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Inteligência Artificial

Zhang Yiming retoma topo da China com US$ 100 bi pela IA

Fundador da ByteDance retoma liderança da lista Hurun com US$ 100 bilhões, impulsionado por avanços em inteligência artificial, enquanto setores tradicionais perdem espaço.

Zhang Yiming retoma topo da China com US$ 100 bi pela IA

Inteligência Artificial

Zhang Yiming recupera a liderança na lista Hurun graças ao avanço da IA, superando setores tradicionais em valorização.

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Zhang Yiming, fundador da ByteDance, retomou nesta terça-feira a liderança da lista dos mais ricos da China, com uma fortuna estimada em US$ 100 bilhões, puxada por um salto de 43% em seu patrimônio ligado ao avanço da inteligência artificial na empresa.

IA puxa fortuna recorde e muda mapa da riqueza

A nova edição do ranking do Instituto de Pesquisa Hurun mostra um recorde de 1.529 pessoas com patrimônio acima de 5 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 750 milhões, alta de 6,6% em relação ao ano anterior. Em dólares, o país soma 1.176 bilionários, 155 a mais que no levantamento anterior e 176 acima do total dos Estados Unidos.

Zhang lidera a lista com a maior fortuna já registrada para um indivíduo na China. Segundo ele, o crescimento é “quase tudo graças à IA”, em referência à aposta pesada da ByteDance em modelos generativos e produtos baseados em inteligência artificial.

Rupert Hoogewerf, presidente do Hurun Report, destacou o papel central da tecnologia nesse avanço. “O Doubao da ByteDance é o assistente de IA mais usado na China”, afirmou, lembrando que o grupo também controla as plataformas de vídeos curtos Douyin e TikTok, que alimentam a base de dados e o ecossistema tecnológico da companhia.

A ascensão de Zhang simboliza a virada estrutural da economia chinesa: empresas de alta tecnologia, especialmente em IA, robótica e semicondutores, ganham valor e influência, enquanto setores tradicionais enfrentam retração e perda de relevância.

Quem sobe e quem desce no topo da lista

O magnata da água engarrafada Zhong Shanshan, que já liderou o ranking, aparece agora em segundo lugar, com patrimônio de US$ 61 bilhões. Em terceiro vem Robin Zeng, presidente da CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos, reforçando o peso da transição energética no topo da lista.

As novidades mais ruidosas estão no núcleo da revolução da IA. Liang Wenfeng, fundador da startup de inteligência artificial DeepSeek, estreia direto na sétima posição. Já Chen Tianshi, presidente da fabricante de chips de IA Cambricon, figura em décimo, mostrando como a corrida por semicondutores avançados se traduz rapidamente em grandes fortunas pessoais.

Do outro lado da tabela, o movimento é de perda. Hoogewerf apontou o executivo Lei Jun, presidente da Xiaomi, como “o maior perdedor deste ano, com sua riqueza reduzida pela metade” para US$ 25,1 bilhões, em meio à pressão sobre o segmento de eletrônicos de consumo.

Entenda o contexto

Os dados do Hurun revelam uma economia cada vez mais dividida. “Os ganhos deste ano foram polarizados: empreendedores em IA, semicondutores e robótica avançaram, enquanto aqueles em consumo, imobiliário e manufatura tradicional viram sua riqueza encolher”, disse Hoogewerf.

Na prática, a valorização das empresas ligadas à IA e à alta tecnologia atrai capital, empurra para cima a avaliação de startups e gigantes do setor e estimula projetos de pesquisa e desenvolvimento, inclusive em áreas como chips especializados, robótica industrial e softwares de automação.

Esse movimento tende a gerar mais empregos qualificados e consolidar a China como um dos centros globais de inovação em IA. Ao mesmo tempo, pressiona setores tradicionais, que perdem espaço em valor de mercado e em participação na lista de grandes fortunas, o que pode significar reestruturações, cortes e necessidade de adaptação a um cenário cada vez mais digitalizado e automatizado.

Com a entrada de nomes como DeepSeek e Cambricon entre os maiores bilionários do país, o perfil dos líderes econômicos chineses se afasta do consumo de massa e do mercado imobiliário e se aproxima de laboratórios, data centers e linhas de produção de semicondutores — um retrato em tempo real da nova fase da economia chinesa.