Datafolha mostra empate técnico entre Flávio e Lula
Levantamento Datafolha aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno presidencial, com 50% dos votos válidos para cada um a dois dias da eleição.

Eleições 2024
Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre os candidatos a dois dias do segundo turno presidencial.
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Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (23) coloca Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em empate técnico na disputa presidencial, com 50% dos votos válidos para cada um, e reforça o clima de incerteza a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
Flávio tem 50,47% e Lula 49,53% nos válidos
Nos votos válidos, antes do arredondamento, Flávio aparece com 50,47% e Lula com 49,53%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Esse é o recorte usado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial.
O levantamento foi realizado de terça (20) a quinta-feira (22), com entrevistas presenciais a 2.520 eleitores em 154 cidades de todo o país. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09709/2026.
Os números consolidam o cenário de disputa mais apertada desta eleição. No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, diferença que agora praticamente desaparece às vésperas da decisão.
Votos totais, brancos, nulos e indecisos
Quando são considerados os votos totais — incluindo brancos, nulos e indecisos — Flávio tem 47% e Lula, 46%, também em empate técnico pela margem de erro. Nessa conta, 5% declaram intenção de votar em branco ou anular o voto, e 2% ainda estão indecisos.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistador não apresenta a lista de candidatos, o resultado repete o quadro apertado: 47% dizem votar em Flávio e 46% em Lula, com 4% sem saber em quem votar.
Segundo o Datafolha, “dizem estar decididos acerca do voto 94%, número que oscila para 96% entre lulistas e 95% entre bolsonaristas”. O alto grau de decisão reforça a avaliação de que há pouco espaço para grandes viradas, mas a margem de erro mantém a disputa em aberto.
Entenda o contexto
A pesquisa captura o impacto de uma semana marcada pelo primeiro debate entre os dois candidatos neste segundo turno, no domingo (18), e por gestos de governo e de campanha voltados a segmentos específicos do eleitorado.
Lula apostou em medidas econômicas e sociais, como a antecipação do pagamento do Bolsa Família, dentro de um pacote que já soma quase R$ 300 bilhões em gastos anunciados durante a campanha. Ao mesmo tempo, reativou sua militância digital com o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que reúne 7 milhões de usuários e se tornou motor de engajamento entre apoiadores.
Flávio, por sua vez, intensificou a campanha negativa no horário eleitoral e nas redes, reagindo a acusações e se apoiando na mobilização de rua promovida pelos chamados “bloquinhos do Nikolas”, grupos organizados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em atos presenciais.
O debate televisivo entre os dois foi tenso, com troca de provocações e acusações diretas. Ao final, dirigentes das duas campanhas reconheceram que, apesar de tentarem destacar feitos e promessas, “cada campanha buscou vender algo positivo alcançado, mas todos concordam que o eleitor indeciso ficou sem nada ante a agressividade e a falta de propostas em discussão”.
Regiões, renda e religião acirram polarização
O levantamento mostra um país dividido por região, renda e perfil religioso, o que ajuda a orientar a reta final das campanhas. No Sudeste, que concentra 42% do eleitorado, Flávio mantém vantagem sobre Lula em 51% a 41%. No Sul, onde estão 14% dos eleitores, a dianteira do senador é ainda maior: 58% a 33%.
Entre evangélicos, segmento-chave na eleição, Flávio registra 69% das intenções de voto, contra 26% de Lula. Já o presidente concentra suas principais forças no Nordeste, região que reúne 27% do eleitorado, onde lidera por 65% a 30%.
Lula também se destaca entre os mais pobres, grupo que representa 46% dos eleitores, com 54% das intenções de voto, ante 39% de Flávio. Entre os menos escolarizados, o petista também aparece à frente, com 53% a 40%.
Na divisão por gênero, ambos avançam em nichos onde antes perdiam. Entre as mulheres, que são 51% do eleitorado, Flávio passa de 40% para 44% desde a rodada anterior, enquanto Lula se mantém na liderança, com 49%. Entre os homens, que somam 49% dos eleitores, o senador oscila de 52% para 50%, e Lula sobe de 40% para 44%, encurtando a diferença.
Abstenção e distância até o local de voto
A abstenção no primeiro turno foi de pouco mais de 21% do eleitorado, número que preocupa as campanhas, especialmente a de Lula, que tem melhor desempenho entre quem mora longe da seção eleitoral ou em outra cidade.
Nesse grupo, o presidente aparece à frente por 51% a 43%. Já entre os eleitores que vivem perto do local de votação, Flávio lidera por 48% a 45%. A diferença reforça a importância da logística para garantir que eleitores de baixa renda e de regiões periféricas consigam chegar às urnas no domingo.
Entre os que dizem ter votado no primeiro turno, a vantagem é de Flávio: 51% afirmam pretender repetir o voto no senador, enquanto 49% dizem que vão escolher Lula. O dado expõe o desafio da campanha petista de atrair quem se absteve na primeira rodada ou pretende anular o voto.
Como o eleitor decide o voto?
A pesquisa mostra que o voto é, majoritariamente, afirmativo, mas com um componente relevante de rejeição ao adversário. “Em relação ao motivo do voto, no cômputo geral 73% afirmam escolher o melhor candidato, ante 18% que dizem votar para derrotar o outro.”
Entre os eleitores de Lula, 81% dizem votar por considerá-lo o melhor nome, e 13% para impedir a vitória de Flávio. Já entre os que declaram voto no senador, 65% afirmam escolher o candidato preferido, e 23% têm como principal motivação barrar o petista.
Apesar do cenário duro, apenas 2% do eleitorado segue indeciso, e 5% planejam anular ou votar em branco. O número reduzido de eleitores sem posição indica uma reta final focada em mobilização, não em convencimento em massa.
Expectativa de vitória e clima pós-eleitoral
Embora os números de intenção de voto estejam empatados, a percepção de quem vai vencer pende para Flávio Bolsonaro: 53% dos entrevistados acreditam que o senador sairá vitorioso no domingo, contra 39% que apostam em Lula. Outros 8% dizem não saber quem deve ganhar.
Esse tipo de expectativa pode influenciar tanto o engajamento de militantes quanto a disposição de parte do eleitorado para ir às urnas, em um cenário em que a abstenção volta a ser vista como fator decisivo para o resultado final.
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