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Política

Pedro Rousseff capota na Fernão Dias e pede passaporte de Nikolas

Deputado eleito Pedro Rousseff sofreu acidente grave na Fernão Dias, saiu ileso e, dois dias depois, pediu à PGR a apreensão do passaporte do deputado Nikolas Ferreira.

Pedro Rousseff capota na Fernão Dias e pede passaporte de Nikolas

Acidente e política

Após grave acidente, deputado Pedro Rousseff solicita apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira à PGR.

Leia também: Mapa eleitoral interativo mostra voto indígena e apuração ao vivo

O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG), de 26 anos, saiu com ferimentos leves de um acidente em que o carro em que viajava capotou três vezes na Rodovia Fernão Dias, entre Belo Horizonte e São Paulo, e, dois dias depois, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a apreensão do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por causa de um processo criminal por suposta injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Carro capota três vezes em viagem para São Paulo

O acidente ocorreu na tarde de domingo (25/10), quando Pedro Rousseff viajava com o assessor de comunicação Gabriel Gerdulino para São Paulo, onde pretendia acompanhar a apuração do segundo turno da eleição presidencial. Sob forte chuva, o motorista perdeu o controle do veículo na Fernão Dias, e o carro capotou três vezes.

Segundo o próprio parlamentar eleito, o veículo teve perda total, mas ele e o assessor sofreram apenas ferimentos leves. Em vídeo gravado ainda na rodovia para tranquilizar apoiadores, Pedro relatou o susto e agradeceu por terem sobrevivido. “Graças a Deus a gente não teve basicamente nenhum arranhão, sabe? Pouca coisa. Então, assim, isso aí de fato é o poder de Deus. Basicamente, revivemos”, afirmou.

Após o atendimento, Pedro retornou a Belo Horizonte, de onde acompanha a apuração. A assessoria divulgou nota informando que não houve necessidade de internação e que ambos passam bem.

Entenda o contexto

Sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, Pedro é vereador de Belo Horizonte e coordenador da estratégia digital da campanha à reeleição de Lula. Formado em Administração, ele foi eleito deputado federal por Minas Gerais com 118.567 votos, uma das maiores votações do PT no estado, após ter estreado nas urnas para a Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde obteve 17.595 votos.

No segundo turno da eleição presidencial, ele integra a linha de frente da mobilização digital pró-Lula em Minas, ao lado de parlamentares como André Janones e Ana Elisa. A combinação da atuação nas redes, do parentesco com Dilma e do acidente na Fernão Dias fez o nome de Pedro Rousseff disparar nas buscas na internet nas últimas 24 horas.

Pedido de apreensão de passaporte de Nikolas Ferreira

Nesta terça-feira (27/10), já recuperado do acidente, Pedro Rousseff protocolou na PGR um pedido para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avalie a retenção do passaporte de Nikolas Ferreira e determine que o deputado do PL não possa deixar o país enquanto tramita contra ele um procedimento criminal por suposta injúria a Lula.

O procedimento foi aberto pela própria PGR após um episódio em julho em que Nikolas teria ofendido o presidente da República. A peça enviada por Pedro sustenta que, diante da investigação já instaurada, é necessário evitar qualquer tentativa de fuga ao controle da Justiça, pedindo uma medida cautelar que limite a saída do Brasil pelo parlamentar mineiro.

O caso mistura disputa jurídica e embate político direto entre dois dos deputados mais votados de Minas Gerais, em lados opostos do espectro ideológico. A decisão agora está nas mãos de Paulo Gonet, que deve analisar se há fundamento legal suficiente para restringir a liberdade de deslocamento internacional de Nikolas.

Impacto político e jurídico em Brasília

A iniciativa de Pedro ocorre em um ambiente de forte polarização e tende a acirrar a rivalidade entre PT e PL em Minas e em Brasília. Aliados de Pedro veem no pedido à PGR um gesto de “tolerância zero” com ofensas dirigidas ao presidente da República e à instituição da Presidência.

Já a oposição deve tentar enquadrar a medida como uso político de instrumentos jurídicos contra um dos principais nomes bolsonaristas do país. Nikolas, que ainda não se manifestou formalmente sobre o novo pedido, é apontado por colegas de partido como potencial candidato a voos mais altos na direita mineira.

Especialistas ouvidos por interlocutores do Congresso avaliam que a eventual apreensão de passaporte de um deputado em exercício tende a ser vista como medida dura e pode abrir precedente em casos de crimes contra a honra envolvendo autoridades. Nos bastidores, o episódio é acompanhado também por defensores de direitos humanos e por entidades ligadas à área jurídica, atentos ao equilíbrio entre liberdade de expressão, imunidade parlamentar e responsabilização penal.

Em paralelo, cresce em Brasília a discussão sobre figuras políticas brasileiras que cogitam deixar o país após derrotas eleitorais ou avanços de investigações. “Perder uma eleição não é motivo para asilo”, resumiu o deputado Joaquin Castro, em meio a debates recentes sobre esse tipo de movimento.

Enquanto aguarda a decisão da PGR, Pedro Rousseff retoma a agenda política em Belo Horizonte e em Brasília, usando as redes sociais tanto para relatar o acidente quanto para divulgar o passo jurídico dado contra Nikolas, em mais um capítulo da disputa que opõe PT e PL no cenário nacional.