Mercados
S&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 398.322▼ 0,70%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 398.322▼ 0,70%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Economia

Small caps sobem 16% em outubro com aposta em corte de juros

Índice de small caps sobe 16% em outubro, dólar recua e juros futuros caem com aposta em vitória de Flávio Bolsonaro e ajuste fiscal. Fragilidade da economia dos EUA adiciona risco ao cenário.

Mercado

Small caps registram alta significativa em outubro impulsionadas por expectativas de corte de juros e cenário político favorável.

Leia também: Empresários exigem blindagem da Zona Franca de Manaus até 2073

O rali das small caps ganha força na reta final das eleições de 2026: o índice de ações de menor capitalização (SMLL) sobe 16% em outubro, bem acima dos 9% do Ibovespa, em meio à queda do dólar, recuo dos juros futuros e a uma leitura dominante no mercado de que a vitória de Flávio Bolsonaro tende a destravar um ajuste fiscal e uma Selic mais baixa a partir de 2027.

Desde o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro abriu dois pontos percentuais sobre Lula, o Ibovespa já avançou mais de 7%, enquanto o dólar cedeu quase 5%. A virada de humor alimenta o chamado “kit Brasil” — combinação de compra de Bolsa e venda de juros — e redesenha as carteiras de fundos multimercados, ao mesmo tempo em que sinais de fragilidade da economia americana elevam a importância do cenário político doméstico.

Small caps lideram rali, mas seguem em forte desconto

O avanço das small caps recoloca na vitrine um segmento que vinha sofrendo nos últimos anos. Mesmo com a disparada recente, o SMLL ainda negocia com desconto de 72% em relação às companhias maiores e não recuperou os níveis pré-crise, o que mantém a percepção de risco elevada entre analistas.

Gestoras veem nas ações mais sensíveis ao ciclo doméstico o principal vetor de alta em um eventual ciclo de cortes mais agressivos da Selic. Setores como varejo, infraestrutura, energia e construção civil concentram boa parte das apostas e respondem de forma mais imediata ao barateamento do crédito e à queda do custo de capital.

Um levantamento do BTG Pactual projeta o impacto direto de um corte de 1 ponto percentual na taxa de juros sobre os resultados corporativos em 2027. Segundo o estudo, a Viveo poderia ter alta de 77% no lucro, a Ecorodovias de 45%, a Auren de 28% e a Minerva de 23%. Das 30 empresas mapeadas, 22 fazem parte do índice de small caps, o que ajuda a explicar a performance superior desse grupo em outubro.

A Eleven avalia que essas ações têm potencial para liderar a próxima perna de valorização da Bolsa, desde que o cenário de queda consistente da Selic se confirme. Já a Ágora Investimentos chama atenção para o outro lado da moeda: se a trajetória de juros mais baixos não se materializar, o desconto das small caps pode persistir — ou até se aprofundar.

Fundos multimercados divergem após rali

O movimento pós-primeiro turno beneficiou especialmente os fundos multimercados que estavam posicionados no “kit Brasil”. Casas como Legacy Capital, Opportunity e Dahlia surfaram a combinação de Bolsa em alta e juros futuros em queda na primeira perna do rali.

Depois do ganho rápido, porém, as estratégias começaram a se dispersar. A Reach Capital, cujo principal fundo acumula cerca de 14% de alta no período recente, passou a concentrar as apostas em ações ligadas ao consumo, diretamente favorecidas por uma Selic mais baixa e uma recuperação da renda. A Occam, por sua vez, optou por reduzir a exposição à Bolsa, em um movimento de realização de lucros e maior cautela com o risco político.

Gestores destacam que boa parte da “boa notícia” já está nos preços, o que aumenta a chance de frustração caso o segundo turno não entregue o cenário esperado de ajuste fiscal robusto. Nesse contexto, muitos multimercados têm reforçado proteções em dólar, ouro, criptomoedas e ativos reais, numa tentativa de blindar as carteiras diante de eventual reversão de fluxo para países desenvolvidos.

Entenda o contexto

A reação favorável dos ativos locais reflete a percepção de que um novo governo com compromisso mais firme com o controle da dívida pública abriria espaço para a queda da Selic. Hoje, o juro real elevado funciona como travão para investimentos produtivos, crédito e consumo.

