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Economia

B3 encerra pregão às 17h55 a partir de 3 nov e impacta mercado

B3 ajusta horário de negociação a partir de 3 de novembro e PSD suspende tratativas por cargos com o governo Lula até conversa direta entre Kassab e o presidente.

B3 encerra pregão às 17h55 a partir de 3 nov e impacta mercado

Mercado Financeiro

Alteração no horário da B3 a partir de novembro traz mudanças para investidores e operações financeiras.

Leia também: Mercado em 28/10/2026: Ibovespa, dólar e ações em destaque

A B3 vai encerrar o pregão mais cedo a partir de 3 de novembro, enquanto, em Brasília, Gilberto Kassab manda o PSD suspender negociações de cargos com o governo Lula e o Senado tenta afastar rumores de anistia a Jair Bolsonaro ao discutir apenas a dosimetria de penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Quais são as mudanças nos horários de negociação da B3 a partir de 3 de novembro?

A partir de 3 de novembro, o pregão de ações da B3 passa a funcionar das 10h às 17h55, com leilão de fechamento até as 18h. O novo horário substitui a janela estendida usada durante o horário de verão nos Estados Unidos.

A mudança vale para ações, derivativos, opções, BDRs, ETFs e contratos futuros, com ajustes específicos para cada tipo de ativo, e complementa alterações já feitas para contratos ligados aos mercados europeus. O objetivo é alinhar o mercado brasileiro às principais bolsas internacionais, reduzir desencontros de preço com Nova York e Europa e melhorar a liquidez ao concentrar negócios em uma faixa de negociação mais sincronizada com o exterior.

Na prática, corretoras, gestoras, bancos e tesourarias terão de reprogramar rotinas operacionais, sistemas de negociação e estratégias de arbitragem. Investidores pessoa física também vão precisar se adaptar ao fechamento antecipado, reorganizando horários de entrada e saída de posições. O detalhamento por produto está no Ofício Circular 050/2026-VNC e no site da própria B3.

Qual foi a ordem de Kassab ao PSD sobre a negociação com Lula?

Gilberto Kassab determinou que o PSD não negocie cargos com o governo Lula até que ele próprio se reúna com o presidente no Palácio do Planalto. “Ninguém está autorizado a negociar cargos com o governo federal até eu ter uma conversa com Lula”, avisou o presidente do partido a ministros, parlamentares e dirigentes.

A orientação é uma resposta ao movimento do Planalto de acionar emissários para sondar o PSD sobre a nova configuração da Esplanada. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, filiado ao partido, levou recados a Kassab, assim como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o senador Camilo Santana, que atuou na coordenação da campanha de Lula no segundo turno.

Ao centralizar a interlocução, Kassab tenta aumentar o peso do PSD na reforma ministerial e evitar que a negociação se pulverize em conversas paralelas. A estratégia pode segurar anúncios de mudanças na equipe de governo e reordenar disputas internas por espaço em ministérios e estatais. O encontro entre Kassab e Lula está previsto para a próxima semana e é tratado no partido como decisivo para definir qual será o tamanho do PSD no governo.

Entenda o contexto

O PSD é hoje uma das maiores bancadas do Congresso e peça-chave para a governabilidade. A decisão de congelar tratativas por cargos ocorre num momento em que o Planalto tenta recompor sua base após votações apertadas e pressões por mais espaço de partidos do centrão. Ao mesmo tempo, Kassab busca manter coeso um partido que abriga alas alinhadas tanto ao governo quanto à oposição em alguns estados.

Na Esplanada, eventuais mudanças atingem diretamente quadros do PSD já instalados no governo, como Alexandre Silveira, e dialogam com a influência de Alckmin, que também atua como articulador político e ponte com o empresariado. Um acerto com o PSD tende a repercutir na distribuição de pastas e comandos de órgãos federais em estados estratégicos.

Discussões no Senado sobre penas e pacificação

No Senado, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), saiu a público para negar que exista qualquer acordo para anistiar Jair Bolsonaro ou atrelar uma eventual medida de perdão à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) ao comando da Casa.

Em entrevista concedida na quarta-feira (28), Otto confirmou que conversou com Alcolumbre sobre uma possível revisão das penas aplicadas a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, mas ressaltou que o debate se limita à dosimetria — o tamanho das condenações — e não à extinção de punibilidade. “O que Davi falou seria, de alguma forma, talvez, no sentimento que ele falou comigo, uma diminuição de pena, uma dosimetria, uma coisa nesse sentido”, resumiu.

O senador foi taxativo ao rechaçar a hipótese de anistia. “Não tem projeto de anistia. Nunca teve. Eu sempre fui contra anistia”, afirmou. Segundo ele, qualquer iniciativa de pacificação política precisa diferenciar quem apenas participou dos atos — como manifestantes que seguiram a massa, sem liderança — daqueles que organizaram, financiaram ou planejaram a tentativa de golpe.

Otto admitiu que uma eventual lei poderia excluir explicitamente os responsáveis pelos crimes mais graves. “Isso aí é uma lei que pode excluí-los, né? Esses que financiaram o golpe, que botaram dinheiro nisso”, disse. A ideia, segundo auxiliares de Alcolumbre, é discutir caminhos para reduzir a tensão permanente entre governo, oposição bolsonarista e Supremo Tribunal Federal, sem pactuar um perdão amplo a articuladores de ataques às instituições.

Um colaborador próximo ao presidente do Senado relata que Alcolumbre tem conversado com um grupo restrito de parlamentares e membros do Judiciário sobre saídas para normalizar a relação entre os Poderes, mas nega que haja rascunho de projeto, promessa de anistia ou troca de apoio político por benefícios penais. A leitura no entorno do senador é que ainda não existe consenso sobre qual medida — se alguma — pode cumprir o papel de pacificar o ambiente sem soar como impunidade.

Em paralelo às mudanças de horário na B3 e à disputa por espaço no governo, essa discussão sobre penas e pacificação adiciona um componente institucional relevante ao humor dos agentes econômicos, que monitoram não só dados e pregão, mas também a capacidade de o sistema político reduzir incertezas e conflitos no curto e médio prazo.