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Economia

Golpe no RS faz idoso perder 2,3 mil cabeças de gado e R$11 mi

Polícia Civil do RS deflagra Operação Apropriare em Santiago após golpe que desviou 2.388 cabeças de gado de produtor de 91 anos. Prejuízo passa de R$ 11 milhões.

Golpe no RS faz idoso perder 2,3 mil cabeças de gado e R$11 mi

Economia Rural

Golpe em Santiago resulta em grande prejuízo para produtor idoso, com desvio de milhares de cabeças de gado.

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Um produtor rural de 91 anos em Santiago, na região central do Rio Grande do Sul, perdeu 2.388 cabeças de gado em um golpe que, segundo a Polícia Civil, pode ter causado prejuízo superior a R$ 11 milhões e quase cortou pela metade o rebanho registrado nas propriedades.

O que aconteceu com o idoso que perdeu mais de 2,3 mil cabeças de gado?

O produtor tinha, nos registros oficiais da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), um rebanho de 4.793 bovinos. Quando a contagem física foi feita nas fazendas, porém, só foram encontrados 2.405 animais. A diferença de 2.388 cabeças é o alvo central da investigação da Operação Apropriare.

De acordo com a Polícia Civil, o principal investigado é um ex-gerente das propriedades rurais, que administrou o rebanho por quase uma década. “O principal investigado é um ex-gerente das propriedades rurais, que administrou o rebanho entre 2016 e 2025. Ele foi demitido após a constatação do desfalque”, informou a corporação.

O prejuízo calculado leva em conta o valor médio de mercado do gado de corte na região. A perda direta de mais de 2,3 mil animais atinge em cheio a capacidade produtiva do idoso, reduz o fluxo de caixa das fazendas e compromete investimentos futuros em reprodução, pastagens e estrutura, além de afetar funcionários e fornecedores ligados à atividade.

Como a polícia está investigando o desvio de gado em Santiago?

A investigação começou após o próprio produtor perceber o sumiço de animais e comunicar o caso à polícia. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santiago assumiu o inquérito e, com apoio da Seapi, passou a cruzar dados de Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais, escrituras e extratos bancários obtidos com autorização judicial.

As apurações apontam que parte do golpe se deu com transferências ilegais de gado dos registros do idoso para o cadastro de um familiar do ex-gerente. Esse cadastro estaria vinculado a uma unidade produtiva instalada dentro da própria fazenda da vítima, sem qualquer pagamento correspondente pelas cabeças de gado movimentadas.

Os investigadores também identificaram lançamentos de nascimentos de terneiros em cadastros ligados aos suspeitos no mesmo dia em que animais eram transferidos para outra propriedade, o que indica tentativa de inflar artificialmente o rebanho declarado pelos investigados. Além disso, há notas fiscais de venda de gado sem qualquer movimentação financeira entre as partes, sugerindo negócios fictícios usados para esquentar os desvios.

Diante desses indícios, a Polícia Civil pediu uma série de medidas cautelares à Vara Criminal da Comarca de Santiago, que atendeu integralmente às representações. Nesta quarta-feira, 21 de outubro, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, quatro em Santiago e um em São Vicente do Sul.

Na ação, os policiais apreenderam 400 bovinos suspeitos de integrar o esquema, uma caminhonete Toyota/Hilux e promoveram o sequestro de um imóvel rural. Também houve bloqueio de contas bancárias e de criptoativos dos investigados, para tentar garantir futura reparação de danos.

A análise financeira identificou ainda a compra de uma caminhonete no início do ano e de uma área rural em Santiago em julho, com forte indício de maquiagem de valores. Na escritura do imóvel, consta o preço de R$ 50 mil, mas extratos bancários mostram pagamentos de R$ 179 mil ao vendedor. A discrepância levou a polícia a incluir o crime de falsidade ideológica entre as suspeitas.

Ao todo, seis pessoas são investigadas. “Ao todo, seis pessoas são investigadas. Elas podem responder, na medida de sua participação, por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica”, afirmou a Polícia Civil.

Como o roubo de gado impacta a pecuária na região de Santiago?

O desvio de 2.388 cabeças de gado em uma única propriedade pressiona não só o produtor lesado, mas também o ambiente de negócios da pecuária em Santiago e municípios vizinhos. Em um setor em que boa parte das transações ainda depende de relações de confiança, fraudes internas como a apontada na Operação Apropriare elevam a desconfiança entre parceiros comerciais.

Na prática, casos desse porte tendem a encarecer o controle de rebanhos e operações de compra e venda, com mais exigência de documentos, auditorias internas e conferência de GTAs, o que aumenta custos administrativos para pecuaristas e compradores. Para quem trabalha com gado de corte em escala menor ou com estrutura familiar, especialmente produtores idosos que delegam a gestão do rebanho, a vulnerabilidade é maior.

O impacto econômico também passa pela perda de capacidade de oferta de animais para abate e engorda, o que pode afetar contratos já firmados, prazos de entrega e capacidade de honrar dívidas. No curto prazo, a apreensão de 400 bovinos, o sequestro de um imóvel e o bloqueio de contas retiram ativos de circulação e atingem a cadeia de fornecedores de insumos, transportadores e comerciantes de gado da região.

Entenda o contexto

A Operação Apropriare é mais um capítulo da reação do poder público a crimes patrimoniais no campo, em um momento de preços elevados do gado e de forte peso da pecuária na economia gaúcha. Em Santiago, a parceria entre a Draco e a Seapi, por meio da inspetoria veterinária, busca fechar o cerco contra fraudes em registros de rebanho e no trânsito de animais.

O caso do produtor de 91 anos funciona como alerta para outros pecuaristas sobre a importância de conferir periodicamente o rebanho físico, acompanhar de perto a emissão de GTAs e notas fiscais e monitorar eventuais sinais de enriquecimento incompatível de funcionários que lidam diretamente com o gado. A Polícia Civil segue investigando o destino das cabeças de gado desviadas e de outros bens possivelmente comprados com recursos oriundos do golpe, e novas apreensões e bloqueios não estão descartados.