Mercados
S&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.740▲ 0,46%DAX25.418▲ 0,94%Nikkei62.190▼ 0,80%DólarR$ 4,98▲ 0,24%EuroR$ 5,57▲ 0,62%BitcoinR$ 400.198▲ 0,65%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.740▲ 0,46%DAX25.418▲ 0,94%Nikkei62.190▼ 0,80%DólarR$ 4,98▲ 0,24%EuroR$ 5,57▲ 0,62%BitcoinR$ 400.198▲ 0,65%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Aliados de Flávio Bolsonaro chamam de ‘golpe’ extensão da votação

Decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação em todo o país, para garantir acesso de eleitores aos locais, provoca reação dura de aliados de Flávio Bolsonaro, que falam em golpe e prometem pedir impeachment.

Aliados de Flávio Bolsonaro chamam de ‘golpe’ extensão da votação

Política

Aliados de Flávio Bolsonaro reagem contra a prorrogação do horário de votação, classificando a medida como um golpe e prometendo ações políticas.

Leia também: Que horas começa a votação do segundo turno em 25/10/2026

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou neste domingo o horário de votação em todo o Brasil para tentar garantir o voto de quem enfrentou dificuldade de transporte até as seções, incendiou a campanha presidencial e levou aliados de Flávio Bolsonaro (PL) a acusarem o Judiciário de promover um “golpe” eleitoral e a anunciarem pedidos de impeachment contra o magistrado.

Bolsonaristas falam em ‘golpe’ e miram impeachment

Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) foi um dos primeiros a atacar a decisão. Nas redes sociais, ele afirmou ser “impressionante o nível de intervenção de alguns ministros do STF” e disse esperar “sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia”.

Marinho acusou Zanin de tentar “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto” e emendou: “Eleição para o PT é aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura. Lamentável”.

O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), eleito senador pelo Rio Grande do Sul, afirmou que “Zanin deu um golpe nas eleições com a prorrogação da votação” e cobrou que o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, o “enquadre imediatamente”. Van Hattem disse que vai protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do STF.

Também deputado federal, Gustavo Gayer (PL) declarou que buscará “assinaturas de todos que estão revoltados com esse golpe” para reforçar a iniciativa de afastar Zanin.

Frases de efeito e mobilização nas redes

Nas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira (PL) adotou um tom de confronto. “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”, escreveu. Depois, emendou: “Mais um impeachment pra ano que vem”. Em entrevistas em Brasília, ele comparou a prorrogação do horário de votação ao que ocorreu em eleições na Venezuela sob o regime de Nicolás Maduro e afirmou que a medida alimenta uma “narrativa de golpe”.

Para Nikolas, se Flávio Bolsonaro sair derrotado, a campanha deverá relacionar o resultado à decisão de Zanin. Ele questionou ainda a credibilidade de pesquisas de intenção de voto ao ser perguntado se o candidato do PL aceitará eventual derrota.

O influenciador Pablo Marçal (PRTB), que ajuda Flávio a desenhar um possível Ministério da Prosperidade, também usou linguagem de ruptura. Em vídeo, disse estar indignado, afirmou que a decisão “tem cheiro de golpe” e avisou: “Pode preparar que está vindo surpresa aí, isso não é normal, não”.

Já o pastor Silas Malafaia, aliado declarado de Flávio, acusou Lula de tentar virar o jogo “no tapetão” e pediu que apoiadores do PL não “caiam nesse jogo sujo”.

O que decidiu Cristiano Zanin sobre o horário de votação?

Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação em todo o país depois de receber relatos de que eleitores não conseguiam chegar aos locais de votação, em especial pela oferta insuficiente de transporte público em cidades como Salvador e São Paulo e por condições climáticas adversas em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

O pedido partiu da campanha do candidato petista, que alegou risco de prejuízo ao direito ao voto, e foi reforçado pela própria campanha de Flávio Bolsonaro em relação a cidades afetadas pelo mau tempo no Sul e Sudeste. A decisão estendeu o funcionamento das seções para que os eleitores que estavam a caminho ou ainda buscando transporte pudessem votar.

Na prática, a medida impacta o andamento da apuração, já que posterga o fechamento das urnas em parte das zonas eleitorais, mas não altera regras de votação nem de totalização. O alvo é garantir que o eleitor que enfrentou barreiras logísticas, sobretudo pelo transporte público reduzido, não perca o direito de votar.

Entenda o contexto

A extensão do horário ocorre em meio a um histórico recente de conflitos entre bolsonarismo e Justiça Eleitoral. Em um episódio anterior, a Polícia Rodoviária Federal montou blitze em dia de votação que acabaram dificultando o deslocamento de eleitores, principalmente no Nordeste, região onde o PT concentra apoio.

Mais recentemente, o Supremo condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por liderar tentativa de impedir a posse de Lula após a derrota nas urnas. Desde então, o núcleo político do ex-mandatário passou a questionar, sem apresentar provas, a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A narrativa foi reativada com força depois da decisão de Zanin.

Nesta campanha, Flávio Bolsonaro tem dito que, se eleito, concederá indulto ao pai e que Jair lhe passará a faixa presidencial. A prorrogação do horário de votação, vista pelo entorno bolsonarista como favorecimento ao PT, foi incorporada a esse discurso de confronto com o Judiciário.

Transmissão dos EUA e ameaça de não reconhecer resultado

Do exterior, a retórica subiu ainda mais de tom. Em uma transmissão ao vivo feita dos Estados Unidos, os ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), ambos condenados pelo STF e com mandados de prisão em aberto, participaram de um debate com o influenciador Paulo Figueiredo.

Eduardo disse que, qualquer que seja o vencedor, o lado derrotado terá argumento para dizer que a extensão do prazo de votação influenciou o resultado. “Lamentável mudar a regra no meio do jogo, é país de república de banana, onde não tem império das leis”, afirmou. Ele ainda declarou que, em caso de vitória de Lula, “não haveria reconhecimento imediato da comunidade internacional”.

Paulo Figueiredo afirmou que “passa a ter medo de um golpe em curso”, enquanto Ramagem declarou que “volta a temer que haja uma fraude”. O grupo reforçou a tese de que a mudança no horário de votação seria parte de uma suposta articulação para fraudar o pleito.

Disputa jurídica e pressão sobre STF e TSE

A ofensiva nas redes e em entrevistas aponta para um cenário de judicialização intensa após a votação. Além do anúncio de pedido de impeachment contra Zanin, aliados de Flávio falam em contestar os resultados e usar a prorrogação do horário como argumento central.

O PL mobilizou sua estrutura de fiscalização e enviou comunicados pedindo que todos os fiscais do partido retornassem imediatamente aos locais de votação e permanecessem até a emissão dos boletins de urna, orientando a registrar eventuais irregularidades pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.

No curto prazo, STF e TSE tendem a ser pressionados a reiterar a segurança e a legalidade do processo de votação estendido. A depender da diferença de votos e do comportamento das campanhas após a apuração, a narrativa de “golpe” e “fraude” pode influenciar a aceitação do resultado por parte do eleitorado e prolongar a crise de confiança nas instituições democráticas.