Nasdaq cai 1% com tombo de 12% da Alphabet e medo da IA hoje
Nasdaq recua mais de 1% em Wall Street com queda de mais de 12% da Alphabet, pressão sobre o setor de tecnologia e temor de juros mais altos após dados de inflação e PIB nos EUA.

Mercado Financeiro
Investidores reagem a resultados negativos da Alphabet e preocupações com a inflação nos EUA, impactando o setor de tecnologia.
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Os principais índices de Wall Street operam em queda na manhã desta quinta-feira (29), com o Nasdaq recuando mais de 1%, pressionado pelo tombo superior a 12% das ações da Alphabet, aumento das preocupações com o custo dos investimentos em inteligência artificial (IA) e a leitura de novos dados de inflação e crescimento econômico nos Estados Unidos.
Alphabet puxa derrocada da tecnologia
Controladora do Google, a Alphabet é o principal eixo da correção. Os papéis caem mais de 12% após resultados considerados fracos na publicidade em buscas e sinal de consumo maior de caixa, ao mesmo tempo em que a companhia acelera os gastos em IA e planeja elevar de forma significativa os investimentos de capital em 2027.
Com esse movimento, a empresa caminha para sua maior baixa diária e pode perder mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado se a queda se mantiver até o fechamento. A desvalorização da Alphabet responde pela maior fatia dos mais de US$ 693 bilhões em perdas que o índice Nasdaq-100 projeta acumular ao longo da sessão.
Para investidores, o ponto sensível é o equilíbrio entre a promessa da IA e o impacto imediato nos lucros. “A sustentação dos benefícios da inteligência artificial será determinante para justificar as avaliações dessas empresas diante da pressão sobre os lucros”, afirma Anders Bylund, analista de tecnologia da The Motley Fool.
Pressão se espalha por software e chips
O mau humor com tecnologia não se restringe à Alphabet. Empresas de software e cibersegurança também entram na rota de correção. As ações da Fortinet recuam mais de 20% depois da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que ficaram aquém do esperado pelo mercado.
A ServiceNow sofre ainda mais: os papéis caem mais de 24% após a companhia apresentar lucro abaixo das estimativas. O índice Philadelphia Semiconductor, que reúne grandes fabricantes de chips, devolve parte das altas recentes e cai após quatro sessões consecutivas de ganho.
No setor industrial, a Caterpillar perde perto de 7%, contribuindo para a baixa do Dow Jones. A manutenção da previsão de vendas anuais levanta dúvidas sobre quanto tempo o impulso da demanda por data centers continuará sustentando o segmento de equipamentos de geração de energia.
Financiamento da IA entra no radar
Enquanto algumas empresas sofrem com resultados, outras enfrentam questionamentos sobre como vão financiar a corrida pela IA em um ambiente de juros elevados. A Microsoft, que apresentou fluxo de caixa acima das expectativas e projeção de forte crescimento na nuvem, vê suas ações cederem quase 1% após a notícia de que pretende captar pelo menos US$ 25 bilhões em sua primeira emissão de títulos com grau de investimento nos Estados Unidos em mais de nove anos.
No mercado, a leitura é de cautela: juros altos encarecem o crédito e podem tornar mais difícil justificar projetos de IA bancados por dívida. O recente pedido de abertura de capital da Anthropic trouxe algum alívio ao sentimento em torno do setor, mas o fôlego foi curto diante da nova rodada de resultados e da percepção de que o custo do dinheiro pode voltar a subir.
Entenda o contexto
Na frente macroeconômica, os investidores digerem números que reforçam o cenário de inflação persistente com atividade forte. O índice de preços de gastos com consumo (PCE), referência importante para a política monetária americana, subiu 0,5% em setembro e acumula alta anual de 3,6%, em linha com as projeções.
Outro dado divulgado hoje mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu acima do esperado no terceiro trimestre, sinalizando uma economia ainda resiliente, apesar do ciclo de aperto monetário recente. Para parte do mercado, essa combinação aumenta o risco de que o Federal Reserve tenha de voltar a subir juros.
“A combinação de atividade resiliente e inflação mais distante da meta reforça a possibilidade de retomada das altas de juros”, avalia Angelo Kourkafas, estrategista sênior de investimentos globais da Edward Jones.
Na véspera, o Fed manteve as taxas de juros inalteradas, como amplamente esperado, e adiou qualquer mudança para depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Ainda assim, a sinalização de que as próximas decisões dependerão dos dados deixa o mercado particularmente sensível a indicadores como o PCE e o PIB divulgados hoje.
No conjunto, a combinação de resultados decepcionantes em tecnologia, gastos crescentes em IA, custo de capital mais caro e perspectiva de juros possivelmente mais altos cria um ambiente de maior aversão ao risco para empresas do setor, com efeitos que se espalham para fornecedores, indústrias ligadas a data centers e demais segmentos dependentes de investimentos intensivos em tecnologia.

