Centrão mantém Flávio, mas aposta em virada de Lula até 25/10
Bloco mantém apoio formal a Flávio Bolsonaro, mas articula no Congresso pautas que favorecem Lula. Líder prevê virada apertada do petista no segundo turno do dia 25.

Política
Bloco do Centrão segue com Flávio Bolsonaro, mas articula no Congresso para favorecer Lula na reta final da eleição.
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O Centrão mantém o apoio formal a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, mas atua nos bastidores de Brasília para aprovar pautas que favorecem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto um dos principais líderes do bloco diz a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditar em uma virada do petista na votação do dia 25 de outubro, por uma diferença de cerca de um milhão de votos.
Centrão declara apoio a Flávio, mas ajuda Lula no Congresso
Segundo relatos feitos a ministros do STF, o presidente de um partido do Centrão avalia que Lula deve ultrapassar Flávio Bolsonaro e terminar o segundo turno na frente, embora com margem menor do que a disputa presidencial anterior. A leitura, no entanto, ainda não aparece nas pesquisas: os levantamentos mais recentes mostram Lula praticamente estagnado e uma leve queda de Flávio, sinal de desgaste do candidato do PL mais do que de crescimento do petista.
Ao mesmo tempo, os partidos do Centrão se alinham oficialmente à candidatura de Flávio Bolsonaro, com exceção do PSD, mas se movimentam no Congresso para votar projetos de interesse do governo Lula em plena reta final eleitoral. A estratégia é vista por analistas como uma forma de o bloco preservar e, se possível, ampliar sua influência qualquer que seja o resultado das urnas.
Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, resume esse comportamento como uma atuação em duas frentes. “É muito curioso esse jogo duplo que o Centrão acaba fazendo”, afirma. Para ele, líderes do bloco utilizam o apoio público a Flávio para manter pontes com a direita, enquanto mandam sinais de colaboração ao Planalto em votações sensíveis.
Entenda o contexto
O avanço da direita e a expansão do PL no Congresso colocaram o Centrão em alerta. O partido de Flávio Bolsonaro cresceu justamente em nichos eleitorais e cadeiras legislativas tradicionalmente ocupados por siglas do bloco. Isso alimenta, entre caciques do Centrão, o temor de perder ainda mais espaço em caso de consolidação da direita sob a hegemonia do PL.
Nesse cenário, uma eventual reeleição de Lula pode ser vista como menos ameaçadora para o poder do Centrão do que a vitória de um candidato do PL que lidera hoje a maior bancada do Congresso. “Coloca dúvidas se ele talvez não prefira até um presidente Lula reeleito, face que o PL cresceu na Câmara e no Senado exatamente em espaços que o Centrão perdeu”, avalia Barreto.
A previsão de um líder do bloco, compartilhada em reservado com ministros do STF, é que Lula vença o segundo turno por cerca de um milhão de votos. A margem apertada ajuda a manter o cenário de incerteza e a reforçar a relevância dos acordos parlamentares costurados agora para garantir governabilidade a partir de 1º de janeiro, seja qual for o vencedor.
Lula busca conservadores e tensiona o PT
Enquanto o Centrão joga dos dois lados, Lula tenta ampliar sua base junto ao eleitorado conservador. Um dos movimentos mais comentados foi a defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos, tema historicamente rejeitado pelo PT e por boa parte da esquerda.
Para Barreto, essa guinada expõe divisões internas. Ele observa que a fala de Lula “racha tanto o partido quanto a história do PT nessa matéria” e indica um cálculo eleitoral de curto prazo: buscar apoio em segmentos que priorizam segurança pública e endurecimento penal, mesmo com o risco de desagradar militantes e aliados tradicionais.
O gesto também dialoga com a leitura de que o segundo turno segue imprevisível e que, na reta final, cada nicho de votos pode ser decisivo, em especial entre os eleitores que rejeitam a extrema direita, mas ainda desconfiam de Lula.
Campanhas tateiam eleitor indeciso
Do lado das campanhas, a avaliação é que ainda há uma fatia relevante de eleitores indecisos ou propensos a mudar de voto até o dia 25. Sem um mapa claro de onde estão esses votos, as equipes recorrem a uma espécie de “tentativa e erro”, como descreve Barreto.
“Se fala da MEI, se fala da questão do transporte, se fala da questão da maioridade penal”, enumera o analista. A aposta é testar temas com forte apelo econômico e de serviços do dia a dia, combinados com pautas de segurança, para ver onde há maior resposta do eleitorado.
Nesse ambiente, o jogo duplo do Centrão pesa na balança. Ao mesmo tempo em que oferece tempo de TV, palanques locais e estrutura para Flávio Bolsonaro, o bloco ajuda a destravar no Congresso projetos que podem ser usados por Lula como trunfo na campanha. O resultado é um segundo turno marcado por disputas acirradas, negociações permanentes e um tabuleiro em que o Centrão se move para continuar no centro do poder, qualquer que seja o presidente eleito.
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