Trump anuncia fechamento de campo público em Washington
Trump anuncia o fechamento por 15 meses do histórico East Potomac Golf Course, em Washington, para reforma de “padrão mundial”, apesar de ordem judicial que suspende obras.

Tech Desk
Trump planeja reforma de 15 meses em campo histórico, mesmo com ordem judicial suspendendo as obras.
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O presidente Donald Trump anunciou neste domingo (18) que pretende fechar por 15 meses o histórico East Potomac Golf Course, em Washington, a poucos minutos da Casa Branca, para transformá-lo em um campo de golfe de padrão mundial — mesmo com uma ordem judicial em vigor que suspende a remoção de árvores e a reforma até pelo menos 26 de outubro.
Trump quer campo de “padrão mundial” em parque de 106 anos
Em postagem nas redes sociais, Trump disse que o East Potomac, um campo público de 106 anos, será fechado a partir de 15 de novembro para uma reforma completa. O presidente descreveu o local como “velho, quebrado, dilapidado e sem mais utilidade” e afirmou que a intervenção é necessária por questões de segurança e conservação.
“O campo atual está velho, quebrado, dilapidado e sem mais utilidade. Está em condição muito ruim, com árvores caindo, perigosas e infestadas por doenças e, importante, um muro de contenção colapsando e perigoso”, escreveu Trump.
Segundo o presidente, o objetivo é recolocar Washington no mapa do golfe internacional, com um traçado capaz de receber os principais torneios do circuito profissional. “Quando concluído, será aberto ao público enquanto, ao mesmo tempo, projetado ao mais alto nível de golfe e capaz de sediar torneios de classe mundial como o U.S. Open, o PGA Championship, a Ryder Cup e a Presidents Cup”, afirmou.
Trump também justificou o corte de centenas de árvores, hoje suspenso pela Justiça, argumentando que o campo foi originalmente concebido sem vegetação densa, com vistas abertas para a capital, e que agora estaria “completamente tomado, disfuncional e inseguro”.
Entenda o contexto
A reforma do East Potomac virou um embate direto entre a Casa Branca, grupos de preservação e a Justiça federal em Washington. O campo fica em área de parque nacional e é usado há décadas como espaço recreativo aberto a moradores de diferentes faixas de renda.
A DC Preservation League e dois golfistas entraram com ação judicial para barrar o projeto, alegando que a transformação em um campo de alto padrão pode restringir o acesso público e alterar de forma permanente a paisagem e o caráter comunitário do local. A organização Democracy Forward representa os autores do processo.
Para os opositores, o plano presidencial faz parte de uma estratégia mais ampla de remodelar marcos históricos da capital com foco em grandes obras e eventos, em detrimento do uso cotidiano pela população. Eles também apontam riscos ambientais, como a retirada maciça de árvores e o impacto sobre a fauna local.
Ordem judicial trava obras e governo tenta afastar juíza
A disputa se intensificou depois que o governo iniciou, durante um fim de semana prolongado, a remoção em larga escala de árvores no East Potomac sem avisar previamente o tribunal ou os autores da ação. A manobra levou a uma audiência de emergência e a uma dura reprimenda da juíza federal Ana Reyes.
Reyes determinou a suspensão dos planos de reforma e do corte de árvores até pelo menos 26 de outubro, chamando atenção para a falta de transparência nas ações do governo. A magistrada também ordenou que representantes da administração expliquem se a posição oficial mudou, já que, em documento recente, o próprio governo afirmava que Trump havia dado apenas “pensamentos preliminares” à reconstrução e que “não há ação final de agência” sobre o projeto.
Incomodada com o tom da última audiência, a Casa Branca pediu a substituição da juíza, questionando sua imparcialidade e classificando seu comportamento como “excessivo”. O pedido será analisado em uma nova audiência marcada para esta segunda-feira (19), que também deve tratar da solicitação dos autores da ação por uma liminar mais duradoura ou até pela suspensão definitiva da reforma.
Ambientalistas falam em “intrusão ilegal e prejudicial”
Do lado dos opositores ao projeto, a reação ao anúncio de Trump foi imediata. A Democracy Forward, que atua em defesa dos autores da ação, reforçou que o East Potomac é um parque nacional e um equipamento de lazer pensado para uso amplo pela população, e não apenas por jogadores de alto nível.
“Nossa ação judicial visa proteger este tesouro comunitário para as pessoas e comunidades que ele serve e continuaremos a trabalhar com nossos autores para defendê-lo contra intrusões ilegais e prejudiciais”, disse Skye Perryman, presidente e CEO da Democracy Forward.
Grupos de preservação temem que a transformação do campo em destino de golfe de luxo provoque elitização do espaço, aumento de preços e redução de áreas abertas para caminhadas, corridas e outras atividades recreativas gratuitas ou de baixo custo.
Entulho tóxico e impacto ambiental ampliam disputa
A polêmica em torno do East Potomac não se limita ao desenho do novo campo. Entulho da demolição da Ala Leste da Casa Branca, parte de outro projeto de Trump, foi levado para o terreno do campo de golfe. Testes do Serviço Nacional de Parques indicaram a presença de chumbo, cromo e outros metais tóxicos nesse material.
A destinação do entulho aumenta as preocupações com possíveis danos ao solo, à água e à saúde pública, sobretudo em uma área que recebe diariamente moradores, turistas e trabalhadores da região central de Washington. Ambientalistas defendem que qualquer intervenção seja precedida de estudos de impacto detalhados, amplamente divulgados, o que, segundo eles, não ocorreu até agora.
Se a Justiça mantiver a suspensão das obras após a audiência de segunda-feira, o cronograma de 15 meses de fechamento a partir de 15 de novembro pode ficar comprometido, forçando o governo a rever prazos, escopo da reforma ou até o modelo de uso público do espaço. Caso o projeto avance, grupos de preservação prometem seguir acompanhando de perto o impacto ambiental e social das mudanças no centenário parque.
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