Dólar para real hoje abre a R$ 5,04 com eleição e Fed em foco
Moeda americana abre a R$ 5,04 após tombo de 4,12% na esteira do primeiro turno. Disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula e incerteza sobre o Fed ampliam volatilidade para 2026.

Economia
Dólar inicia o dia cotado a R$ 5,04 em meio a incertezas políticas e decisões do Fed para o próximo ano.
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O dólar para real hoje abre o pregão a R$ 5,04 no mercado à vista, depois de ter registrado na semana a maior queda diária em mais de oito anos, em meio à disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e às incertezas sobre a política de juros dos Estados Unidos.
Qual é o preço do dólar hoje e como ele está reagindo ao cenário eleitoral?
O dólar em real começa o dia cotado a R$ 5,04, ainda perto dos R$ 5 após despencar 4,12%, para R$ 5,0022, no fechamento da segunda-feira pós-primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro saiu na frente de Lula e o mercado reagiu com forte apetite a risco.
No resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio somou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. A surpresa em relação às pesquisas da véspera foi lida por investidores como sinal de maior chance de ajuste fiscal em um eventual governo do senador, o que favoreceu a queda do dólar e a alta dos ativos locais.
O impacto foi imediato: além da queda de 4,12% no câmbio, os juros futuros de longo prazo recuaram cerca de 130 pontos-base e o Ibovespa saltou mais de 7% no dia seguinte ao primeiro turno. O movimento colocou o Brasil no centro de um rali regional observado em momentos de troca de governo em outros países latino-americanos.
No mercado de derivativos, os contratos futuros de dólar para novembro, negociados na B3, também acompanharam a mudança de humor, recuando para a faixa dos R$ 5,02 na esteira do resultado eleitoral.
Por que o dólar caiu 4,1% recentemente e qual o impacto dessa queda?
A queda de 4,12% do dólar à vista, que levou a cotação de fechamento a R$ 5,0022, decorre principalmente da leitura do mercado de que a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno aumenta a probabilidade de um governo mais comprometido com o ajuste das contas públicas.
Investidores vinham precificando, ao longo da campanha, maior risco fiscal em um eventual novo mandato de Lula. O desempenho acima do esperado do candidato do PL reduziu essa percepção de risco no curto prazo e desencadeou uma migração para ativos brasileiros, derrubando o câmbio e os juros futuros e impulsionando as ações.
Para exportadores, a desvalorização do dólar reduz, na margem, a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, já que cada dólar de receita rende menos em reais. Por outro lado, importadores e empresas com dívidas em moeda estrangeira se beneficiam, com alívio de custos e do serviço da dívida. Para o consumidor, um dólar perto de R$ 5 tende a diminuir parte da pressão sobre itens importados e passagens internacionais, embora esse repasse não seja imediato.
Segundo o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o movimento pode ter fôlego caso Flávio confirme a vitória no segundo turno. “Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra”, escreveu em relatório a clientes. Ele avalia que, diante de um cenário de maior confiança fiscal, “não seria surpresa cair em direção a R$ 4,90-R$ 4,80”.
Como a cotação do dólar foi afetada pela pesquisa do Datafolha?
No meio da semana, antes do primeiro turno, o dólar chegou a operar em alta, com a moeda americana subindo 0,44% às 9h06, cotada a R$ 5,050 no mercado à vista, e o contrato futuro para novembro avançando para R$ 5,060. O movimento refletia o fortalecimento global do dólar e a expectativa pela divulgação de um novo levantamento do Datafolha sobre a corrida presidencial.
A pesquisa, prevista para a noite, vinha na esteira de um levantamento da Quaest que apontava empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula, embora com o senador ainda numericamente à frente. A possibilidade de um resultado apertado mantinha elevada a aversão a risco, sustentando o dólar acima de R$ 5 naquele momento do pregão.
À medida que novas sondagens eleitorais forem divulgadas até o segundo turno, a cotação tende a seguir reagindo a qualquer mudança relevante na diferença entre os candidatos, com oscilações diárias potencializadas por declarações de campanha e sinais sobre a futura política econômica.
Entenda o contexto
O valor do dólar ontem e hoje é só uma fotografia de um quadro mais amplo que combina política, economia doméstica e cenário internacional. Depois de acumular queda de 11,2% ao longo de 2025, o dólar entrou em 2026 sob expectativa oficial de alta: o Boletim Focus do Banco Central projeta a moeda americana em R$ 5,50 no fim do ano.
Parte dessa leitura vem da perspectiva de um ambiente externo mais duro, com juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, e da incerteza fiscal no Brasil. Porém, a visão não é unânime. O economista Mauricio Weiss, professor do Programa de Pós-graduação profissional em Economia da UFRGS, avalia que o quadro pode ser diferente do cenário traçado pelo Banco Central. “A tendência seria para uma manutenção ou apreciação do real frente ao dólar”, afirma.
Weiss lembra que prever a trajetória do câmbio é tarefa ingrata, dado o grande número de variáveis envolvidas, mas destaca dois focos de tensão para 2026: a possível troca na presidência do Federal Reserve, em maio, e a eleição presidencial brasileira em outubro. A combinação de dúvidas sobre os juros americanos com a disputa acirrada nas urnas tende a manter a volatilidade elevada.
“A possibilidade de mudança no Fed e não só mudança, mas a ingerência de Trump sobre o Fed é um motivo de incerteza”, diz o professor. Em episódios de estresse global, mesmo que detonados nos próprios Estados Unidos, investidores costumam correr para o dólar, considerado a principal moeda de reserva do sistema financeiro internacional, o que pode pressionar o real.
No front doméstico, a taxa Selic em patamar elevado — em torno de 15% no início do ano — ajuda a segurar investidores estrangeiros em ativos brasileiros e foi decisiva para a performance do câmbio em 2025, quando o dólar caiu frente ao real. Juros altos, porém, também encarecem o crédito e limitam o crescimento, o que restringe o espaço para cortes agressivos à frente.
Com isso, a cotação dólar hoje Banco Central segue como termômetro de quase tudo: humor em relação às contas públicas, apostas sobre quem comandará o Planalto, decisões de política monetária em Brasília e em Washington e o apetite global por risco em meio a tensões com China, Rússia e União Europeia.
Como a volatilidade eleitoral influencia o dólar e a Bolsa de Valores?
O comportamento do dólar em real nesta semana é um retrato de como a volatilidade eleitoral contamina o câmbio e a Bolsa de Valores. Em dias de pesquisa apontando disputa apertada e risco percebido maior de políticas fiscais frouxas, a moeda americana sobe, os juros futuros avançam e o Ibovespa perde fôlego. Quando prevalece a leitura de que o próximo governo será mais ortodoxo nas contas públicas, o movimento se inverte.
Após o primeiro turno, a reação coordenada — dólar em queda de 4,12%, DIs de longo prazo recuando cerca de 130 pontos-base e Ibovespa com alta superior a 7% — mostra que os grandes investidores enxergaram no desempenho de Flávio Bolsonaro um sinal de menor prêmio de risco necessário para carregar ativos brasileiros.
Até o segundo turno, o mercado financeiro deve seguir operando de olho em cada nova pesquisa de opinião, declarações dos candidatos e pistas sobre a futura equipe econômica. Ao mesmo tempo, monitora a sinalização do Fed sobre a presidência do banco central americano e o rumo dos juros, além da resposta do Banco Central brasileiro às pressões cambiais e fiscais. O resultado é um câmbio mais nervoso, com impacto direto sobre o custo de vida, os planos de viagem, as decisões de investimento e a estratégia de empresas expostas ao dólar ao longo de 2026.


