrico.

Com o avanço da inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia e governos intensificaram a busca por fontes estáveis e relativamente baratas de eletricidade para alimentar centros de dados e estruturas de computação de alto desempenho. Ao direcionar energia de Itaipu para empreendimentos de IA nos EUA, o Paraguai tenta se inserir nessa cadeia, oferecendo seu excedente como insumo para a infraestrutura digital norte-americana.

Para o Brasil, o movimento levanta dúvidas sobre o impacto futuro na disponibilidade e no preço da energia hoje adquirida do parceiro paraguaio, além de acender alertas sobre a presença de interesses externos em um dos principais ativos estratégicos da região. A expectativa no governo é de que a análise da Embaixada em Assunção aponte caminhos para eventuais negociações com Assunção e, se necessário, pedidos de esclarecimento formais a Washington sobre os termos do acordo e seus reflexos na governança de Itaipu.