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Gestão

Dustin Moskovitz revela por que evitou ser chefe e critica gestão

Cofundador do Facebook e ex-CEO da Asana, Dustin Moskovitz afirma que liderar foi “exaustivo” e joga luz sobre dado alarmante: 82% dos gestores chegam ao cargo sem preparo formal.

Dustin Moskovitz revela por que evitou ser chefe e critica gestão

Tech Desk

Dustin Moskovitz comenta os desafios da liderança e destaca a falta de preparo formal entre gestores atuais.

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Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook e ex-CEO da Asana, admitiu em entrevista recente que nunca quis ser chefe e que o cargo de presidente da empresa de software foi “bastante exaustivo”, num raro relato de vulnerabilidade que escancara a realidade de milhões de gestores promovidos sem preparo formal e hoje no limite do desgaste emocional.

Quem é Dustin Moskovitz e qual foi seu papel na fundação do Facebook?

Dustin Moskovitz é um dos cofundadores do Facebook e foi o primeiro diretor de tecnologia da rede social criada em um dormitório de Harvard, ao lado do então colega de quarto Mark Zuckerberg. Depois de deixar a empresa, fundou a Asana, plataforma de gestão de projetos avaliada em cerca de 3 bilhões de dólares, onde acabou passando 13 anos como CEO antes de deixar o comando.

Na nova empreitada, ele planejava atuar em funções mais técnicas ou como uma espécie de líder de engenharia, dividindo a construção do produto com o cofundador Justin Rosenstein. Na prática, porém, “uma coisa levou à outra” e Moskovitz acabou à frente da gestão da companhia, função que ele agora diz nunca ter desejado assumir.

Por que Dustin Moskovitz achou ser CEO uma experiência exaustiva?

Dustin Moskovitz afirma que a experiência de ser CEO foi exaustiva porque ele é introvertido, não gosta de gerenciar pessoas e precisou “colocar uma máscara” todos os dias para desempenhar um papel que não combinava com seu perfil. “I just found it quite exhausting”, disse o empreendedor na entrevista, acrescentando em seguida: “I don’t like to manage teams”.

Segundo ele, a expectativa era que, com o crescimento da Asana e a possibilidade de delegar tarefas, o desgaste diminuísse. O efeito, porém, foi o oposto. Moskovitz contou que o mundo corporativo se tornou cada vez mais reativo, pressionado por crises sucessivas, o que transformou o cargo em uma função centrada em apagar incêndios, e não em construir a empresa no longo prazo.

“The world just kept getting more chaotic—the first Trump presidency and the pandemic and all the race stuff—it made it just a lot less of the company building, being a CEO is a lot more reacting to problems and doing this sort of thing”, resumiu. O resultado, nas palavras dele, foi a sensação de atuar o tempo todo atrás de um escudo emocional, distante de sua vocação original mais técnica.

Gestores ‘acidentais’ são maioria nas empresas

O relato do cofundador do Facebook ecoa um fenômeno crescente no mercado de trabalho: os chamados “gestores acidentais”. Pesquisas citadas nas reportagens sobre a fala de Moskovitz indicam que 82% dos gestores chegam ao cargo sem qualquer treinamento formal em liderança, promovidos principalmente por se destacarem em funções técnicas.

Esses profissionais, muitas vezes especialistas em engenharia, tecnologia ou operações, são colocados para chefiar times com a lógica de “mostrar o caminho” aos colegas. O problema é que nem sempre querem liderar ou têm aptidão para lidar com conflitos, feedbacks difíceis, saúde mental da equipe e decisões impopulares. Na prática, isso gera insegurança, decisões erráticas e dificuldade para reter talentos.

Um quarto desses gestores acidentais acaba chegando a posições de alta liderança, o que amplia o potencial de impacto negativo sobre cultura, clima e resultados. Ao mesmo tempo, a pressão sobre quem assume o cargo sem preparo aumenta o risco de burnout e de abandono da carreira de gestão, como ilustra a própria saída de Moskovitz da chefia da Asana depois de 13 anos.

O que mudou no trabalho de um gestor

Se historicamente o papel do chefe era garantir produtividade e bater metas, hoje o escopo se expandiu de forma brusca. Gerrit Bouckaert, CEO da consultoria de recrutamento Robert Walters, que atua em 31 países, resume essa mudança ao lembrar que o gestor moderno acumula funções técnicas, culturais e emocionais.

“In the past, a manager’s primary role was to keep employees motivated and productive”, disse Bouckaert. “In today’s world, they are required to drive the culture and inclusion in the team, lead on digital adoption, possess an innate ability to know if a member of their team is struggling mentally, and also be the bearer of bad news—be it delayed promotions, or muted pay rises.”

Em outras palavras, o chefe virou, ao mesmo tempo, guardião da cultura, agente de transformação digital, ponto de apoio em questões de bem-estar e porta-voz de más notícias. Sem treinamento consistente em habilidades interpessoais e inteligência emocional, muitos gestores tentam aprender “no susto” e acumulam frustração, culpa e sensação de inadequação.

Entenda o contexto

As declarações de Moskovitz foram dadas em entrevista a um analista de tecnologia e ganharam repercussão ao serem destacadas em reportagem de carreira publicada por uma revista de negócios internacional. A conversa revisita sua trajetória desde a saída do Facebook, passando pela criação da Asana, até a decisão de deixar o comando da empresa após consolidá-la como uma das principais plataformas de gestão de projetos do mercado.

A reportagem conecta o caso do cofundador do Facebook aos dados sobre gestores acidentais e a alertas de especialistas em recrutamento e liderança. A combinação de pressão crescente, objetivos ambiciosos e falta de preparo formal cria um ambiente em que tanto funcionários quanto gestores avaliam com mais cuidado se vale a pena subir na hierarquia.

Impacto nas empresas e próximos passos

No curto prazo, o reconhecimento público de nomes de peso como Moskovitz tende a reforçar uma tendência já percebida por consultorias de recursos humanos: mais profissionais, especialmente em tecnologia e inovação, começam a recusar promoções a cargos de chefia quando não se veem como líderes de pessoas.

Para as empresas, esse movimento pressiona por mudanças nos processos de promoção e formação de lideranças. Especialistas defendem programas estruturados de treinamento para novos gestores, com foco em habilidades humanas, gestão de crises, diversidade e inclusão, além de suporte psicológico para quem assume funções de alto impacto.

No médio e longo prazo, a expectativa é de uma transformação cultural em que o topo da hierarquia deixa de ser visto como destino obrigatório de carreiras bem-sucedidas. Carreiras técnicas avançadas, trilhas de especialistas e cargos híbridos começam a ganhar espaço como alternativas para talentos que, como Moskovitz, preferem construir produtos e soluções sem carregar nas costas o peso de liderar pessoas que nunca quiseram comandar.