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Inteligência Artificial

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,92 bi e acelera IA no banco

Itaú Unibanco adquire 100% da NeoSpace por R$ 2,92 bilhões para acelerar a transformação digital, turbinar a plataforma ia.i e personalizar serviços financeiros com inteligência artificial generativa.

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,92 bi e acelera IA no banco

Inteligência Artificial

Itaú investe pesado para impulsionar inovação e personalização em serviços financeiros com IA generativa.

Leia também: Dataside mira R$ 10 bi em resultados com IA até 2031

O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial generativa e análise de dados, em um negócio de R$ 2,92 bilhões que mantém a gestão independente da empresa e mira novos padrões tecnológicos para os serviços financeiros no Brasil e no exterior.

Banco mira nova fronteira de personalização

Com a aquisição, o maior banco privado do país amplia a aposta em soluções baseadas em IA para personalizar produtos, entender melhor o comportamento dos clientes e acelerar a transformação digital de suas operações. A tecnologia da NeoSpace já vinha sendo testada em projetos conjuntos e agora será integrada de forma mais profunda à plataforma de IA generativa do banco, a ia.i.

Em comunicado, o presidente-executivo do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que o país tem chance de liderar essa corrida tecnológica. “O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira”, disse.

Maluhy classificou o negócio como um passo central na estratégia digital do banco. “A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”, declarou.

NeoSpace segue independente e focada em P&D

Apesar da compra integral, a NeoSpace continuará operando com marca própria, preservando sua equipe, estrutura de gestão e projetos de pesquisa e desenvolvimento. O comando segue nas mãos do cofundador e CEO Bruno Pierobon, que fundou a empresa ao lado de Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira.

Pierobon afirma que a entrada definitiva no grupo Itaú não altera a essência da startup. “Essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa”, diz. Segundo ele, o período de parceria com o banco serviu para provar que os modelos avançados da NeoSpace escalam em desafios reais do sistema financeiro. “Nossa parceria com o Itaú nos permitiu avançar nessa ambição, aplicando modelos fundacionais a desafios reais do sistema financeiro e comprovando seu potencial de escala”, afirma.

A relação entre o banco e os fundadores da NeoSpace não é nova. Antes da criação da startup, o Itaú já havia adquirido outra empresa de tecnologia fundada pelo mesmo grupo de empreendedores, o que ajudou a consolidar a confiança entre as partes e abriu caminho para a nova transação.

Entenda o contexto

A compra anunciada hoje é o capítulo mais recente de uma aproximação iniciada quando o Itaú liderou, em janeiro de 2025, uma rodada de investimentos de US$ 18 milhões na NeoSpace, ocasião em que a startup foi avaliada em US$ 100 milhões e atraiu nomes de peso como os investidores Martin Escobari, da General Atlantic, e Micky Malka, da Ribbit Capital.

Desde então, a NeoSpace se firmou como um dos principais símbolos da nova geração de empresas brasileiras de IA. Um levantamento da Universidade Federal de Goiás identificou mais de 50 grandes modelos de linguagem desenvolvidos no país, em iniciativas que incluem companhias como WideLabs, NeuralMind e Clarice.ai. A entrada do Itaú como controlador da NeoSpace reforça esse ecossistema ao adicionar escala financeira e acesso a uma das maiores bases de dados transacionais do Brasil.

O movimento também ocorre em meio a um ciclo de investimentos bilionários em tecnologia no setor financeiro brasileiro, com bancos e fintechs disputando talentos, startups e plataformas capazes de reduzir custos, automatizar processos e criar experiências mais simples para o usuário.

O que faz a tecnologia da NeoSpace

Diferentemente dos modelos de linguagem generativa mais conhecidos do público, usados principalmente para produzir e interpretar textos, a NeoSpace ganhou espaço com o desenvolvimento dos chamados Large Data Models (LDMs). Esses modelos são desenhados para processar grandes quantidades de dados em diferentes formatos — documentos, registros internos, dados de transações e outras fontes corporativas.

Na prática, a tecnologia permite integrar informações espalhadas por sistemas diversos, identificar padrões de comportamento, antecipar necessidades dos consumidores e criar ferramentas mais eficientes de atendimento e relacionamento. Um dos atrativos para bancos e grandes empresas é a possibilidade de treinar modelos com seus próprios bancos de dados, em vez de depender apenas de soluções genéricas disponíveis no mercado.

Além do setor financeiro, a NeoSpace já atua com clientes de áreas como telecomunicações, aviação e energia, usando IA para apoiar decisões de negócios, automatizar análises complexas e construir soluções sob medida para cada segmento.

Impacto para o Itaú e para o mercado

No Itaú, a expectativa é que a incorporação da NeoSpace acelere o desenvolvimento da ia.i, plataforma de IA generativa lançada pelo banco para facilitar o acesso a produtos e serviços por meio de linguagem natural, em texto e voz. A meta da instituição é levar a ferramenta a toda a base de clientes pessoa física do superaplicativo até o fim de 2026.

Com acesso direto à tecnologia e à equipe da NeoSpace, o banco deve ampliar o uso de IA em frentes como atendimento, recomendação de produtos, concessão de crédito, prevenção a fraudes e gestão de investimentos, além de aplicar os modelos a áreas internas como compliance e riscos.

A operação também envia um recado ao mercado financeiro: grandes instituições estão dispostas a abrir o caixa para garantir ativos estratégicos em inteligência artificial, em vez de depender só de parcerias pontuais ou soluções terceirizadas. A tendência é que outras organizações do setor busquem movimentos semelhantes — seja por meio de aquisições, joint ventures ou investimentos em startups especializadas.

Para o ecossistema de tecnologia, o negócio reforça a percepção de que o desenvolvimento de modelos próprios de IA, capazes de dialogar com as especificidades de grandes empresas brasileiras, é um caminho viável para criar valor e atrair capital de longo prazo.