Squarespace corta 19% do time global e acelera reestruturação
Squarespace corta cerca de 300 funcionários, quase um quinto da força de trabalho, em reestruturação para focar em inteligência artificial e acelerar próxima fase de crescimento.

Tech Desk
A empresa reduz equipe para investir em inteligência artificial e impulsionar seu crescimento futuro.
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A Squarespace, plataforma de construção e hospedagem de sites, está demitindo cerca de 19% de sua força de trabalho global, o equivalente a aproximadamente 300 funcionários, em uma reestruturação que busca tornar a operação mais enxuta e acelerar a próxima fase de crescimento da empresa.
Demissões e justificativa da empresa
O corte atinge equipes em diferentes áreas da companhia, em uma mudança de alcance global. A decisão foi confirmada por Jeff Seedman, especialista em relações públicas que representa a Squarespace, em comunicado enviado à imprensa.
“Squarespace is restructuring its organization and reducing its global workforce by approximately 19%, representing around 300 employees”, afirmou Seedman. Segundo ele, “the changes are intended to simplify how we operate, sharpen our priorities and enable the company to move faster as we position Squarespace for its next phase of growth”.
Na prática, a empresa busca simplificar processos internos e concentrar recursos em frentes consideradas estratégicas, em especial em produtos apoiados por inteligência artificial.
Entenda o contexto
O mercado de criação de sites passa por uma transformação acelerada com o avanço da inteligência artificial generativa. Ferramentas capazes de montar páginas a partir de comandos simples — o chamado “vibe-coding” — reduzem o esforço necessário para criar interfaces e pressionam os modelos tradicionais de negócio do setor.
Concorrentes diretos da Squarespace vêm se movendo rápido. A Wix pagou US$ 80 milhões pela startup Base44, voltada a tecnologia de AI para web, e outros players especializados, como a Lovable, atraíram grandes aportes: a empresa levantou US$ 400 milhões em rodada Série C e alcançou avaliação de US$ 13,3 bilhões. No front das big techs, o Google lançou o Stitch, recurso que gera designs de interface de forma quase instantânea.
Para não ficar para trás, a própria Squarespace intensificou a aposta em inteligência artificial. A companhia lançou a ferramenta Blueprint e anunciou a plataforma Forma, projetada já como nativa em AI, com lista de espera aberta para interessados em testar os novos recursos.
Impacto para funcionários e para o negócio
O corte de cerca de 300 postos de trabalho representa uma mudança relevante na estrutura operacional. Áreas de desenvolvimento, suporte e inovação tendem a sentir mais diretamente a reestruturação, que leva a uma operação mais enxuta ao mesmo tempo em que amplia a pressão sobre as equipes que permanecem.
Para os profissionais desligados, o impacto é imediato, com perda de renda e necessidade de recolocação em um mercado de tecnologia que também vive ajustes em várias empresas. A Squarespace não detalhou publicamente quais regiões ou departamentos são mais afetados, nem os pacotes de indenização oferecidos.
Do lado corporativo, a expectativa é que a empresa ganhe agilidade para disputar espaço com rivais que já investem pesado em AI e ampliar o apelo de suas ferramentas para criadores, pequenas empresas e marcas que buscam construir presença digital com menos complexidade técnica.
Pressão de mercado e fase pós-privatização
A reestruturação acontece em um momento em que a Squarespace tenta reposicionar o negócio após oscilações de interesse de investidores. A companhia abriu capital com avaliação de US$ 10 bilhões e, anos depois, passou por um acordo de private equity de US$ 7 bilhões, voltando a ser uma empresa de capital fechado.
Ao reduzir custos e redirecionar esforços para produtos baseados em AI, a gestão tenta mostrar capacidade de adaptação a um cenário em que soluções automatizadas e integradas ao fluxo de trabalho de designers e desenvolvedores se tornam padrão de mercado.
A movimentação também afeta o ecossistema em torno da Squarespace, de parceiros a fornecedores que dependem do volume de clientes e da cadência de lançamentos da plataforma. Os próximos passos da empresa incluem consolidar a nova estrutura organizacional, avançar no lançamento de ferramentas como a Forma e comprovar, na prática, que a aposta em inteligência artificial é suficiente para sustentar uma nova fase de crescimento.


