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Inteligência Artificial

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,92 bi e avança em IA financeira

Itaú Unibanco adquire 100% da startup brasileira NeoSpace por R$ 2,92 bilhões e incorpora tecnologia própria de inteligência artificial de dados para acelerar inovação em serviços financeiros.

Itaú compra NeoSpace por R$ 2,92 bi e avança em IA financeira

Inteligência Artificial

Itaú Unibanco expande sua atuação tecnológica ao integrar a startup NeoSpace e suas soluções de IA em dados financeiros.

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O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, em uma aposta para acelerar o uso de IA generativa em seus serviços financeiros e desenvolver tecnologia própria baseada em dados proprietários.

Itaú mira liderança em IA com tecnologia própria

Com valor de mercado de R$ 532 bilhões, o Itaú incorpora a NeoSpace à sua estratégia de longo prazo em inteligência artificial, depois de já ter liderado uma rodada de investimento de US$ 18 milhões na empresa em 2025, quando a startup foi avaliada em US$ 100 milhões. A operação atual consolida a parceria e coloca o banco como dono de uma das plataformas de IA mais avançadas desenvolvidas no país.

Em comunicado, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a aposta em IA é parte central da ambição de manter o banco na vanguarda da inovação financeira. “O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira”, disse o executivo.

Maluhy destacou ainda o caráter estratégico da aquisição para o posicionamento global do banco. “A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”, afirmou.

O que é o Large Data Model da NeoSpace

Fundada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira, a NeoSpace desenvolve grandes modelos fundacionais de IA com uma abordagem diferente dos tradicionais modelos de linguagem (LLMs). Em vez de focar apenas em texto, a empresa criou o conceito de Large Data Model (LDM), capaz de analisar múltiplos tipos e formatos de dados e documentos.

Na prática, o LDM permite que empresas construam modelos de IA especializados em cima de suas próprias bases de dados, em vez de depender de sistemas generalistas treinados em informação pública. Isso abre espaço para previsões mais precisas de comportamento, detecção de padrões complexos e recomendações altamente personalizadas, preservando ao mesmo tempo a confidencialidade e o valor estratégico dos dados proprietários.

Essa arquitetura também reduz a exposição da NeoSpace à concorrência direta de gigantes internacionais como OpenAI e Anthropic, já que a startup não disputa o mesmo tipo de informação, mas fornece infraestrutura para que clientes treinem modelos com seus próprios dados internos.

Startup segue independente e mira expansão global

Pelo acordo, a NeoSpace continuará operando de forma independente, mantendo marca, estrutura e equipe, sob o comando do cofundador e CEO Bruno Pierobon. A preservação da autonomia é vista pelas duas partes como condição para sustentar a velocidade de pesquisa e desenvolvimento da startup.

“Essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa”, disse Pierobon. Segundo ele, a combinação entre o capital e a base de problemas reais do sistema financeiro, trazidos pelo Itaú, e a tecnologia da NeoSpace deve acelerar a criação de novos produtos de IA aplicada.

A empresa já atende clientes em setores como telecomunicações, aviação e energia, e estrutura expansão para Estados Unidos e Europa, onde negocia novos contratos e prepara escritórios locais. Com o aporte bilionário e o apoio do banco, a expectativa é ganhar escala internacional mais rápido, mantendo o desenvolvimento tecnológico no Brasil.

Impacto para o mercado financeiro e para a IA no Brasil

A compra da NeoSpace reforça a tendência de grandes instituições financeiras se tornarem donas de tecnologias centrais de IA, em vez de depender apenas de fornecedores externos. Para o Itaú, significa ter um motor próprio de modelos avançados que pode ser plugado em plataformas como a ia.i, solução de IA generativa do banco desenhada para facilitar a interação de clientes com produtos e serviços via linguagem natural, por texto ou voz.

Ao internalizar uma tecnologia de LDM, o banco ganha capacidade de combinar dados transacionais, históricos de relacionamento, documentos e informações contextuais para oferecer atendimento mais personalizado, apoio à tomada de decisão financeira e detecção precoce de riscos. A expectativa é que, com o tempo, soluções baseadas nessa infraestrutura cheguem a milhões de clientes do superapp do Itaú.

Para o ecossistema de IA brasileiro, o negócio confirma o amadurecimento de um mercado que já conta com mais de 50 modelos de linguagem desenvolvidos localmente por empresas e centros de pesquisa. A NeoSpace se destaca nesse grupo por ter conseguido levantar capital relevante – primeiro com a rodada de US$ 18 milhões, que teve participação de investidores como Martin Escobari, da General Atlantic, e Micky Malka, da Ribbit Capital, e agora com a venda bilionária ao maior banco privado do país.

A operação também pressiona concorrentes, tanto bancos quanto outras startups de IA, a acelerar investimentos em tecnologia própria ou buscar parcerias estratégicas para não perder competitividade em um cenário em que o domínio de dados e modelos se torna diferencial central.

Próximos passos da integração

Nos bastidores, a avaliação é que a primeira fase após a conclusão da transação será dedicada a ampliar os projetos conjuntos já em curso entre Itaú e NeoSpace, hoje focados em desafios reais do sistema financeiro, e a montar uma ponte estruturada entre os times de tecnologia das duas empresas.

A meta do banco é levar gradualmente os avanços da NeoSpace para produtos de varejo, cartões, crédito e investimentos, enquanto a startup segue desenvolvendo aplicações para outros setores da economia e avançando na internacionalização. O desenho atual da operação, com a manutenção da independência da empresa de IA, busca equilibrar escala e velocidade de inovação, em um momento em que o Brasil tenta consolidar um lugar de destaque no mapa global da inteligência artificial.