PSD vence no AM e PE e tenta reverter resultado no RJ no STF
Omar Aziz vence no Amazonas, Raquel Lyra é reeleita em Pernambuco e PSD leva ao STF batalha para tentar restabelecer o segundo turno para governador no Rio de Janeiro.

Eleições 2024
PSD conquista vitórias no Amazonas e Pernambuco e busca reverter decisão sobre segundo turno no Rio de Janeiro.
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O PSD emplaca neste domingo (25) a vitória de Omar Aziz no segundo turno para o governo do Amazonas, consolida a reeleição de Raquel Lyra em Pernambuco ainda no primeiro turno e trava, ao mesmo tempo, uma disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar restabelecer o segundo turno para governador no Rio de Janeiro, após a declaração de Douglas Ruas como eleito com a exclusão dos votos de Garotinho.
Omar Aziz é eleito no Amazonas
Com 34,22% das urnas apuradas, Omar Aziz, do PSD, aparece com 55,27% dos votos válidos e é projetado vencedor no Amazonas, derrotando a candidata do PL, Professora Maria do Carmo, que soma 44,73%. A vantagem consolidada na apuração torna, na prática, irreversível a reviravolta do resultado.
O desempenho no segundo turno confirma a trajetória de Aziz ao longo da campanha. No primeiro turno, ele havia liderado com 40,63% dos votos, deixando Maria do Carmo em segundo lugar, com 24,49%, e o então governador Roberto Cidade em terceiro, com 21,91%.
Senador e ex-governador, Aziz construiu a imagem de político experiente e ligado a pautas trabalhistas e à investigação da pandemia. Ele foi relator da proposta conhecida como PEC do fim da escala 6×1, que classificou como “emenda à Constituição mais importante da história dos trabalhadores brasileiros”.
A adversária, Maria do Carmo, empresária e reitora da universidade Fametro, ancorou a campanha no vínculo com o bolsonarismo. Um dos slogans repetidos em carreatas e redes sociais resumia a estratégia: “Maria é Bolsonaro, Bolsonaro é Maria”. Ela recebeu apoio de figuras da direita, como o pastor Silas Malafaia e parlamentares alinhados ao ex-presidente.
Decisão de Zanin e clima de votação no estado
No Amazonas, a disputa foi atravessada pela decisão inédita do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou por duas horas o horário oficial de votação em todo o país. A determinação foi expedida pouco depois das 17h e pegou seções já em fase de encerramento. Em vários locais, mesários tinham impresso os boletins de urna quando a ordem chegou, gerando confusão sobre como proceder.
Enquanto isso, temas sensíveis para o estado, como os incêndios florestais na Amazônia, ficaram à margem do debate eleitoral. A fumaça das queimadas encobriu cidades, suspendeu aulas, afetou voos e exigiu o envio de aeronaves federais para combate ao fogo. Para o presidente do Ibama, Jair Schmitt, “a guerra política nas redes tem incentivado incêndios criminosos na Amazônia”, o que pressiona o futuro governo Aziz a tratar o tema como prioridade.
Entenda o contexto
A vitória de Omar Aziz devolve ao PSD o comando de um estado-chave na Amazônia, num momento em que a política ambiental e o combate ao desmatamento voltam ao centro das discussões nacionais e internacionais. A combinação de crise climática, queimadas e conflitos em áreas de floresta torna o Amazonas um laboratório de políticas públicas e um palco de disputas entre governo federal, estados e atores econômicos.
Com um governador alinhado ao PSD e com trânsito em Brasília, a expectativa é de maior articulação entre o Palácio do Planalto, o Ibama e governos estaduais da região Norte em operações conjuntas contra crimes ambientais. Ao mesmo tempo, o novo mandato recoloca Azul na vitrine nacional e reforça sua influência interna no partido.
Raquel Lyra é reeleita em Pernambuco
Em Pernambuco, Raquel Lyra, também do PSD, garantiu a reeleição no primeiro turno, com 53,27% dos votos válidos. A confirmação da vitória já na primeira etapa consolidou a liderança da governadora e deu ao partido um segundo governo estadual robusto, desta vez no Nordeste.
Neste domingo, Raquel votou em Caruaru, no Colégio Diocesano, no Agreste, acompanhada do prefeito Rodrigo Pinheiro, de auxiliares do governo, dos filhos e das irmãs. A cena de campanha controlada, cercada de aliados, reforçou a imagem de continuidade administrativa e enraizamento regional.
