Mercados
S&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378▲ 0,03%Ibovespa175.710▼ 0,51%FTSE 10010.687▼ 0,75%DAX25.591▲ 0,71%Nikkei64.067▲ 1,26%DólarR$ 5,35▼ 0,01%EuroR$ 5,95▼ 0,04%BitcoinR$ 432.589▲ 0,03%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.723▲ 0,60%Nasdaq26.478▲ 1,18%Dow Jones52.378▲ 0,03%Ibovespa175.710▼ 0,51%FTSE 10010.687▼ 0,75%DAX25.591▲ 0,71%Nikkei64.067▲ 1,26%DólarR$ 5,35▼ 0,01%EuroR$ 5,95▼ 0,04%BitcoinR$ 432.589▲ 0,03%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Flávio Bolsonaro apoia PEC que elimina escala 6×1 e muda eleição

Senador e candidato à Presidência diz que votará a favor da PEC que acaba com a escala 6x1 após pressão popular. Votação está marcada para esta quarta (14) no Senado.

Flávio Bolsonaro apoia PEC que elimina escala 6×1 e muda eleição

Política

Senador Flávio Bolsonaro manifesta apoio à proposta que modifica a escala de trabalho e altera regras eleitorais.

Leia também: Mapa eleitoral interativo mostra voto indígena e apuração ao vivo

Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência pelo PL, anunciou nesta terça-feira (13) que vai votar a favor da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1, após ter criticado a proposta defendida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação está marcada para esta quarta-feira (14) no Senado e ocorre em meio à disputa acirrada do segundo turno e à pressão de trabalhadores.

Recuo após críticas e pressão nas ruas

Até a semana passada, Flávio chamava a PEC de oportunista e evitava revelar seu voto, enquanto o PL atuava para adiar a análise do texto para depois das eleições. Agora, em meio a pesquisas que apontam que 7 em cada 10 brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o presidenciável diz que mudou de posição para acompanhar o desejo da maioria.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”, afirmou o senador, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por condenação ligada à tentativa de golpe de Estado.

O gesto é visto no Congresso como um recuo importante da cúpula do PL, que vinha resistindo à pauta. A PEC é tratada no Palácio do Planalto como bandeira central da campanha de Lula junto ao eleitorado de baixa renda e de trabalhadores formais.

Como será a votação e a participação de Flávio

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou a apreciação da PEC para esta quarta (14). A expectativa é de votação em primeiro turno no plenário, com acordo para acelerar a tramitação.

Flávio Bolsonaro terá agenda de campanha em Porto Alegre no mesmo dia, mas poderá votar remotamente. A autorização para visitas de parlamentares a Jair Bolsonaro foi retomada após o fim de um período de 90 dias de restrições, o que permitiu o encontro do senador com o pai na véspera do anúncio.

Entenda o contexto

A escala 6×1 é o regime em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho para ter apenas um dia de descanso. A proposta apoiada pelo governo Lula prevê o fim desse modelo e a redução da jornada semanal sem diminuição de salário, ampliando o tempo de descanso e a proteção trabalhista.

A medida afeta diretamente categorias da indústria, do comércio, de serviços e do agronegócio, onde esse tipo de escala é mais comum. Com mais dias de folga e a manutenção do salário atual, os trabalhadores seriam os principais beneficiados, enquanto empresas teriam de reorganizar turnos e, em muitos casos, contratar mais funcionários para manter a produção.

Para empresários, isso representa aumento de custos com mão de obra e encargos, o que já mobiliza entidades do setor produtivo em busca de algum tipo de compensação econômica por parte do governo federal.

Críticas ao custo da medida e proposta alternativa do PL

Mesmo ao anunciar o voto favorável, Flávio Bolsonaro mantém o discurso de que a PEC terá impacto pesado sobre o setor privado. “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”, disse o senador.

Em outra declaração, ele reforçou a cobrança ao Planalto: “Quem vai pagar essa conta vai ter de ser o governo, porque os empresários estão sufocados. O governo vai ter de bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas”.

O presidenciável do PL defende um texto alternativo, que prevê remuneração proporcional às horas trabalhadas. Nesse modelo, a redução da jornada poderia vir acompanhada de redução salarial, ao contrário do que estabelece a PEC patrocinada pelo governo.

Flávio também voltou a acusar Lula de usar o tema eleitoralmente, lembrando que, na sua avaliação, o Executivo deixou para tratar da redução da jornada às vésperas do segundo turno para conquistar votos.

Lula ironiza recuo do PL e fala em vitória da pressão popular

Do outro lado da disputa, o presidente Lula explorou politicamente o recuo do PL. Em discurso em evento voltado a microempreendedores, ele creditou a mudança de posição do partido às manifestações de rua em defesa do fim da escala 6×1.

“Me parece que, depois da pressão da sociedade, depois de todas as manifestações da rua desse Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6×1”, disse o petista, em tom de ironia.

Aliados do governo no Senado afirmam que a votação desta quarta é tratada como prioridade máxima. A aprovação da PEC é vista como uma vitória simbólica de Lula sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, num tema em que o apoio popular é expressivo.

Impacto político e próximos passos

A guinada de Flávio expõe as divisões internas no PL entre alas mais alinhadas ao empresariado, que temem o aumento dos custos trabalhistas, e parlamentares em campanha, receosos de enfrentar a rejeição de eleitores trabalhadores em pleno segundo turno.

No governo, a expectativa é que a aprovação da PEC fortaleça o discurso de Lula de que sua gestão está ampliando direitos trabalhistas. Entidades sindicais já falam em intensificar a mobilização para pressionar deputados quando a proposta chegar à Câmara.

Para o setor empresarial, o foco passa a ser a negociação de medidas de compensação, como desonerações pontuais ou linhas de crédito específicas, bem como a tentativa de manter em discussão a agenda de flexibilização da jornada e de remuneração proporcional, defendida pelo PL.

A sessão de quarta-feira no Senado deve indicar não apenas o futuro da escala 6×1, mas também a capacidade do governo e da oposição de rearrumar suas estratégias eleitorais em torno de uma pauta que mexe diretamente com o cotidiano de milhões de trabalhadores.