Karsten fecha fábrica em Ibirama e demite 75 até 27/11
Karsten vai encerrar em 27 de novembro de 2026 a unidade fabril de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí. Fechamento atinge cerca de 75 funcionários e integra uma reorganização estratégica.

Economia
Unidade fabril de Ibirama será encerrada como parte de uma reestruturação da empresa, impactando 75 colaboradores.
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A Karsten, tradicional empresa têxtil com sede em Blumenau, vai fechar a fábrica de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí, e encerrar as atividades no local em 27 de novembro de 2026. A decisão, já comunicada aos colaboradores, atinge cerca de 75 trabalhadores e faz parte de uma reorganização estratégica e operacional da companhia.
Reorganização concentra operações em Blumenau
Em nota, a empresa afirmou que a medida está alinhada ao planejamento do negócio e buscou reforçar que o movimento não decorre de crise imediata. “A companhia mantém desempenho positivo e seguirá concentrada na execução de sua estratégia e no fortalecimento de sua operação”, informou a Karsten.
A unidade de Ibirama foi instalada em um galpão de aproximadamente 5 mil metros quadrados na Rua Mirador, no bairro Ponto Chic, espaço que antes abrigava uma fábrica da Hering. Criada para ampliar a produção de jogos de cama e fortalecer a presença da marca no Vale Norte catarinense, a planta tinha previsão inicial de gerar 130 empregos, somando 100 diretos e 30 indiretos — número que não se confirmou na prática.
Com o fechamento, a companhia reforça a centralização das operações em Blumenau, onde mantém a matriz e parte fundamental de sua estrutura produtiva. Em 2026, a empresa investiu R$ 4 milhões em tecnologia industrial na fábrica da cidade, com a compra de soluções automatizadas de costura para a confecção de tecidos felpudos, ampliando o grau de automação do parque fabril.
Impacto para 75 funcionários e para a economia local
O encerramento da unidade em Ibirama representa uma mudança importante na dinâmica econômica do município e do Alto Vale do Itajaí. Além dos cerca de 75 empregados diretos afetados, fornecedores, prestadores de serviço e o comércio local que dependiam da movimentação da fábrica tendem a sentir o impacto.
No comunicado interno, a Karsten disse que “o processo de transição será conduzido de forma responsável, com respeito aos profissionais impactados e à trajetória construída pela fábrica ao longo dos anos”. A empresa, porém, não detalhou que medidas adotará em relação aos vínculos empregatícios, o que inclui dúvidas sobre possibilidades de transferência, indenizações além das previstas em lei ou programas de recolocação.
A indefinição deve mobilizar sindicatos e lideranças locais, que costumam atuar em negociações desse tipo para tentar preservar postos de trabalho ou garantir pacotes de compensação mais robustos aos demitidos. Autoridades regionais também são esperadas nesse debate, já que a perda de uma indústria de médio porte costuma pesar na arrecadação e na cadeia de serviços do entorno.
Entenda o contexto
A fábrica de Ibirama começou a operar há cerca de cinco anos, com a missão de ampliar a capacidade produtiva da Karsten em cama, mesa e banho e aproximar a indústria de mão de obra e mercados do Norte do estado. Agora, o fechamento insere-se em um redesenho mais amplo da empresa, que combina concentração de produção em Blumenau e avanço internacional.
Em 2026, a companhia inaugurou sua primeira unidade fabril fora do Brasil, no Paraguai, dentro de uma estratégia de expansão para ganhar competitividade no mercado externo. A combinação de investimentos em automação na matriz e de internacionalização reforça um movimento comum no setor têxtil, que busca reduzir custos, ganhar escala e responder a um ambiente de concorrência acirrada.
Fundada em 1882 em Blumenau, a Karsten é uma das empresas mais tradicionais da indústria têxtil catarinense. Atua nos segmentos de cama, mesa, banho e decoração, com marcas como Karsten, Decor, Ateliê e Trussardi, e construiu sua trajetória ligada ao desenvolvimento industrial do Vale do Itajaí. O fechamento em Ibirama, porém, evidencia o desafio de equilibrar competitividade global com o impacto social das decisões sobre emprego nas cidades onde se instala.