O otimismo não se restringe a um único cenário político. Para parte do mercado, o gatilho decisivo é a qualidade do ajuste fiscal, independentemente de quem vença. O risco é que, passado o segundo turno, a agenda de cortes de gastos e revisão de subsídios não avance, mantendo as expectativas de inflação pressionadas e limitando o espaço para o Banco Central reduzir os juros.

Felipe Miranda vê Bolsa com potencial de alta de 35%

Entre os mais otimistas com o Brasil, o fundador da Empiricus, Felipe Miranda, avalia que o mercado acionário já entrou em um ciclo de alta. “A Bolsa brasileira já entrou em um ciclo de alta e pode avançar mais 35%, impulsionada pela expectativa de ajuste fiscal após as eleições”, afirma.

Nas contas de Miranda, em um cenário benigno, o Ibovespa poderia chegar a uma faixa entre 350 mil e 400 mil pontos ao fim do ciclo. Ele enxerga espaço para valorização mesmo em caso de reeleição de Lula, desde que o governo sinalize medidas críveis para conter a trajetória da dívida pública.

O investidor projeta que, na primeira etapa do movimento, ações diretamente ligadas à queda de juros devem liderar os ganhos. Depois, as small caps tenderiam a assumir o protagonismo, com potencial — na avaliação dele — de multiplicar de forma expressiva o valor investido ao longo dos próximos anos. Se o ajuste fiscal não se concretizar, porém, Miranda alerta para riscos relevantes na renda fixa doméstica, o que justificaria, na sua visão, maior diversificação em ativos no exterior e em proteções como ouro e criptomoedas.

Economia dos EUA pode pressionar juros globais?

A economia americana entra no cálculo de risco dos gestores brasileiros. Embora a atividade ainda mostre resiliência em vários indicadores, sinais crescentes de fragilidade no mercado de trabalho e na confiança das pequenas empresas alimentam o debate sobre o próximo passo do Federal Reserve.

Segundo Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, “a criação de empregos ficou praticamente estagnada no último ano quando excluído o setor de saúde”. Ao mesmo tempo, pesquisas de confiança mostram que pequenas empresas relatam queda nas vendas e maior pessimismo — um comportamento que, historicamente, se intensifica em fases de contração econômica.

A inflação também voltou a incomodar. O índice de preços ao consumidor acelerou de 3,4% para 3,7% em setembro, reacendendo as apostas de que o banco central americano possa manter os juros elevados por mais tempo ou até promover novas altas. Zandi alerta que taxas persistentemente altas encarecem projetos intensivos em capital, como grandes investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, e podem dificultar a captação de recursos para empresas do setor.

A combinação de custo de dinheiro maior e dúvidas sobre o crescimento disparou uma onda global de volatilidade, com vendas fortes em ações de tecnologia e bolsas asiáticas em queda acentuada. Para o Brasil, esse ambiente significa um prêmio de risco mais alto exigido por investidores estrangeiros, o que pode limitar a intensidade do ciclo de cortes da Selic, mesmo com avanço na agenda fiscal.

Renda fixa fica mais arriscada sem queda da Selic

No Brasil, parte do mercado chama atenção para o risco específico da renda fixa diante desse quadro. O atual rali dos ativos de risco veio acompanhado de forte compressão nos juros futuros, beneficiando posições aplicadas em títulos prefixados e atrelados à inflação.

Se o cenário de ajuste fiscal robusto e juros menores não se confirmar, esses papéis podem sofrer, com alta das taxas e queda dos preços, penalizando principalmente investidores que alongaram demais o prazo dos títulos em busca de rendimento maior.

Analistas sugerem uma abordagem mais equilibrada: combinar empresas com forte alavancagem operacional e grande sensibilidade à queda dos juros — que podem se beneficiar muito num cenário benigno — com negócios resilientes, capazes de entregar lucro mesmo em ambiente de Selic alta. Na renda fixa, a recomendação predominante é evitar concentração excessiva em prazos longos e manter alguma proteção cambial.

Nas próximas semanas, o resultado do segundo turno e os primeiros sinais concretos sobre a política fiscal a partir de 2027 devem definir se o rali das small caps e a aposta em juros mais baixos ganharão novo fôlego ou se o mercado terá de recalibrar rapidamente suas expectativas.