Dominar IA aumenta salário em até 62% e abre vagas em alta
Levantamento global da PwC indica vantagem salarial média de 62% para profissionais que usam IA no trabalho e alta de 69% nas vagas que exigem a tecnologia desde 2019.

Inteligência Artificial
Pesquisa global revela crescimento significativo em salários e oportunidades para quem domina inteligência artificial.
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Profissionais que dominam inteligência artificial têm hoje uma vantagem salarial média de 62% em relação a colegas em funções parecidas, mas sem essas competências, indica o Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC. A análise, atualizada nesta terça-feira (27), mostra ainda que as vagas que exigem IA cresceram 69% desde 2019, contra 9% do mercado de trabalho em geral, o que reforça a tecnologia como diferencial de carreira em áreas que vão muito além da programação.
Quais setores pagam mais para quem domina IA?
A diferença de remuneração ligada ao uso de IA varia bastante entre os segmentos da economia. No mercado de consumo, que inclui empresas de varejo, bens de consumo e serviços ao cliente, a vantagem chega a 118% nos salários anunciados para vagas que pedem habilidades em IA em comparação com posições semelhantes sem essa exigência. No outro extremo, o setor público registra um prêmio de 16%.
Esses números revelam que a capacidade de explorar dados, automatizar análises e personalizar decisões comerciais pesa mais em setores altamente competitivos e expostos à inovação. Já em órgãos governamentais, estruturas mais engessadas, restrições orçamentárias e carreiras com tabelas salariais fixas limitam o espaço para diferenciação por competência tecnológica, mesmo quando a demanda por IA começa a aparecer em editais e concursos.
O estudo destaca que o prêmio salarial não é uma promessa automática de aumento para quem faz um curso de IA, mas reflete como o mercado remunera funções que combinam conhecimento da área com uso consistente da tecnologia. “O percentual representa a diferença média entre salários anunciados para vagas que exigem habilidades em IA e aqueles oferecidos para vagas sem essa exigência. Portanto, não significa que aprender a utilizar uma ferramenta automaticamente aumente a remuneração individual em 62%”, aponta o relatório.
Entenda o contexto
O Global AI Jobs Barometer 2026 analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em seis continentes. A partir dessas descrições de vagas, a PwC mediu quanto as empresas pagam, em média, quando incluem IA entre as exigências, e como isso muda de um setor para outro.
No Brasil, os resultados ajudam a explicar o movimento de valorização de profissionais capazes de aplicar IA no dia a dia de funções tradicionais. A tendência é observada em finanças, marketing, recursos humanos, operações e cargos de gestão, e começa a influenciar políticas de recrutamento e planos de carreira.
Quais habilidades em inteligência artificial são mais valorizadas segundo a PwC?
As empresas pagam mais não apenas por conhecimentos técnicos avançados, mas principalmente pela combinação de três blocos de competências: domínio de IA, entendimento profundo da área de atuação e habilidades comportamentais ligadas a análise e decisão.
Do lado técnico, o relatório destaca capacidades como engenharia de prompts – a técnica de formular instruções para orientar respostas de sistemas de IA –, uso de modelos generativos para texto, imagem e dados, além de noções de aprendizado de máquina e ciência de dados em níveis proporcionais à função.
Entre as habilidades funcionais estão o conhecimento de finanças, marketing, gestão de pessoas ou operações, por exemplo, aplicado a problemas concretos. Em finanças, a IA pode organizar relatórios, comparar indicadores e montar versões iniciais de apresentações. Em marketing, a tecnologia ajuda a encontrar padrões em campanhas e estruturar hipóteses para novos testes. Em recursos humanos, pode apoiar triagem de currículos e análise de perfis. Em operações, contribui para prever demanda, sugerir roteiros logísticos e monitorar riscos.
O levantamento mostra também que as chamadas soft skills continuam centrais. “As mudanças nas competências exigidas pelas empresas são mais de duas vezes mais rápidas nas ocupações mais expostas à IA do que naquelas menos expostas”, diz o documento. Nesse cenário, pensamento crítico, liderança e capacidade de tomar decisões tornam-se ainda mais valiosos. “A tecnologia pode produzir análises e recomendações, mas cabe ao profissional interpretar os resultados, considerar riscos e decidir como utilizá-los”, afirma o relatório.
Como a IA muda o trabalho de quem não é de tecnologia
Um dos recados principais da pesquisa é que IA não é assunto exclusivo de programadores e cientistas de dados. Analistas, coordenadores, gerentes e diretores em diversas áreas já são chamados a usar ferramentas para ganhar velocidade e profundidade em tarefas rotineiras.
Coordenadores e executivos podem recorrer à IA para resumir documentos extensos, comparar cenários de negócios e organizar informações para reuniões. Nesses casos, o diferencial não está em saber programar modelos, mas em formular boas perguntas, checar as respostas e conectá-las à estratégia da área.
Para quem está na base da gestão, desenvolver essas competências passa por mapear tarefas que a IA pode apoiar, testar ferramentas disponíveis no mercado e conferir os resultados produzidos. O relatório indica que, nas ocupações com maior exposição à IA, o conjunto de habilidades exigido vem mudando em ritmo acelerado, o que pressiona profissionais a investir em aprendizado contínuo.
Formação prática: Pré-MBA em IA por R$ 37
A pressão por atualização abre espaço para iniciativas de capacitação rápida e aplicada. Uma das ofertas voltadas a esse público é o Pré-MBA em IA, promovido pela Saint Paul em parceria com a EXAME. O programa tem quatro aulas práticas, online, por R$ 37, e é apresentado como uma formação introdutória para profissionais que lideram equipes e precisam entender a tecnologia antes de decidir como adotá-la.
A imersão, conduzida por Adriano Mussa e Marcos Sanches, dura dois dias, com turma restrita e foco em uso real de ferramentas de IA para apoiar rotinas de trabalho em finanças, marketing, RH, operações e cargos executivos. A proposta é que os participantes aprendam a identificar onde a IA pode gerar ganho imediato, testar aplicações e, sobretudo, avaliar criticamente os resultados, em linha com as recomendações do estudo da PwC.
Ao conectar os dados do barômetro global com a demanda crescente por capacitação acessível, a pesquisa reforça que dominar IA – em conjunto com conhecimento técnico da área e capacidade de decisão – já se traduz em salários mais altos e em novas oportunidades em um mercado de trabalho que se transforma em ritmo acelerado.