Com a manutenção do comando em Pernambuco, o PSD amplia o espaço na região e se credencia a negociar protagonismo em pautas de infraestrutura, combate à pobreza e segurança pública no Nordeste. A vitória também fortalece Raquel Lyra internamente, em um partido que se move para ocupar o vácuo deixado por siglas tradicionais.
Como fica o peso regional do PSD
Somadas, as vitórias de Aziz no Amazonas e de Raquel em Pernambuco reposicionam o PSD como uma das principais forças entre os governadores do país, conectando o partido a agendas estratégicas distintas: de um lado, meio ambiente e Amazônia; de outro, desenvolvimento regional e equilíbrio fiscal no Nordeste.
Esse redesenho amplia a capacidade de pressão do partido sobre o governo federal na divisão de recursos, na condução de políticas sociais e nas negociações em torno de reformas econômicas no Congresso.
Disputa no Rio leva briga do PSD ao STF
Enquanto comemora em dois estados, o PSD trava no Rio de Janeiro uma batalha jurídica que pode reabrir a disputa pelo governo fluminense. Após a exclusão dos votos de Garotinho, que concorreu com o registro indeferido e recebeu cerca de 274 mil votos, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a anulação desses votos. A retotalização levou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro a declarar Douglas Ruas eleito no primeiro turno.
O diretório do PSD no estado, liderado por Eduardo Paes, contesta a decisão e tenta reverter o resultado para restabelecer o segundo turno. Na avaliação do partido, a exclusão posterior dos votos de Garotinho alterou artificialmente o resultado da eleição e interferiu na necessidade ou não de uma segunda etapa de votação.
O caso chegou ao STF, que deve dar a palavra final sobre o entendimento jurídico. A discussão gira em torno da definição de voto válido e de até que ponto decisões posteriores ao pleito podem mudar o status da eleição já encerrada.
“Rediscussão afeta a segurança jurídica”, diz advogado
Especialistas veem na disputa um teste para os limites da Justiça Eleitoral. O advogado André Fini Terçarolli, que acompanha o caso, alerta para o impacto institucional da controvérsia. “A rediscussão afeta a segurança jurídica porque prolonga a incerteza sobre quem foi eleito e sobre quais critérios determinam o resultado”, afirma.
Para ele, o ponto sensível é o momento em que a interpretação é alterada. “A distinção decisiva está entre aplicar uma consequência jurídica previamente conhecida e introduzir uma interpretação nova depois da votação. Na primeira hipótese, a retotalização concretiza as regras da disputa. Na segunda, pode frustrar a confiança dos eleitores e dos candidatos, que participaram da eleição sob outra compreensão das consequências de seus atos”, diz Terçarolli.
A controvérsia ecoa também entre eleitores. Um deles, ouvido pela reportagem, resume o sentimento de parte do público ao defender a manutenção do resultado já proclamado: “A vontade popular foi de que Douglas Ruas seja o novo governador, ele foi o mais votado, mudar a decisão do TRE do Rio de Janeiro será visto como conflito de interesses e insegurança jurídica”.
Entenda o contexto
Garotinho disputou a eleição com o registro indeferido, mas teve o nome mantido na urna. Os votos dados a ele foram considerados nulos apenas após o TSE confirmar a situação, o que desencadeou a retotalização e a consequente vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. O PSD argumenta que, nesse cenário, a exclusão dos votos deveria servir apenas para ajustar a contagem, sem mudar o fato de que a disputa iria para o segundo turno.
Do outro lado, defensores da decisão entendem que, se os votos são nulos, eles não podem compor a base de cálculo, e a vitória em primeiro turno é consequência automática das regras. A definição do STF tende a criar um precedente relevante para pleitos futuros, especialmente em casos de candidaturas sub judice.
O impasse no Rio prolonga a indefinição política em um dos maiores estados do país, com reflexos sobre a transição de governo, a montagem de equipes e a percepção de estabilidade institucional por parte de investidores e do próprio eleitorado.
Polarização, meio ambiente e próximos passos
As eleições estaduais se desenrolam em um ambiente de forte polarização nacional, que transborda para temas como segurança pública e meio ambiente. No Amazonas, a ausência de debate consistente sobre as queimadas, mesmo diante do avanço de incêndios e da fumaça sobre a capital, alimenta críticas a candidatos de diferentes campos.
No plano político, o PSD sai deste domingo ampliado e pressionado. Com vitórias em estados estratégicos e sob o holofote de uma disputa jurídica de alto impacto no Rio, o partido ganha peso nas conversas em Brasília, mas também passa a ser cobrado por respostas concretas a problemas complexos, da crise ambiental na Amazônia à necessidade de estabilidade eleitoral e institucional.


