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Economia

Ibovespa B3 salta 7,7% pós-1º turno e cai com vitória de Lula

Ibovespa bate recorde após o 1º turno, impulsionado por juros menores e forte entrada de capital estrangeiro, mas recua com a vitória de Lula e aumento da aversão ao risco.

Ibovespa B3 salta 7,7% pós-1º turno e cai com vitória de Lula

Mercado Financeiro

Ibovespa registra alta expressiva após o primeiro turno, mas recua diante da vitória de Lula e maior aversão ao risco.

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O Ibovespa b3 viveu um rali histórico entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, chegando ao recorde intradiário de 209 mil pontos, mas virou de humor após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com queda forte dos ativos ligados à Bolsa e ao câmbio futuro.

No pregão seguinte ao primeiro turno, o principal índice da B3 saltou 7,70%, fechando aos 206.911,89 pontos e cravando o maior patamar de fechamento de sua história. Ao longo do dia, o Ibovespa futuro chegou à marca simbólica de 209 mil pontos, embalado por apostas de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, visto por boa parte do mercado como mais comprometido com ajuste fiscal e governabilidade.

Como a vitória de Lula impactou o Ibovespa e o real futuro?

A confirmação de Lula na Presidência derrubou o real futuro em cerca de 9% e fez o ETF do Ibovespa recuar 11% no exterior, numa correção imediata ao cenário que vinha sendo precificado nas semanas anteriores.

A virada de humor reflete aumento da percepção de risco político e econômico, especialmente em relação à condução das contas públicas. Parte relevante dos investidores estrangeiros, que vinham sendo o grande motor da alta da Bolsa, passou a adotar postura mais defensiva, ajustando posições em ativos brasileiros e exigindo prêmio maior para continuar exposta ao país.

Na prática, o movimento pressiona o Ibovespa vale abaixo dos recordes recentes, amplia a volatilidade do Ibovespa futuro e afeta diretamente empresas mais sensíveis a juros e confiança, como varejo, construção civil e educação. O real, que vinha em trajetória de valorização, perde fôlego nos contratos futuros, com o mercado testando novos níveis de equilíbrio para o câmbio.

Entre otimismo e correção: o rali entre os turnos

A disparada da Bolsa começou ainda antes do primeiro turno. No último pregão anterior à votação, o Ibovespa subiu 2,63%, aos 192.144,55 pontos. Na sessão final antes do segundo turno, voltou a avançar, desta vez 0,47%, para 205.082,56 pontos. No intervalo entre as duas datas, a alta acumulada foi de 6,9%.

O rali colocou o índice entre os períodos eleitorais mais positivos das últimas décadas. O movimento, porém, não foi linear: após o pico logo após o primeiro turno, o Ibovespa passou por fase de acomodação, ainda em nível elevado, à espera da definição nas urnas.

O combustível principal, segundo bancos internacionais como Goldman Sachs, foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo, que explicaria cerca de 85% da alta. Juros mais baixos no futuro aumentam o valor presente de ações de empresas que dependem de crédito e investimento, favorecendo papéis de setores como construção, varejo e educação, que chegaram a disparar no período.

O UBS Wealth Management chegou a enxergar potencial adicional de alta de cerca de 25% para o índice, caso se confirmasse um cenário considerado mais amigável ao ajuste fiscal e moderado em termos de risco político.

Fluxo estrangeiro e dólar em queda puxam ativos

Ao lado dos juros, o fluxo estrangeiro deu a outra perna do rali. Em outubro, até o dia 21, a entrada líquida de capital externo somou R$ 20,15 bilhões na B3, segundo dados da própria Bolsa. Em apenas um dia, no início do mês, o ingresso chegou a R$ 10 bilhões, recorde para uma única sessão.

Com o Ibovespa dólar hoje sensível à percepção de risco global e local, esse volume de recursos estrangeiros pressionou a cotação da moeda norte-americana para baixo. Ao longo de outubro, o dólar caiu 4,4% em relação ao real, saindo de R$ 5,21 no início do mês para R$ 4,98 no último pregão antes do segundo turno. No acumulado do ano, a queda chegava a 9,1%.

No câmbio, pesquisas eleitorais e indicadores externos se misturaram. No pregão que antecedeu o segundo turno, o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, descreveu um mercado ainda cauteloso: “Com o passar da tarde, o dólar perdeu fôlego e passa a recuar, tocando seus menores níveis do dia, movimento que pode refletir ajustes pontuais de posição e algum fluxo de recursos do exterior no último pregão antes do segundo turno. Ainda assim, o ambiente continua cauteloso, com pesquisas indicando uma disputa apertada e o debate televisivo marcado para a noite”.

Mesmo com levantamento mostrando Lula e Flávio tecnicamente empatados, a leitura predominante entre profissionais de mercado era de que o senador seguia ligeiramente à frente, com pouco tempo para virada. “O mercado está apostando na vitória de Flávio, por mais que seja apertadíssima, e isso já era comentado desde a manhã”, disse Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora.

Entenda o contexto

O pano de fundo para a aposta pró-Flávio vinha de projeções como a do próprio Goldman Sachs para o câmbio, que via espaço para o dólar recuar a R$ 4,70 em três meses. O cenário pressupunha expectativas de ajuste fiscal, queda do prêmio de risco e uma base de apoio considerada mais favorável ao avanço de reformas no Congresso.

Ao mesmo tempo, Lula carregava desconfiança de parte do mercado financeiro, que teme uma flexibilização maior nas regras fiscais, aumento do gasto público e eventuais intervenções em setores regulados. Essa divisão de expectativas se refletiu diretamente na precificação do Ibovespa bb, do câmbio e das taxas de juros longas.

Com a eleição decidida em favor de Lula, a frase de Rugik acabou se impondo como síntese do que se viu nas telas: “O mercado sempre tem uma leitura antecipada dos fatos para operar, mas às vezes ele erra também”.

Por que o ETF do Ibovespa recuou 11% após as eleições?

O recuo de 11% do ETF do Ibovespa logo após o resultado reflete uma reprecificação rápida de risco, em especial por parte de investidores internacionais que operam o índice brasileiro por meio desses fundos no exterior.

O movimento concentra três fatores. O primeiro é a correção de apostas de curto prazo que vinham embutidas nos preços, baseadas na expectativa de vitória de Flávio. O segundo é o aumento do prêmio de risco exigido em função das incertezas sobre a política fiscal e econômica do novo governo. O terceiro é o efeito dominó de ordens automáticas e recomposição de carteiras globais, que amplifica os movimentos iniciais.

Na prática, o ETF, que replica a carteira do Ibovespa, funciona como termômetro em tempo real da percepção de risco Brasil nos mercados internacionais. A queda expressiva logo após as urnas indica que, para esse grupo de investidores, o equilíbrio de forças no país passou a demandar mais cautela, ao menos até que a equipe econômica e as primeiras medidas oficiais tragam maior clareza sobre o rumo da política econômica.