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ONU revela: metas climáticas cortam só 6% das emissões até 2035

Relatório da ONU divulgado às vésperas da COP31 mostra que novas metas climáticas dos países reduzem emissões globais em apenas 6% até 2035, longe dos 60% necessários para 1,5°C.

ONU revela: metas climáticas cortam só 6% das emissões até 2035

Mudanças Climáticas

Relatório da ONU destaca que metas atuais são insuficientes para evitar aumento crítico da temperatura global.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que as novas metas climáticas nacionais apresentadas por 154 participantes do Acordo de Paris levarão a uma queda de apenas 6% nas emissões globais de gases de efeito estufa até 2035, o que mantém o planeta em trajetória de forte aquecimento e amplia o risco de eventos climáticos extremos em todo o mundo.

Quais são as novas metas climáticas anunciadas às vésperas da COP31?

As novas metas climáticas, conhecidas como NDCs, reúnem 127 documentos submetidos entre janeiro de 2024 e agosto de 2026 por 154 participantes do Acordo de Paris, incluindo a União Europeia e seus países-membros, responsáveis por cerca de 71% das emissões globais de 2019, sem contar desmatamento e uso da terra.

Segundo a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), esses compromissos, se forem cumpridos, fazem com que as emissões globais em 2035 fiquem em média apenas 6% abaixo dos níveis de 2019. “As novas metas climáticas apresentadas pelos países podem reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em apenas 6% até 2035, um corte dez vezes menor do que o necessário para limitar o aquecimento global a 1,5°C”, afirma a ONU.

O relatório calcula que, entre 2026 e 2035, os países devem emitir 368 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), quase três vezes o orçamento de carbono considerado compatível com a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C. Para o ano de 2035, a projeção é de um volume anual entre 49,6 bilhões e 55,9 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente — patamar ainda muito acima do recomendado pela ciência.

A ONU também aponta que, se todas as ações previstas nas metas forem integralmente implementadas, inclusive as que dependem de financiamento internacional, o corte nas emissões poderia chegar a 9% até 2035. Sem esse apoio adicional, a redução efetiva cai para apenas 3%.

Por que as metas climáticas preveem apenas um corte de 6% das emissões até 2035?

O corte limitado de 6% reflete a soma de metas nacionais ainda pouco ambiciosas em relação ao que a ciência considera necessário e a dependência de vários países, especialmente em desenvolvimento, de recursos e tecnologias que não estão garantidos.

De acordo com as estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), “para manter o aquecimento limitado a 1,5°C, as emissões precisariam cair aproximadamente 60%” até 2035, em comparação com 2019. Para ficar abaixo de 2°C, a redução necessária seria de cerca de 37% no mesmo período — muito acima dos 6% atualmente projetados.

A ONU indica que a maioria dos países já incluiu medidas para reduzir emissões em setores-chave como energia, indústria, transporte, agricultura e resíduos, mas em ritmos insuficientes para mudar a curva global. Há ainda desigualdades profundas: países emergentes e mais pobres condicionam parte das metas a apoio externo, o que, se não vier, derruba o corte agregado de 6% para 3%.

O relatório destaca que há sinais positivos, como a priorização da transição energética. A proporção de participantes que preveem ampliar o armazenamento de energia, etapa importante para integrar fontes renováveis à rede, subiu de 33% para 56%. Mesmo assim, os avanços tecnológicos e regulatórios não compensam, por enquanto, o volume de emissões ainda em alta ou em queda muito lenta.

Entenda o contexto

Os novos números chegam às vésperas da COP31, que será realizada entre 9 e 20 de novembro em Antália, na Turquia, e colocam pressão adicional sobre governos para rever e fortalecer suas NDCs. Desde o Acordo de Paris, os países se comprometeram a atualizar periodicamente suas metas, mas o balanço da ONU mostra que o esforço coletivo ainda está longe do necessário.

Com base nas metas atuais e nas projeções para as emissões após 2035, a ONU estima que o aquecimento global pode chegar a 3,2°C até o fim do século. “O aquecimento global pode chegar a 3,2°C até o fim do século”, alerta o documento. Em um cenário de cumprimento integral das metas de longo prazo — incluindo promessas de neutralidade de carbono até meados do século — o aumento da temperatura ficaria entre 1,7°C e 2,3°C até 2100, ainda acima da referência de 1,5°C.

O relatório também indica que o mundo pode esgotar antes do fim desta década o orçamento de carbono compatível com 1,5°C. Se essa barreira for ultrapassada, seria necessário recorrer em larga escala a tecnologias de remoção de CO₂ da atmosfera, ainda caras, incertas e pouco disseminadas.

Quais impactos as metas anunciadas podem ter no combate às mudanças climáticas?

Na prática, as metas atuais significam que o planeta seguirá emitindo volumes muito elevados de gases de efeito estufa nas próximas décadas, o que mantém o risco de aquecimento bem acima de níveis considerados seguros pela comunidade científica.

Com a projeção de aumento de temperatura entre 2,1°C e 3,2°C até o fim do século, a ONU alerta para a intensificação de secas, ondas de calor, enchentes, elevação do nível do mar e colapso de ecossistemas sensíveis, como geleiras e recifes de coral. Esses impactos têm efeitos diretos sobre produção de alimentos, disponibilidade de água, infraestrutura urbana, saúde pública e economias inteiras.

Os setores mais emissores — como geração de energia, indústria pesada, transporte e agricultura — serão pressionados a acelerar a transição para fontes renováveis e práticas de baixo carbono. Países que investem agora em inovação e energia limpa tendem a ganhar espaço econômico e tecnológico, enquanto regiões mais dependentes de combustíveis fósseis e sem acesso a financiamento podem ficar ainda mais vulneráveis a choques climáticos e sociais.

A avaliação da ONU reforça que a janela para manter o aquecimento dentro de limites menos perigosos está se estreitando rapidamente. A expectativa é que o relatório sirva de gatilho para negociações mais duras na COP31, com cobrança maior sobre grandes emissores e por mais recursos para países em desenvolvimento, considerados decisivos para qualquer esforço global de redução de emissões.

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