Irã vs Estados Unidos: petróleo cai 7% com avanço nas negociações
Preços do Brent e do WTI caem mais de 7% com sinal de avanço nas conversas de paz entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Catar, em meio a riscos persistentes de oferta no Oriente Médio.

Mercado
Negociações de paz entre Irã e EUA impulsionam queda significativa nos preços do petróleo, apesar de riscos na oferta.
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Os preços do petróleo desabaram mais de 7% nesta segunda-feira, em meio ao avanço das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Catar, para encerrar a guerra que envolve também Israel e aliviar a tensão sobre o abastecimento de óleo cru no Oriente Médio.
O petróleo Brent caiu US$ 9,25, ou 8,15%, para US$ 104,18 o barril, enquanto o WTI recuou US$ 8,08, ou 7,76%, para US$ 96,04. A correção vem após o Brent ter encerrado outubro no nível mais alto em seis meses, em meio ao temor de escalada do conflito na região.
Irã recebe sinal verde interno para negociar
No campo diplomático, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, autorizou formalmente o governo a avançar nas tratativas de paz com Washington. “O líder supremo concedeu ao governo certas atribuições para as negociações de paz”, disse o presidente.
As conversas vêm sendo conduzidas com mediação do Catar. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o objetivo é dar sequência a consultas com os catarianos em um processo que está “em andamento e progredindo”. Um rascunho de proposta de paz já circula entre as partes, e uma reunião de acompanhamento é cogitada.
Pezeshkian indicou que Teerã pretende buscar uma saída negociada para o impasse com os Estados Unidos e Israel, ressaltando que o país “tentará resolver o problema por meio do diálogo”. Araqchi, por sua vez, tem repetido que o Irã se mantém preparado tanto para “a defesa quanto para a diplomacia”, em referência ao conflito militar em curso.
Mercado reage à sensibilidade extrema a notícias do Oriente Médio
No mercado financeiro, analistas apontam que o recuo forte do Brent e do WTI reflete a leitura de que um eventual acordo de paz reduziria o risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo da região.
Pavel Molchanov, analista da Raymond James, avalia que os sinais de progresso entre Irã e Estados Unidos foram suficientes para tirar parte do prêmio de risco embutido nos contratos, mas lembra que o clima ainda é de cautela após uma sequência de “falsas esperanças” nos últimos meses.
Para Giovanni Staunovo, analista do UBS, a volatilidade recente mostra o grau de nervosismo dos investidores. “O mercado de petróleo ainda está reagindo com extrema sensibilidade a cada notícia que vem do Oriente Médio”, afirmou. Segundo ele, o temor de uma escalada iminente puxou os preços para cima na semana passada; agora, com o avanço das negociações, o movimento se inverteu.
Entenda o contexto
O conflito militar e político envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem pressionado o transporte de combustíveis pelo Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte das exportações de petróleo do Golfo. Nas últimas semanas, aumentaram os ataques a petroleiros e as investidas contra infraestrutura energética, especialmente por grupos alinhados a Teerã, como os houthis do Iêmen.
Apesar da deterioração da segurança marítima, há sinais de recomposição parcial da oferta. As exportações de petróleo da Arábia Saudita cresceram em outubro em relação a setembro, mesmo com ataques à infraestrutura do país. Ainda assim, o presidente-executivo da estatal de Abu Dhabi, ADNOC, calculou que quase 1 bilhão de barris foram retirados dos estoques globais desde o início da guerra, em fevereiro, por causa das interrupções no fluxo pelo estreito.
Esse uso acelerado de estoques deixou o sistema mais vulnerável a novos choques, o que aumenta o peso de cada notícia sobre cessar-fogo ou novos bombardeios. A combinação de estoques mais baixos, riscos geopolíticos e decisões de produção dos países do Golfo tem ditado o humor das cotações.
Riscos de oferta ainda sustentam cenários de alta
Apesar do alívio imediato nos preços com o avanço das conversas de paz, casas internacionais seguem destacando que o equilíbrio entre oferta e demanda continua frágil. O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o petróleo, alertando que o Brent pode chegar a US$ 140 por barril em 2027 se a produção do Golfo permanecer 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média projetada para 2025.
Em relatório, o banco ressaltou que “o aumento dos ataques a navios, os danos à infraestrutura petrolífera e um prêmio de risco mais persistente continuam sendo os principais fatores que podem impulsionar uma alta”. Na prática, isso significa que, mesmo com sinais de distensão diplomática, qualquer nova interrupção relevante em terminais, oleodutos ou rotas marítimas pode recolocar pressão altista nas cotações.
Para países importadores e consumidores, o cenário atual representa um alívio imediato na bomba, mas com incertezas no médio prazo. Já produtores e empresas expostas à alta de preços veem com cautela a combinação de possível acordo de paz, aumento das exportações de alguns países do Golfo e ameaça constante de novos ataques.
A continuidade das negociações entre Irã, Estados Unidos e Israel, sob mediação do Catar, e a eventual formalização de um acordo de paz são hoje os principais vetores monitorados por governos, empresas e investidores para avaliar o rumo do mercado de petróleo e o grau de tensão geopolítica no Oriente Médio.


