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Inteligência Artificial

Nizan lança IA para turbinar publicidade de pequenos negócios

Publicitário cria ferramenta de inteligência artificial barata e simples, pensada para donos de pequenos negócios em cidades do interior que nunca tiveram acesso a agência de propaganda.

Nizan lança IA para turbinar publicidade de pequenos negócios

Inteligência Artificial

Ferramenta acessível facilita criação de campanhas para empreendedores de cidades pequenas.

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Nizan Guanaes está lançando uma inteligência artificial de publicidade voltada para o pequeno empresário brasileiro, especialmente de cidades pequenas e médias como Trancoso, Belmonte e municípios do interior do Amapá, que nunca contrataram agência e hoje praticamente não aparecem na propaganda.

IA barata, linguagem popular e foco no interior

O projeto nasce com uma meta clara: oferecer uma ferramenta simples, barata e que fale a língua de quem vende no dia a dia. “Eu quero ser a camiseta Hering, eu quero ser o jeans, coisas que são simples para o povo”, resume o publicitário.

Em vez de mirar grandes anunciantes, a plataforma é pensada para o dono da lojinha, da funerária de bairro, da sorveteria de frutas naturais. Nizan diz que esse público não precisa de sofisticação tecnológica, mas de clareza: “Ele não quer complexidade. E ele não quer os termos da propaganda”.

Daí vem o compromisso com uma comunicação direta: “Eu não vou nem falar português, vou falar brasileiro”, afirma. Como exemplo do que chama de “língua do povo”, ele cita slogans improvisados, como o criado na hora para uma funerária: “Por esse preço, nem morto”.

O briefing dado à equipe de tecnologia que constrói a IA também é popular, quase de novela: “Imagina Dona Maria. Eu quero vender para o povão”, contou Nizan, reforçando que toda a lógica do sistema parte dessa personagem simbólica, que representa a maioria dos consumidores brasileiros.

Preço de Big Mac e entrega do “basicão”

O modelo de negócios segue a mesma lógica de acesso. “Eu vou ter o mesmo preço de um Big Mac”, promete o publicitário, ao explicar que a ferramenta será cobrada num patamar compatível com o bolso de micro e pequenos empreendedores.

Na prática, a IA vai entregar o “basicão” da propaganda: ideias de campanhas, textos e peças simples para redes sociais e comunicações do dia a dia, sem recursos sofisticados. Nizan recorre ao jingle clássico do sanduíche de rede de fast-food, que lista apenas os ingredientes essenciais, para ilustrar o conceito de um produto enxuto, sem acessórios desnecessários.

“Eu quero ser a Shopee, eu quero ser a Zara. Eu quero ser o basicão”, diz ele, ligando a proposta à lógica de produtos de massa, fáceis de entender e de usar.

Entenda o contexto

A iniciativa mira um vazio histórico do mercado publicitário: a imensa faixa de pequenos negócios em cidades fora dos grandes centros, que raramente entram no radar de agências tradicionais. Nesses lugares, a comunicação costuma se limitar a boca a boca, cartaz na porta e, mais recentemente, posts improvisados em redes sociais.

Ao oferecer uma IA desenhada para esse público, com linguagem coloquial e custo baixo, o projeto tende a reduzir barreiras econômicas e culturais. Lojas de bairro, prestadores de serviço, pequenos comércios regionais e negócios familiares podem, pela primeira vez, ter acesso a uma espécie de “agência automática” para criar campanhas básicas.

O movimento também pressiona o mercado de comunicação a olhar com mais atenção para a linguagem popular e para o interior do país, espaços que costumam receber menos investimento criativo e tecnológico.

Tecnologia para o básico, gente para a estratégia

A nova IA não substitui a N Ideias, consultoria de Nizan que segue com uma equipe de 12 profissionais dedicada a projetos complexos e sob medida. “A máquina democratiza o acesso, mas não ocupa o lugar do pensamento estratégico”, define o publicitário.

Na divisão que ele desenha, a IA cuida do volume e do básico para quem hoje não tem nenhum apoio profissional, enquanto a consultoria continua responsável por branding, posicionamento e campanhas de alto impacto para grandes clientes e desafios sofisticados.

Nizan também rechaça o medo em torno da inteligência artificial. Ele compara o temor atual às reações que acompanharam a chegada do motor a combustão e da eletricidade e diz que a questão central não é barrar a tecnologia, mas aprender a conviver com ela. “O desafio é de adaptação das pessoas, não de resistência à tecnologia”, afirma.

Aposta, aprendizado e impacto no mercado

O publicitário admite que o projeto ainda é uma aposta em fase inicial, sujeita a ajustes conforme os primeiros usuários começarem a usar a ferramenta. “Eu quero aprender gastando dinheiro. Se não der certo, vai ser o curso mais caro que eu já tive na vida. Mas eu estou aprendendo. Aprendendo, fazendo”, diz.

Se a ideia vingar, pequenos empresários que hoje nunca pensaram em contratar agência podem ter acesso a uma solução de prateleira para criar suas próprias campanhas e ofertas, o que tende a alterar a dinâmica de visibilidade comercial em cidades pequenas e médias.

Ao mesmo tempo, o modelo reforça uma fronteira no mercado publicitário: serviços automatizados para o básico e atendimento humano, estratégico e personalizado para quem pode e precisa de soluções mais complexas.

Para Nizan, a autenticidade da comunicação continua no centro de tudo. Mais do que discutir se uma peça foi feita por pessoa ou máquina, ele insiste que o essencial é ela soar verdadeira para quem recebe: “Fazer esses produtos terem sentido para os consumidores”, resume, ao explicar o objetivo final da nova IA.